Judeus e cristãos-novos na criação e colonização do Sul do Brasil

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5ª parte

Por Mauro Andrade Moura 

As principais Famílias das Bandeiras, continuação

Compilação

Tribulações do Povo de Israel em São Paulo

Autor Marcelo Meira Amaral Bogaciovas

Dissertação para a pós-graduação em história na Universidade de São Paulo

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

Departamento de História

Ano 2006 

Extratos

Antigas famílias com ascendência judia sefaradita que criaram São Vicente – SP, e outras vilas (hoje cidades) no interior da província de São Paulo, das quais descendem os antigos Bandeirantes que formaram as províncias de Minas Gerais e Goiás.

Considerando ainda que todas as famílias abaixo descritas têm grande descendência no Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, principalmente em Itabira, Nova Era e Rio Piracicaba: 

Famílias paulistas, acusadas pelos espanhóis de serem judias

Uma das maiores bandeiras que penetrou o sertão brasileiro, composta de quase 900 portugueses (entre brancos e mamelucos) e com muita munição, acompanhados de 2.200 índios, saiu de Sâo Paulo, no mês de abril de 1628. Entre as famílias bandeirantes de comprovada origem judaica, troncos dos paulistas, encontram-se: Camacho, Paiva, Castilho, Barbosa, Mendes, Bueno, Fernandes, Álvares, Raposo Tavares, Neto, Rebelo, Furtado, Álvares, Bicudo, Mendonça, Lopes, Grou, Machado, Pedroso, Pires, Silva, Ribeiro, Quadros, Lopes Fragoso, Álvares Pimentel, Moraes, Rodrigues Salamanca, Lemos, Esteves, Sousa, Leme, Mota, Jorge, Sanches, Corrêa, Peixoto, Proença, Roldão, Costa, Vaz, Santos, Bezarano, Macedo, Melo Coutinho, Mourato, Amaral, Coutinho, Gonçalves, Varejão, Madeira, Vaz de Barros, Lima, Freitas.

Título Motta

“Pesquisa: Maria Celina Exner Godoy Isoldi

Este título começa com o Dr. Anacleto Vaz da Motta que foi C.c. Filipa de Sá. Teve pelo menos o f.o:

Vasco Pires da Motta, que foi C.c. Filipa Gomes da Costa, não se sabe se em Portugal ou em S. Vicente.” 

Praias do Ribeirão do Carmo

A Família Mota, de São Vicente

Diversos membros dessa família, não obstante a fama constante de serem cristãos-novos, a qual atravessou séculos, conquistaram espaço entre a nobreza da terra, granjeando cargos de confiança e de respeito, além de fazerem diversos membros do clero. Muito embora os Motas terem “provado” que eram cristãos-velhos já em 1623, a fama avançou por todo o século XVII e alcançou o XVIII. Quando a situação de um habilitando dessa família ao sacerdócio entrava em uma linha onde não haveria outra saída que não a reprovação do candidato, eis que ele lançava mão dessa provança, e aí a situação se invertia. Assim aconteceu com os padres Lopo Rodrigues Ulhoa e Ângelo de Siqueira, os quais fizeram transladar em suas habilitações a sentença de abonação dos Motas. 

A família Mota foi das mais influentes nas capitanias de São Vicente e de Itanhaém, com grande e profícua geração. Dos filhos de Atanásio da Mota e de Luzia Machado, Vasco da Mota foi escrivão da ouvidoria de São Vicente, tabelião do público, judicial e notas da vila de Santos, e capitão-mor da capitania de Itanhaém, de 1636 a 1639. Calixto da Mota foi escrivão da ouvidoria da vila de São Vicente, escrivão do público, judicial e notas da vila de São Paulo, e capitão-mor de Itanhaém, de 1641 a 1643. Simão Machado foi escrivão da ouvidoria de São Vicente, em ausência de seu irmão Vasco da Mota. Vicente Pires da Mota foi vereador e tabelião na vila de Santos. Domingos da Mota foi tabelião da vila de São Paulo, em ausência de seu irmão Calixto da Mota. Isabel da Mota foi mulher de Dionísio da Costa, ouvidor e capitão-mor de Itanhaém. … 

