Lula abre roteiro de viagens pelo Nordeste e irá celebrar liberdade no Recife

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Rafael Jasovich*

O ex-presidente participará do Festival Lula Livre, no próximo domingo (17), no Recife, capital pernambucana, abrindo um roteiro de viagens pelo Brasil para celebrar junto ao povo sua libertação depois de 580 dias em Curitiba (PR).

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, nesse sábado (9), um discurso muito mais duro do que na véspera e com vários ataques ao presidente Jair Bolsonaro. Afirmou, entre outros pontos, que o presidente precisa governar para os 210 milhões de brasileiros e não apenas para os “milicianos do Rio de Janeiro”.

Em ato em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, seu berço político, Lula também fez um apelo para que os militantes de esquerda compareçam às ruas para lutar contra o que chamou de destruição do país.

Disse ainda que é preciso seguir o exemplo do que está acontecendo no Chile, onde têm ocorrido manifestações, muitas vezes violentas e também duramente reprimidas pelas forças de segurança, contra as políticas do governo.

Lula é carregado por simpatizantes, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, onde discursou no sábado. (Fotos: Kaio Lakaio/Veja)

“Veja, esse cidadão foi eleito. Democraticamente nós aceitamos o resultado da eleição”, disse Lula a uma plateia de apoiadores e aliados em São Bernardo do Campo. “Mas ele foi eleito para governar para o povo brasileiro e não para governar para os milicianos do Rio de Janeiro”, disparou.

O petista então fez menção às investigações do assassinato da vereadora no Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL). Lembrou o caso em que o porteiro de um condomínio, em que Bolsonaro e um acusado de matar Marielle têm casa e que o outro acusado do crime entrou no local autorizado pelo “seu Jair” Bolsonaro, que, no dia dessa suposta autorização, estava em Brasília.

Lula também afirmou em seu pronunciamento que Bolsonaro “deve” sua eleição ao ministro da Justiça, Sergio Moro, que o condenou como juiz. E, também, àqueles que atuaram no processo do tríplex do Guarujá (SP), no qual já foi condenado em três instâncias, tendo ficado preso por 580 dias, pela condenação, na sede da Polícia Federal em Curitiba.

“Ele (Bolsonaro) deve (a eleição) ao Moro, aos juízes que me julgaram. E deve à campanha de fake news que fizeram contra o companheiro Haddad e contra a esquerda neste país”, disse em referência ao candidato derrotado do PT na eleição do ano passado, Fernando Haddad, que estava ao seu lado no carro de som de onde discursou.

O petista aproveitou ainda para fazer, mais uma vez, duros ataques a Moro, a quem chamou de “canalha” e “mentiroso”, e ao coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, a quem acusou de ter formado uma “quadrilha” para “roubar” dinheiro da Petrobras.

Lula também centrou artilharia na política econômica da gestão Bolsonaro e no ministro da Economia, Paulo Guedes, classificando-o de “destruidor de empregos” e “de empresas públicas”. Disse ainda que o presidente da República, que é capitão do Exército na reserva, nunca trabalhou e se alistou no serviço militar justamente para não ter de trabalhar e para se aposentar cedo.

“Ele arrumou um jeito de não trabalhar, foi fazer o serviço militar… esse cidadão, que nunca trabalhou esse cidadão que diz que não é político… nunca fez um discurso que prestasse, ele só fazia ofender as mulheres, ofender os negros, ofender os LGBTs”, disse. “Esse país é de 210 milhões de habitantes e a gente não pode permitir que os milicianos acabem com esse país que nós construímos.”

Já no final de seu discurso, Lula fez um apelo para que a militância de esquerda vá às ruas lutar contra as políticas da gestão Bolsonaro, citando o caso chileno como exemplo a ser seguido. “Eu estou disposto a andar esse país… Estamos vendo o que está acontecendo no Chile, que é o modelo de país que o Guedes quer”, disse.

“Se a gente souber trabalhar direitinho, em 2022, a chamada esquerda que o Bolsonaro tanto tem medo, vai derrotar a ultradireita. A gente tem que seguir o exemplo do povo do Chile, do povo da Bolívia, e resistir”, acrescentou, referindo-se a outro país latino-americano, palco de grandes protestos e confrontos generalizados.

Durante seu discurso, o ex-presidente disse que ainda fará um “pronunciamento à nação” nos próximos dias.

Caso Bolívia

O cruento golpe contra o legitimo presidente da Bolívia é um aviso da direita e dos Estados Unidos para todos os governos de esquerda que estão surgindo e surgirão na América Latina.

*Rafael Jasovich é jornalista e advogado, membro da Anistia Internacional

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