Luau retrô em Itabira do Matto Dentro

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José Norberto de Jesus*

“A seresta e serenata, a música e a poesia trazem conteúdo e sentimento e que atraem, normalmente, eram celebradas nas casas”, as pessoas se sentiam livre para participar com versos de colegas e amigos. O céu iluminado pela lua, nessas horas permite um convite ao namoro; havia casos que iam além de abraços e beijos…

Luau é um ato de poder, em que os convidados possam gozar da luz celeste, que emana da lua, a iluminar esse momento de euforia e belas cantorias. A música orquestrada ecoa um som que toma conta do ambiente e o torna festivo.

Acontecimento que permite celebrar a união da poesia com a música em encontro triunfal, que se misturam os dois expoentes em eventos lítero-musicais, são cantorias em noite de lual.

Um som romântico embala a noite

Chorinho seresta e paquerar tudo se faz sentido, em noite enluarada de sarau… Há quem guarde desse tempo boas recordações que carregam guardadas em fotos e memória. São tempos saudosos das serestas e serenatas, que passada essa pandemia precisa ser novamente motivada, até para ajudar a alegrar esse novo momento que ninguém ainda sabe o que será.

Hoje quando ando pelas ruas da cidade, dá tristeza ver as pessoas confinadas em suas casas cercadas de muralhas. Separadas por muros e gradis, as famílias torceram o nariz para a sinfonia. E agora também com esse anticultural novo coronavírus, que não deixa o artista expressar a sua arte, com todo mundo na clausura pelo necessário isolamento social.

É assim, nestes tristes trópicos, que a “Banda de Música já não toca como antigamente, pouco se fala das toadas”, elas não passam mais e a falta de sintonia por pura ironia, diz não à cantoria. Tudo isso foi afastando a seresta do povo. Nem mesmo aquele tempo que as famílias se movimentavam “pra ver a banda tocar”, perdeu interesse e relevância.

Além de tudo, nesses tempos de tanta evolução tecnológica, as pessoas estão ficando cada vez mais sem tempo, entediadas e com pouco espaço para amar. Tudo isto acontece e acaba por contrariar o coração.

Mas o sumiço não é de agora. Mas que se acentua com o crescimento e avanço dessa famigerada evolução e sofisticação que tanta novidade criou e que os gestos mais românticos e pueris se depararam com essa doença da Covid-19, que contagia e até mata, como temos visto mundo afora, e que tem colocado fim à nossa alegria festiva.

Em noite de lua cheia sarau é sagrado

Pode-se afirmar a importância de um “sarau” como importante evento cultural, em se tratando de política pública de um município. Um ´luau´ pode ser considerado a verdadeira essência de um entretenimento. Não importa se levado a luz de vela; quem gosta se faz presente, se se quer uma festa romântica, em meio a colegas, amigos e parentes.

O que não impede, e aí, considera o empoderamento.  Sarau de Poesias é algo que as pessoas deveriam exercitar em todas escolas públicas e privadas. Cria motivos para se realizar para que os estudantes ganhe gosto e passe a praticar em suas comunidades.

É Sagrado, algo que se deveria ser obrigatório nas Disciplinas de Artes; Deveria sentir imensa alegria em convidar dos alunos para participarem. E mais do que resgatar valores, é estimular e prestigiar os artistas antigos e novos que estão surgindo.

Sarau em meio à diversidade

Coral da Aposvale é tradicional em Itabira (Fotos: Divulgação/Reprodução)

Um sarau pode envolver dança, poesia, leitura de livros, música acústica e também outras formas de arte como pintura, teatro e comidas típicas. Cabe à Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) abrir espaços culturais para tais exercícios.

Imagine a cidade promover “Encontros de Corais”, com temáticas poéticas? A iniciativa instigante incrementa o turismo que, em parceria com a FCCDA, pode abrir espaço para circuitos nos bairros. Eventos rotativos. Pode até respirar poesia. O que não pode mesmo é faltar fomento. Investir é preciso para reconstruir esse cenário que caiu no ostracismo.

Um projeto consistente para recuperar instrumentalmente as bandas de músicas também se faz necessário. Agora mesmo o Patrimônio Histórico está investindo na Casa da Banda, patrimônio que, há muito, vem aguardando investimento, que a prefeitura de Itabira agora priorizou.

