Itabira teve um fim de semana altamente demais

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Dois grandes projetos culturais do Coletivo Altamente movimentaram o fim de semana em Itabira. Na sexta-feira (22), foi inaugurado o novo projeto do coletivo, o Jardim Sonoro, com a belíssima estreia do grupo vocal Triar.

O novo espaço cultural foi especialmente preparado para se tornar um ponto de encontro marcado com quem aprecia o “biscoito fino” da arte produzida em Itabira. Com a Casa Studio do coletivo, a proposta é promover apresentações musicais de caráter intimista, abrindo suas portas para receber o público de Itabira que queira apreciar uma noite agradável ao som de boa música para os ouvidos.

Nana Mendonça, Jô Malena, Zeca Rodrigues e Juninho Ibituruna inauguraram a Casa Studio, novo palco cultural de Itabira. Na foto destaque, cortejo do Bloco Altamente (Fotos: Angelo Marques)

E no sábado (23), o público que compareceu ao centro histórico de Itabira para acompanhar o cortejo com a batucada de bamba do Bloco Altamente.

A estreia do coletivo foi também em alto estilo no pré-carnaval itabirano, somando-se ao já consagrado bloco Madalena não Gosta de Poema, que se apresentou na semana anterior.

O Bloco Altamente surgiu das oficinas ministradas pelo percussionista Juninho Ibituruna, que por mais de três meses ensaiou nas praças de Itabira. É formado por pessoas iniciantes em percussão, mas que demonstraram ter ritmo e disposição para resgatar o carnaval de rua na cidade, que está abandonado e quase sem patrocínio sob a desculpa da crise que assola o município e o país.

Bloco Altamente em pose para a posteridade: sucesso na estreia

Na apresentação do bloco, o público acompanhou também a performance da trupe do Caretas pros Caretas e Grupo de Metais.  Participaram ainda desse grande encontro os músicos Dan e Duca, Rubiane Sampaio e Nandy Xavier.

Outra boa surpresa foi “canja” do grupo vocal Triar. E a homenagem, também surpresa, que o Altamente fez ao músico e compositor Nandy Xavier foi mais que merecida.

Triar canta como se fosse fácil cantar e encantar

O Triar é um grupo vocal formado pelos músicos Zeca Rodrigues, Jô Malena e Nana Mendonça. Zeca é carioca, músico por formação, regente com vasta experiência em grupos vocais e especialização em arranjo vocal. É o diretor musical e arranjador do grupo.

Do bairro Pará, em Itabira, o Triar segue para o estado amazônico do Pará, onde se apresentará em Alter do Chão/Santarém e Belém, no mês de março (Foto: Reynaldo Guerra)

Jô é mineira, psicóloga e especialista em terapia pelo movimento. Desenvolve trabalho com o canto em expressão e extravasamento das emoções, por intermédio da voz e movimento. É vocalista e percussionista no grupo.

Nana é mineira, musicista, especialista em educação musical e curiosa em pesquisa de timbres, carrega em sua trajetória a influência da música vocal à capela e a experiência de ter cantado em grandes coros, além de cantar, faz os teclados e flautas no grupo.

Público aprovou o novo espaço cultural

O que uniu os três componentes do Triar foi a vontade de fazer música juntos, investindo na tradição vocal brasileira e no riquíssimo repertório nacional. O que se viu na estreia do grupo em Itabira foram as habilidades de cada um, revelando-se um projeto autêntico, rico em sonoridade e cheio de personalidade.

Como convidado especial do Triar, o show contou com participação de Juninho Ibituruna, baterista, percussionista, programador de áudio, professor e DJ. Ibituruna é também curador e idealizador do “Coletivo Altamente”, que realiza eventos culturais em Itabira desde 2015 e atua em vários projetos nacionais e internacionais.

