Jackson com as armas de Jackson

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Cristina Silveira 

O Carlos: Subir ao Pico do Amor e lá em cima sentir presença de amor.
O Oscar: Esse universo que não é nosso é tão imenso que o sujeito tem que se sentir pequenininho. Realmente é fantástico. O tempo e os movimentos, ah, o universo é fantástico. E quando vejo um beija-flor, por exemplo, é tão bonito, é tão bem-feito, parece uma coisa feita em um concurso, assim, de movimentar as asas, é um mistério.
O Altamir: Essa chuvinha e este friinho, faz um bem danado, dá a sensação de que a vida neste momento é eterna.

Importantíssima a entrevista concedida pelo ex-prefeito de Itabira, Jackson Pinho Tavares, ao jornal O Trem. A cópia do jornal que recebi está embaçada, alguns trechos de todo ilegíveis, mas apreendi o essencial para comentar.

Por vezes, reclamei no espaço colaborativo nesta Vila da Utopia, o “silêncio silencioso” do Jackson. E ele falou. Fez bem, falar. Soltou a voz para o POVO ouvir. Relatou o que foi e para quê foi o seu programa de governo. Revelou o que deveria ser e não foi, por fraqueza política; denunciou o boicote predatório da elite corrupta, do atavismo do século 17.

A lucidez, a não-ignorância e a dignidade de sua fala, desmoraliza a oposição e apresenta um homem tranquilo com a sua consciência. A entrevista garantiu ao ex-prefeito relevância na história política do Matto-Dentro, é ele na cidade da Montanha Pulverizada a representar a esquerda social democrata, o PT.

Creio que só a partir de 1930 – quando os eua/cia quedarem aos pés da China, se confirmada a nova geopolítica mundial em construção –, Itabira terá a possibilidade de eleger à esquerda. Por enquanto, se autoflagela no Posto Ipiranga do Li.

No meio da leitura, me veio à cabeça de como poderia ser o governo do Jackson se tivesse sido ele o sucessor do prefeito José Maurício Silva, que modernizou a Prefeitura através do brilhante da administração pública na América Latina, o professor Paulo Neves; na chefia de Gabinete nomeou Luiza Vieira, educada em berço de esquerda militante.

Poderia ter sido oportuno ao governo petista implodir a cidade com o lulismo selvagem (Rogério Skailab). Havia uma expectativa histórica de reconstruir a democracia, esperança que animava o espírito do POVO brasileiro.

Era pós Ditadura de 64. E talvez, seja a data em que o Jackson chegou em Itabira. Hoje é pai de dois itabiranos, que certamente, juntos com a mãe, são os transmissores do vírus da Cauêite que notei em seu discurso, mas se aperrei não doutor, não é crônico, na feitiçaria o mal se cura com ervas colhidas na serrania do Itambé, de onde se via o Cauê.

O PIG rastaquera

Não faltou espírito ao prefeito JPT para defender-se do PIG local, boi de piranha, olavete do século passado. O JPT parece pessoa calma, um boi pra não entrar e uma boiada para não sair de pelejas.

No dia 23/11/1997 compareceu à sessão da Câmara Municipal, aberta ao POVO, para esmagar com botinas da CVRD a boca do vilipendio, a cizânia dos mentecaptos. Venceu a parada!

Ao PT, no Palácio do Planalto, faltou espirito e deu no que deu, Golpe, Estado de Exceção e Miliciano. É irritante o bolorento republicanismo da esquerda nacional, a presidenta Dilma Rousseff, que faz parte de um seleto grupo de cinco doutores em energia do país (salvou do pior o apagão de FHC, em 2001) não contra-atacou as infâmias e difamações dos filhos de Roberto Marinho, três patetas sem diploma universitário e que não falam inglês.