… A razão para a fama de cristão-novo do Padre Antônio Raposo, consoante a sentença favorável concedida para Ângelo de Siqueira, em 5 de janeiro de 1733, da cidade do Rio de Janeiro, assinado pelo Dr. Gaspar Gonçalves de Araújo, era a de que o Padre Antônio Raposo, então vigário encomendado da vila de São Vicente, houvera ofendido a um homem, dando-lhe, ou mandando-lhe dar, uma paulada, e que o tal homem assim afrontado o chama de Judeu. Expulso de São Vicente por motim do povo, o Padre Antônio Raposo passou para Portugal, professando na Ordem de São Francisco, e depois foi comendador da Ordem de Santiago com 200$000 de pensão. O desconforto gerado entre seus paroquianos foi tanta que, uma das testemunhas ouvidas no citado processo do Padre Ângelo, Maria Lobo de Oliveira, viúva de Domingos Gonçalves Caminha, natural e moradora na vila de São Vicente, com 70 anos de idade, declarara que, tendo sido batizada pelo Padre Antônio Raposo e depois da pública fama de que ele era judeu, entendeu que ele não fazia valioso o sacramento do batismo e por isso se fez batizar novamente, conforme lhe recomendara um padre da Companhia de Jesus, indo em sua casa pelo meio dia, tendo escolhido essa hora para evitar algum rumor. 

Maria Betim (primeira e segunda) 

Cristãos-novos em São Paulo, capa de livro de Marcelo Bogaciovas

Maria Betim (a segunda) era mulher do Capitão Mor Governador Fernão Dias Pais, o “Caçador das Esmeraldas”, e filha de Garcia Rodrigues Velho e de outra Maria Betim (a primeira), a qual era filha de Geraldo Betim e de Custódia Dias. Geraldo Betim foi identificado pelo genealogista Silva Leme, como alemão, do ducado de Gueldres, cidade de Drusbuch. Esta informação é contraditada em um processo de genere et moribus de um neto de Geraldo Betim, Garcia Rodrigues, irmão inteiro de Maria Betim (a segunda). Do citado processo, corrido em 1662, constou que Geraldo Betim era, segundo o depoimento de testemunhas que o conheceram, de nação flamenga, “homem muito bem cristão”. Ninguém o qualificou como cristão-novo. 

Entretanto, há dois documentos que tratam as duas Matias Betins como cristãs-novas. O primeiro documento é relativo à pretensão de um filho de Fernão Dias Pais e de Maria Betim (a segunda), Garcia Rodrigues Pais, de se habilitar à Ordem de Cristo, pelos serviços prestados por seu pai à Coroa de Portugal. Esta foi a sentença exarada em 29 de outubro de 1710, da cidade de Lisboa, pelos membros da Mesa de Consciência e Ordens: 

Foi Vossa Magestade servido fazer mercê do hábito da Ordem de Cristo a Garcia Rodrigues Pais, e para o poder receber se lhe mandaram fazer as provanças de sua habilitação, das quais constou que em sua pessoa concorre a qualidade necessária. Porém que é maior de cinquenta anos, e infamado de cristão-novo por parte de sua avó materna por fama constante, e por estes impedimentos se julgou por incapaz de entrar na Ordem, do que se dá conta a Vossa Magestade como Governador, e perpétuo Administrador dela, na forma que o dispõem os definitórios.

Seguem assinaturas de Dom Francisco de Sousa, Martim Monteiro Paim, João de Mesquita e Matos, Dom Fernando de Faro, Antônio de Freitas Soares, Domingos de Sousa, Dom Henrique de Noronha. 

Tempo depois, certamente porque ainda necessitava mostrar a pureza do seu sangue, Garcia Rodrigues Pais fez uma petição, datada de 17 de março de 1734, no Juízo Eclesiástico de São Paulo para provar o que segue:

Muito Reverendo Senhor Doutor Vigário da Vara

Diz Garcia Rodrigues Pais, que para bem dos requerimentos que tem no Tribunal da Mesa da Consciência, lhe é necessário justificar perante Vossa Mercê, que Maria Betim natural desta cidade, não pagou finta, nem se acha no número dos que a pagaram.

Pede a Vossa mercê lhe faça admiti-lo a justificar o deduzido, e julgada a justificação por sentença, se lhe dê o instrumento dela pelas vias, que pedir.