Repertório comentado

  • Amor: música gravada pelos Secos e Molhados, no incrível álbum debut do grupo, em 1973. O arranjo em bloco aberto, realçando a melodia e colocando a poesia em caixa alta, já mostra a que o grupo Triar veio.
  • Mestre Jonas: Clássico do trio Sá, Guarabira e Rodrix, um ícone do movimento mineiro de rock rural, que tanto marcou a mpb. Um arranjo vocal com momentos quase instrumentais.
  • Gatas Extraordinárias: Um autêntico Caetano, com todas as suas nuances melódicas e uma letra deliciosa, fácil de ficar na cabeça por dias. Tudo isso valorizado por um arranjo cheio de detalhes como modulações, alternâncias de vozes, solos e aberturas vibrantes.
  • Metamorfose Ambulante: Raul e Coelho não podem faltar nos roteiros de shows de mpb. Canção ícone. Um arranjo que lembra um coro gospel na introdução e segue pela canção no formato pergunta/resposta até chegar a um emocionante mashup com a música Gita par finalizar.
  • Irmãos Coragem: música tema da novela homônima, uma das primeiras novelas da dramaturgia televisiva, que mereceu um remake. Música muito atual e símbolo de resistência.
  • Blackbird: Canção ícone da dupla Lennon/McCartney. Arranjo vocal baseado na versão do incrível grupo folk Crosby, Stills and Nash.
  • Dindi: emocionante composição de Tom Jobim, um dos maiores compositores brasileiros. Arranjo feito para o Cantapueblo, evento internacional de coros e grupos vocais da América Latina.
  • Capim: Clássico de Djavan, muito representativo de seu trabalho e da música popular brasileira, com sua brasilidade no suíngue e na poesia. Arranjo baseado na versão a cappella do grupo BeBossa.
  • Virtual Insanity/Staying Alive: Mistura de duas incríveis canções, a primeira de Jamiroquai e a outra dos Bee Gees.
  • Martelo Bigorna: Uma canção desafiadora de Lenine, com seu compasso quebrado em uma ambiência que parece um mantra. O arranjo vocal bastante desafidor também, com polifonias contínuas alternadas nas vozes do trio, com muita emoção e racionalidade.
  • Esse Tal de Roque Enrow: Canção ícone do rock brasileiro em sua melhor fase. Rita Lee e Paulo Coelho foram matadores nessa canção. O arranjo cita um riff clássico do grupo Deep Purple em sua introdução e se diverte com a situação sarcástica da poesia.
  • Babulina’s Trip: Um altêntico hit da música mineira contemporânea, grupo Graveola.
  • Cérebro Eletrônico: Composição muito atual de Gilberto Gil, apesar de feita nos seus tempos de exílio, que discute de forma divertida a existência dos computadores e os compara com os humanos.
  • Palco: Outra canção de Gil, talvez a sua mais contagiante composição, pela incrível energia e positividade, perfeita pra fechar shows.

O resultado foi uma música viva e ao mesmo tempo doce, que mostra muito das montanhas de Minas com a intimidade vocal das irmãs Jô e Nana. E, também da praia carioca, com as harmonias e bossas de Zeca Rodrigues.  Uma mistura feliz, vinda de um leque de influências de todos os cantos e cores.

Do bairro Pará, em Itabira, o Triar segue para o estado amazônico do Pará, onde se apresentará em Alter do Chão/Santarém e Belém, no mês de março. Neste ano o grupo aposta na criação de composições autorais.

Acompanhe a agenda do grupo Triar nas redes sociais Facebook e Instagram.

Contatos para shows:

Zanzá Produção Independente – zanza.producoes@gmail.com

(31) 99936-8008

(21) 97974-1780

(21) 98216-7906

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7 Comentários

  1. A Vila de Utopia como sempre, fazendo excelentes matérias sobre a cidade de Itabira.
    Vida longa à todas as iniciativas que trazem fortalecimento cultural e político em Itabira.
    Vida longa à Vila de Utopia!
    Vida longa ao Coletivo Altamente!
    Vida longa ao Grupo Triar!

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