O Corcunda da Rua do Bispo

Revelar o ovo da serpente das elites, dar a césar o que é de césar. Sem medo da verdade JPT, enquadrou o bispo Mário Gurgel e não foi o primeiro. Na década de 80, a direita de Itabira executou várias ações terroristas pela cidade: cerco e arma de fogo na mira de militantes da esquerda e bomba na casa da diocese Católica.

A favor da igreja fez-se uma manifestação nas RUAS, estavam lá umas 50 cabeças, entre todos, o seu Zé Gominho que, de mão dada com o seu Pratinha Vieira e Zé Afonso Cabral fundaram o PT de Itabira.

Zé Gominho, pessoa inteligente, doce, astuto e de dignidade, foi lacônico ao dizer que não manifestava a favor do bispo, mas contra a direita. Segundo Gominho, o bispo era a eminência parda (não interprete mal, MNU) da elite municipal, e tinha como missão, de desconstruir o trabalho social do bispo Marcos Noronha nas perifas, destruir o programa de construção de casa para os trabalhadores sem teto.

Também o promotor público, Zé Adilson Bevilacqua, ressentia da perseguição impetrada pelo bispo contra o padre Trombé, seu amigo, confidente e confessor. Gurgel era o agente abençoado da direita, inimigo da educação para todos. Mas não é crível que deixou-se influenciar pelo marqueteiro municipal, não, não foi influenciado, esperou a bajulação, minado como um Moro municipal.

A orgia da destruição pós PT

O Memorial Drummond, projetado por Niemeyer, sem o espelho d’água. Na foto em destaque, Altamir Barros, Oscar Niemeyer e o ex-prefeito Jackson Tavares (Fotos: acervo de Altamir Barros)

O poeta Drummond foi generosíssimo com Itabira, o arquiteto foi generoso com o poeta em Itabira. Mas Itabira foi desrespeitosa com o arquiteto.

Na edição 275/2002 de O Cometa, o superintendente da FCCDA, Cléber Camargo, assume, sem constrangimento, que mandou soterrar o espelho d’água do Memorial culpando os mosquitos pela destruição infame.

Uma ignomínia sem precedente na história do arquiteto Oscar Niemeyer, para isso há uma única palavra: Miserabilidade.

Monsenhor José Lopes dos Santos, Presente!

Pelamordedeus! O que se pensa que é? tirar a placa do padre Zé Lopão (diretor da EEMZA) para colocar a do pai do prefeito!!! é escárnio, vomitaço na cara do POVO. Mas quem se importa?

As placas no meio dos Caminhos

A ideia dos Caminhos Drummondianos é perfeita, mas as placas enquanto objeto são pesadas para uma cidade toda de ferro, falta nelas a leveza da poesia, cor, luz, como dizem os jovens de hoje, não é “energético”.

A verdade seja dita. A funcionária pública, Magui, fez a coisa certa, respeitou a norma para catalogar um bem público. Placa é um dos inúmeros suportes da informação, e como o CIP para os livros, nela deve constar o nome da pessoa homenageada, das autoridades, da autoria do objeto, etc. e tal.

Escultura de Drummond no Memorial, de frente para a cava do Cauê: obra de arte de Genin Guerra

O indevido por parte do prefeito JPT foi tirar um retrato em frente ao Memorial para ilustrar o folder de inauguração do espaço. Colocou a personalidade acima do princípio, uma mancada provinciana.

O “exagero das estátuas” do poeta em Itabira é um “exagero” civil. As estátuas gregas continuam sem paralelo na história da arte. Os 12 profetas barrocos do Aleijadinho em Congonhas é patrimônio da Humanidade.

Estátuas e monumentos são a representação de alguém ou simbolizam fatos catastróficos e vitoriosos de um POVO, é parte do conceito de cidade, de urbanismo, é uma referência histórica.

Interagir com essa arte serve aos sentidos, a contemplação para fora do elevador, da máquina, do trânsito, da técnica… no tempo e de portas abertas, tão livre que permite o vandalismo, a iconoclastia.