Mas é preciso ir além… Recupera e a banda que deixou de existir. Ficará a exemplo de nosso poeta: Banda de Música “Um Retrato na Parede”? Isto não pode acontecer.

E por que será que não há um projeto na Escola de Música para se criar uma Banda Infanto-Juvenil Experimental: Há que se pensar nessa possibilidade. Quem sabe uma destas faculdades possa se interessar e investir nessa ideia para não ficar só na mão da Prefeitura.

Chorinho, sem meias palavras

Instrumentos tradicionais do choro

Embolar nos cabelos da namorada, sentir seu aroma, perder-se em suas carícias, embriagar em seus beijos, como é bom lembrar as noites de luau.

Hoje se ouve só falar em trabalhar, estudar, trabalhar. Se divertir e cuidar de embalar as nossas emoções estão virando artigo de luxo. Bons os tempos que não estão tão distantes, quando amar era possível, se perder de amor era desejo dos mais jovens.

E havia o abraçar sem barreiras, os mais antigos que o digam. Sentir o corpo da mulher querida e seu calor era possível, romantismo que a Covid-19 vai aos poucos roubando, Hoje tudo mudou, o mundo se transformou.

Curtir o amor com “Choro” faz bem em tempos de pandemia

Celebrar os bons saraus inspira saudade. Ouvir o som do cavaquinho, flauta, violão bandolim, instrumentais, entre outros, a acompanhar os corais de Itabira, tudo isso cairia bem.

Hoje em Itabira atuando temos apenas o coral da Aposvale, mas existem os religiosos e outros que se perdem na intermitência, que mereceriam um chamamento por parte da Fundação Cultural.

Procurei evidências do Coral do Valtinho e seu regional, mas nada encontrei. Quem se lembra desse regional guarda boas lembranças e bate palmas.

Pois vale a pena recordar desses célebres animadores da noite, que fizeram sucesso nas décadas passadas. Mas tem uma infinidade de outros músicos que ajudaram a esquentar as noites de luau que merecem projetos de avivamento desses históricos anônimos.

Quem sabe por meio de projetos oriundos de Curadorias com as comunidades locais e apoio de patrocínios? Quem sabe baseado em projetos passados, a exemplo do projeto Vale Comunidade, quando tivemos na cidade uma efervescência cultural patrocinada pela grande mineradora com a trupe de Barbacena (Ponto de Partida), para citar um só exemplo, voltem a ocorrer? Projetos culturais dessa natureza mereçem um aceno da empresa que estimularia a cultura local? Tomara que sim.

Saiba mais sobre os Chorinhos   

O choro (chorinho) é considerado a primeira música popular urbana tipicamente brasileira. Teve origem no século XIX, quando se realizavam interpretações “abrasileiradas” de vários ritmos musicais ouvidos no país.

No Rio de Janeiro, cidade berço do choro, escutava-se as danças de salão europeias (valsa, quadrilha, mazurca, modinha, minueto, xote e polca) e os ritmos africanos (batuque e lundu), que eram a expressão das culturas branca e negra. O diálogo entre esses gêneros musicais contrastantes aos poucos originou um novo tipo de música, o choro.
O termo “choro”, segundo alguns especialistas, deriva da forma “chorosa” como os músicos de então tocavam. O choro é um estilo predominantemente instrumental, mas ocasionalmente algumas composições ganham letras, passando a ser cantadas.

Os conjuntos musicais que executam o choro são chamados de rodas de choro ou regionais, e os músicos que o praticam são conhecidos como chorões.

Uma das figuras centrais no nascimento do choro foi o carioca Joaquim Antônio Calado (1848-1880), flautista que integrou “O Choro de Calado”, um conjunto instrumental formado por ele, dois violonistas e um músico que tocava cavaquinho.

Itabira não fica a dever aos grandes grupos de Choro, como o leitor pode ler abaixo, com os grupo regionais que fizeram sucesso na cidade e também na capital mineira e por onde se apresentam.

Precursor do Choro

Joaquim Callado, Anacleto de Medeiros, Henrique Alves, Capitão Rangel e principalmente nosso mais influente músico e autor, o grande Pixinguinha.