Esperando Receber Mercê

Ao lado consta: Justifique o que alega. – Ribeiro. 

Para dar cumprimento à petição, foram ouvidas testemunhas em 17 de março de 1734 na cidade de São Paulo, em casas de morada do Reverendo Vigário da Vara o Dr. Bento de Sousa Ribeiro. Assim, o Capitão Rodrigo Bicudo Chassim, de 65 anos de idade, declarou que Maria Betim não havia pagado a finta e

Que se em algum tempo padeceu alguma nota estava hoje desvanecida por falsa por ter esta um neto chamado Maximiano de tal, cavaleiro do hábito e que não sabia se esta também há familiar do Santo Ofício. 

Outra, o Capitão Tomé Álvares, de 60 anos de idade, disse que

Não sabia que Maria Betim tivesse pago finta e que este rumor lhe procedeu da família dos Bernardes mas que do presente está desvanecido, por razão de que sabia ele testemunha que o justificante teve a mercê do hábito e justamente um seu sobrinho por nome Maximiano de Oliveira assistente nas Minas Gerais é hoje cavaleiro professo e mais não disse. 

As demais testemunhas, alegaram desconhecer que Maria Betim tivesse pagado a finta, porque ela não era das pessoas que nesta terra se pagavam a finta. Em 18 de março de 1734 se fez termo de conclusão dos autos, favorável ao habilitando. 

Garcia Rodrigues Pais havia nascido cerca de 1650 na vila de São Paulo, onde se casou com Maria Antônia Pinheiro da Fonseca, neta materna do bandeirante Antônio Raposo Tavares. Garcia e seus filhos receberam inúmeras mercês pelos feitos de Fernão Dias Pais. O filho mais velho de Garcia, e seu herdeiro, o Mestre de Campo Pedro Dias Pais Leme, foi fidalgo da Casa Real, comendador da Ordem de Cristo e tronco de uma família nobiliárquica, já que Pedro Dias foi avô dos marqueses de São João Marcos e de Quixeramobim. 

Genealogicamente, a primeira Maria Betim, sogra do valoroso bandeirante Fernão Dias Paes Leme, era da família dos Fernandes Povoadores, filha de Custódia Dias e sobrinha de André e Baltasar Fernandes, O Povoador.

A atitude aparentemente positiva de Baltasar Fernandez em relação à Igreja Católica certamente é devido ele precisar mascarar sua origem judaica. Segundo a historiadora Anita Novinsky, Baltasar Fernandez, assim como muitos outros bandeirantes, era judeu, um “cristão-novo” . Uma história que merece ser destacada em relação ao caso é que Baltasar Fernandes matou com um tiro na cabeça o padre Diogo de Alfaro, enviado pela Inquisição para investigar os “hereges” paulistas.

Fonte: WPCronologia de Baltasar Fernandes, o Povoador

Casa dos Motas, em Ouro Preto

O primeiro Garcia Roiz na história do Brasil, vindo também na esquadra do Martim Afonso de Sousa em 1532, provavelmente de origem espanhola, saiu para cá de Rio Tinto, ao lado da cidade do Porto, juntamente com a mulher e filhos. Neste passo, sua mulher tinha um nome bastantemente sugestivo: -Isabel VELHO. Obviamente antepassados de todos os Garcias Roiz e Garcias Rodrigues e Velhos que advieram na criação do Brasil. 

Raposo Tavares, o Bandeirante cristão-novo

Antônio Raposo Tavares é considerado o maior intérprete do bandeirismo paulista e, para o historiador Afonso de Taunay, foi “o bandeirante magno, vulto formidável da nossa história”. Consta que, destruídas as missões jesuíticas, Raposo Tavares garantiu para a Coroa Portuguesa a posse das terras dos atuais estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso. Realizou, ainda importante expedição  até a Amazônia (1651). Nasceu em Portugal, foi criado até os 18 anos de idade em casa de seu pai, Fernão Tavares, e de sua madrasta, a cristã-nova Maria da Costa, que foi presa nos cárceres da Inquisição em 1618, acusada pelo crime de judaísmo. 