“O importante é a vida, o sujeito viver bem, de mão dada”. Oscar Niemeyer

O camarada Leonel Brizola ressentia e dispensava assessores que não lhe desse ideias: “há um ano entre nós e nunca me deu uma ideia, uma única ideia”. As ideias movem a máquina do mundo; se o poeta Drummond faz parte da história da humanidade, a lógica dos mobiliários urbanos de cultura, dialogarem permanentemente com a cidade e para além do território, representa Itabira para o mundo.

Luz Para Todos é um programa de caráter civilizatório, de reconhecimento do valor da dignidade do POVO de fora das cidades, aquele que produz alimentos para a nação. E da luz fez-se o concreto: um urbanista com uma ideia na cabeça e um prefeito com a caneta na mão.

O engenheiro itabirano Altamir Barros com Oscar Niemeyer, em 1997, no Rio

O poeta Drummond retornou a Itabira nas asas de O Cometa Itabirano e a fina sensibilidade do urbanista Altamir Barros, favorecido pelo cenário de montanhas, subiu ao Pico do Amar e pá, “no susto” criou um ícone internacional.

Do susto à realidade o prefeito e o urbanista ofereceram o Pico do Amar ao “Anjo Comunista” para criar um lugar de fala permanente para o “Anjo Torto”. O Memorial Carlos Drummond de Andrade construído ao lado da derrota centralizada, mecanizada, de frente para a cidade, plenamente disponível ao POVO. O Memorial Drummond é quatro vezes grandeza de Itabira.

Se na Cidadezinha, o Pico do Cauê era o guia do homem e o seu tempo, a cidade do século 21 vê a arte e nela a história de si mesma naquele Memorial instalado na montanha não pulverizada, de valor permanente.

O prefeito e o urbanista não pariram a luz, outros homens públicos tiveram propósito igual. Entre eles, o funcionário público Federal, Carlos Drummond. Essa similitude de pensamento encontra-se em cartas do urbanista Lúcio Costa quando construiu o Palácio Gustavo Capanema/MEC, no Rio. Transcrevemos aqui trechos das cartas:

Para Le Corbusier, em 26/6/1936: “…. Em setembro de 1935, sou chamado ao Ministério da Educação. É que o ministro Capanema tem, como chefe de gabinete, Carlos Drummond de Andrade: um poeta, quer dizer, alguém que, como Bandeira, tem sentido profundo das realidades verdadeiras e sabe nô-las transmitir.”

Para Gustavo Capanema, em 3/10/1945. “… Nenhum outro homem público, nem aqui nem em qualquer outra parte, teria tido a coragem de aceitar e levar a cabo, em circunstâncias tão desfavoráveis, obra tão radicalmente renovada. Amparado apenas, inicialmente, na instrução poética e no discernimento crítico de intelectuais como os senhores Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Rodrigo Melo Franco… Mas a honestidade de nossos propósitos teriam sido vã, dr. Capanema, não fosse podermos contar com dois cumplices nos postos externos de que dependiam, em última análise, todas as providências relacionadas com a obra, – um no Catete, o outro no seu gabinete: os senhores Getúlio Vargas e Carlos Drummond Andrade. Cumplicidade que se manteve constante durante todo o transcurso da longa e acidentada empresa.”

LIVRO

Considero o desejo de escrever um livro como uma promessa eleitoral do prefeito Jackson, escrever a biografia de seu governo. Um escritor não profissional não escreve para o mercado, escreve para um grupo especifico.

E existem várias formas de escrever uma biografia, como a biografia do valoroso comandante Hugo Chávez (1954-2013), de Ignacio Ramonet (Geração/2017) tem a forma de entrevistas, recurso que permite ler por temas. O essencial é a pesquisa nas fontes primárias que se faz de olhos abertos, alerto, para escrever manso e suave.

Lula Livre! Volta, Jackson!

 

 

 

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