As composições escolhidas serão apresentadas ao público com arranjos e arregimentação original e algumas adaptações livres, além do improviso nas performances, marca primordial do gênero Choro.

Instrumentais

Flauta transversal – pandeiro – instrumentais – violino, violão que proporcionarão ao público uma refinada interpretação com sonoridade camerística.

50 anos de Waldir Silva e o seu cavaquinho 

A carreira do cavaquinista Waldir Silva foi coroada de sucessos. Passou pelas mais famosas gravadoras do país e tocou ao lado dos maiores artistas do nosso cenário. Gravou composições próprias e registrou em disco trabalhos dos maiores compositores brasileiros.

Conforme matéria de capa da revista “Isto É”, Waldir Silva foi um fenômeno na vendagem de discos, tendo atingido a marca de seis milhões de cópias no Brasil e no exterior.

Neste cd, produzido pela Allegretto , Waldir Silva traz uma amostra dos seus 50 anos de sucessos.

 Grupo Flor de Abacate

Silvio Carlos (violão 7 cordas), à direita, com o regional Flor de Abacate. Na foto em destaque, o violonista com o também itabirano Geraldinho Alvarenga

Ouvindo atentamente o meritório trabalho desse formidável quinteto, comecei a indagar a mim mesmo: será que um Violão de 7 cordas, um Bandolim, um Cavaquinho, um Clarinete e um Pandeiro, podem nos brindar com um concerto tão bonito?

 Respondi para mim mesmo: podem sim, desde que estejam tais instrumentos nas mãos de pessoas competentes como vocês. Parabéns!”

Por Waldir Silva (em encarte do CD Flor de Abacate).

Faixas:Ainda me Recordo (Pixinguinha e Benedito Lacerda); Bachianas Brasileiras nº 5 (Heitor Villa Lobos); Bebê (Hermeto Pascoal); Adios Nonino (Astor Piazzolla); Saudade de Itabira (Silvio Carlos Silva Costa); Mistura e Manda (Nelson Alves); Terna Saudade (Anacleto de Medeiros); O Gato e o Canário (Pixinguinha e Benedito Lacerda); Auto Plágio (K-Ximbinho); No Bar do Souza (Ildeu Vilanova); Tantos Anos Sem ele (Rafael) (Silvio Carlos Silva Costa); O Trenzinho do Caipira (Heitor Villa Lobos); Remexendo (Radamés Gnattali).

VENDAS: www.flordeabacate.com.br/

Fonte: http://www.elfikurten.com.br/2015/02/musica-brasileira-o-choro-e-seus-choroes.html

Geraldinho Alvarenga e Sarau Brasileiro

Geraldinho Alvarenga com o regional Sarau Brasileiro

Filho da terra, Geraldinho Alvarenga é músico e compositor, um dos percursores da volta do choro à capital mineira. Em Itabira, frequentava o bar do Nilo, na pracinha do Pará, quando, juntamente com Sílvio Carlos, Cláudio Sampaio, e de quando em vez com a ilustre participação de Pedro de Caux, como convidado especial, faziam homéricos saraus de boas lembranças, revivendo esse gênero musical genuinamente brasileiro.

Compositor mineiro de choros, e também de músicas infantis com o parceiro Paulinho Pedra Azul, Geraldinho Alvarenga é autor de valsas, maxixes, entre outros estilos musicais.

Instrumentista, cantor, compositor e arranjador, esse grande músico itabirano é também produtor musical do conjunto Sarau Brasileiro, já lá se vão mais de três décadas.

Como produtor e arranjador, tem em seu portfolio mais de 15 discos, com várias de suas composições vencedoras de prêmios em festivais, dentre eles o Festival Choro Novo, realizado em 2011, em Belo Horizonte.

*José Norberto de Jesus, o Bitinho, é produtor cultural, idealizador do Festival UAI, um grande acontecimento itabirano na década de 1980.

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1 comentário

  1. Caro Norberto, que bão você escrever sobre música, recordar os bambas de Itabira. Não pare de escrever sobre Cultura, afinal você foi o primeiro produtor cultural não oficial na cidade. Beijos, querido.

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