Não se sabe se Raposo Tavares seguia as práticas judaicas no interior de sua casa em São Paulo, com seus numerosos filhos. Sabe-se qe seu vínculo com o Judaísmo aparece claramente num diálogo com um jesuíta que lhe perguntou “a que título os paulista faziam guerra aos índios”, ao que respondeu que “pelo título que Deus lhes dava nos livros de Moisés”, conforme o memorial do Padre Jesuíta Francisco Crespo, Procurador Geral das Índias Ocidentais, escrito entre 1631 e 1636, para Sua Magestade o Rei de Espanha, sobre os excessos cometidos pelos portugueses de São Paulo na província do Paraguai, leem-se páginas e páginas de heresisas cometidas pelos paulistas. Estes se deslocavam às missões no Paraguai sob o pretexto de que essa província pertencia ao Reino de Portugal, e cativavam índios catequizados, a quem os paulista chamavam de tupis e os levavam para os seus engenhos de açúcar. 

Entre algumas acusações, vale destacar os trechos seguintes: que os paulistas haviam cometido “homicídios e outros graves delitos, atrocidades e sacrilégios profanando as coisas sagradas dizendo blasfêmias ultrajando e ferindo aos religiosos e fazendo-lhes muitos maus tratamentos”… “mostrando-se em suas ações uns hereges e outros judeus com muita aversão ao cristianismo”… “muitos deles são cristãos-novos e se fizeram indômitos sem conhecer a [lei]divina e humana”… “os graves delitos que os portugueses de São Paulo tem feito estes três anos em nossas reduções, assolando e destruindo quatro [aldeias indígenas]e lavando-se não somente a gente delas como também uma grande multidão de infiéis que estavam apalavrados para reduzir-se a nossa santa fé e serviço de Sua Magestade usando todos extraordinárias crueldades queimando vivos os velhos e velhas que não podiam caminhar a seu passo, arrastando os ornamentos sagrados, maltratando e ferindo os pregadores apostólicos”… “quebraram a pia de água benta, jogaram ao solo ornamentos sagrados e os santos óleos”… “mataram três porcos e os comeram na quaresma tendo outras coisas que comer”… “os escárnios que fizeram aos sacerdotes e estes maus homens deviam de ser judeus hereges ou algum deles porque um disse apesas de Deus me tenho de salvar ainda que não tenha feito boas obras, porque basta que seja cristão, e de outros se dizia publicamente que traziam nas solas dos sapatos por escárnio as imagens de Nossa Senhora, de São João e de Santo Inácio”… “um Andrpe Fernandes um dos maiores piratas do sertão”… “as crueldades e desacatos que os portugueses de São Paulo fizeram com os índios, com os sacerdotes e com as coisas sagradas são mais próprias de judeus e hereges” … “e perguntando-lhes o Padre Cristóvão de Mendonça a quem o enviei a que lhes falasse, que porque título faziam guerra aos índios, respondeu Antônio Raposo Tavares capitão de uma companhia de portugueses que pelo título de Deus lhes dava nos livros de Moisés”.  

Diogo da Costa Tavares

É enorme a descendência do Capitão Diogo da Costa Tavares, cristão-novo, meio-irmão do bandeirante Antônio Raposo Tavares. Diogo era filho de Fernão Vieira Tavares e da Judaizante Maria da Costa. Diogo havia nascido cerca de 1614 na cidade de Beja. Veio para São Paulo cerca de 1638, provavelmente a chamado de seu pai Fernão Vieira, já que a sua permanência em Portugal não lhe seria muito propícia, uma vez que sua mãe Maria da Costa houvera sido penitenciada pelo Santo Ofício de Lisboa por judaísmo. Em São Paulo se casou duas vezes, a primeira com Maria Bicudo, irmã inteira de Beatriz Furtado de Mendonça, primeira mulher de Antônio Raposo Tavares, filhas do Capitão Manuel Pires e de sua mulher Maria Bicudo. Segunda vez se casou com Catarina de Lemos, tendo geração das duas mulheres.

Antônio Rodrigues de Alvarenga

Antônio Rodrigues de Alvarenga veio para o Brasil com o seu irmão Manuel Rodrigues (Monteiro) de Alvarenga, o qual era familiar do Santo Ofício. 

Aspectos das Gerais

Teria nascido por volta de 1500, em Portugal, provavelmente na cidade de Lamego, a julgar pelos depoimentos de seus descendentes. Teria vindo para o Brasil cerca de 1569, casando-se cerca de 1575, certamente na vila de São Vicente, com Ana Ribeiro, nascida cerca de 1559 na vila de São Vicente, ou ali criada, filha de Estevão Ribeiro e de sua mulher Madalena Fernandes. Antônio Rodrigues passou para a vila de São Paulo, onde serviu o ofício de tabelião do judicial e notas, consoante a provisão que recebeu, em vinte e nove de maio de 1599 de Roque Barreto, capitão e ouvidor desta capitania de São Vicente pelo senhor Lopo de Sousa capitão e governador dela por Sua Magestade. 

Antônio Rodrigues também exercia a função de barbeiro, muito comum a cristãos-novos, na vila de São Paulo. É assim identificado quando sua mulher, Ana Ribeiro, depôs, no processo de beatificação do Padre José de Anchieta (também este cristão-novo), a 9 de abril de 1622 na vila de São Paulo, tendo contado um caso particular, a respeito das virtudes de Anchieta, nos dizeres do Padre Viotti:

“Havia cinco anos vivia um pobre índio em São Paulo trazendo ferida incurável. O marido de Ana, o cirurgião Antônio Rodrigues de Alvarenga, reconhecendo ser um caso perdido, já o abandonara. De passagem por São Vicente, de volta de São Paulo, insta Anchieta com Antônio Rodrigues, que trate novamente do índio. Este desce de São Paulo, hospedando-se com os jesuítas em São Vicente. Ali o medicou Rodrigues três ou quatro vezes. Sarou prontamente e, como era natural, a cura foi atribuída ao Pe. Anchieta.

Passava-lhe, uma tarde bem avançada, o missionário pela porta. Deteve-o Ana Ribeiro e lhe apresentou o filho Jerônimo de dois anos. Estava muito mal: além de uma ferida congênita no rosto (lábio leporino?), havia três dias que já se não alimentava. Pediu a mãe que lhe salvasse a vida. Mostrava-se dificultoso nisso: “deixai-o ir à glória, que não vos dê algum desgosto”. Entretanto sorria para a criança e lhe falara na língua do Brasil (língua geral ou nhengatu). Vencido pela insistência de Ana, recitou-lhe o sacerdote um evangelho. No dia seguinte acordo o menino inteiramente bom e a ferida desaparecera, sem deixar vestígio. Entrou mais tarde para a Companhia, mas veio a ser dela despedido, com grave desgosto de seus pais.” 

O ofício de barbeiro, segundo o Dr. Lycurgo de Castro Santos Filho, tinha por função, nos séculos XVI e XVII, praticar a pequena cirurgia.

 A família Alvarenga foi considerada cristã-nova, conforme constou do processo de genere et moribus de um seu descendente, José Gonçalves Santos, no ano de 1752. Este era neto materno de Isidora de Godoy, a qual era filha de Antônio Corrêa de Alvarenga e de Isabel Velho. Segundo uma testemunha ouvida, o Reverendo Padre Frei João da Natividade, monge do Patriarca São Bento, que afirmou que Antônio Corrêa de Alvarenga era primo-irmão do Antônio Corrêa Garcia, este pai do Padre Pedro Corrêa de Alcântara, que sofria pública fama de mulato pelos Corrês e de cristão-novo pelos Alvarenga. 

A título de curiosidade, o poeta e inconfidente mineiro Cláudio Manuel da Costa (1729 – 1789), pertencia à família Alvarenga, por ser neto de Francisco de Barros Freire e de sua mulher Isabel Rodrigues de Alvarenga. Ele entrou com um processo de genere em 1757 de compatriotado no Bispado de São Paulo.

Processo nº 3-19-1876, de genere et moribus de Cláudio Manuel da Costa, ano de 1757, no Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo.”

Posteriormente essa dissertação de história foi editada como o livro do título

Cristãos-novos em São Paulo

(séculos XVI-XIX)

Assimilação e nobilitação

do historiador Marcelo Meira Amaral Bogaciovas

edição da ASBRAP – Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia

ano 2015 

segue

 

 

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