Itabira tem uma quinta-feira de bares sem aglomerações. Ministério Público espera que permaneça assim para a pandemia não avançar

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A primeira quinta-feira (13) após a adesão de Itabira ao programa Minas Consciente, que flexibilizou ainda mais a economia com a permissão de abertura para o público de bares e restaurantes, não repetiu cenas de desrespeito à saúde pública, com aglomeração como a que se viu na noite anterior, em um bar da avenida Mauro Ribeiro.

Tradicional restaurante de Itabira não abriu na quinta-feira (Fotos: Carlos Cruz)

Com forte movimentação de frequentadores sem uso de máscaras e sem o distanciamento necessário, o bar acabou sendo lacrado pelos fiscais da Prefeitura.

O alvará de funcionamento do estabelecimento foi suspenso por 15 dias, para que dê tempo de se adaptar às novas medidas necessária para uma reabertura mais segura.

Muitos bares e restaurantes nem chegaram a reabrir nessa quinta-feira. E os que abriram não tiveram grande movimento, mantendo mesas distantes uma das outras.

“Esperamos que não volte a acontecer grandes aglomerações”, afirma a promotora de Justiça Sílvia Letícia Bernardes Amaral, curadora da Saúde, da Pessoa com Deficiência, do Consumidor, da Pessoa com a Deficiência e Juizado Especial.

“Empresários e a população precisam se conscientizar que a pandemia continua e a vida tem de ser preservada em primeiro lugar. Só assim a economia pode voltar a girar”, é o que a representante do Ministério Público defende, preocupada com o avanço da pandemia pelo interior do estado.

Minas Gerais já registra 164.915 pessoas infectadas, sendo que 4.430 novos casos ocorreram em 24 horas. E já lamenta as 3.846 mortes, com 63 novos óbitos nesta sexta-feira (14).

“As pessoas podem até ir ao barzinho ou ao restaurante, mas com todos os cuidados necessários”, advoga a promotora. “Se os empresários e a sociedade civil não adotarem as medidas de prevenção, corremos o rico de voltar à onda 1 (vermelha), só abrindo os serviços essenciais”, adverte.

Promotora endossa adesão dos municípios da região ao programa Minas Consciente

Na avenida Mauro Ribeiro, movimento sem aglomeração nos bares e restaurantes, diferentemente do que ocorreu na noite anterior

A promotora considera positivo o município ter aderido ao programa Minas Consciente. “Em março, no início da pandemia não havia um protocolo único com as normativas e parâmetros. Os gestores municipais ficaram perdidos com a falta de diretrizes do Ministério da Saúde e também do estado”, recorda a representante do Ministério Público.

“Quando isso ocorreu, com a deliberação 17 no estado, muitos municípios, inclusive Itabira, já tinham adotados as medidas de isolamento”, recorda a promotora, para quem agora os municípios têm mais autonomia, mas devem sempre observar as diretrizes e protocolos previamente estabelecidos.

“O município tem liberdade de flexibilizar, mas desde que não esteja em desacordo com o programa Minas Consciente. Os executores da política de saúde no município têm feito a sua parte, agora é hora de os empresários e a população colaborarem, assumindo as responsabilidades que todos devem ter com a saúde e a vida”, disse a promotora.

De acordo com a promotora, a função do Ministério Público é acompanhar o cumprimento das normas e diretrizes, assim como o monitoramento da ocupação de leitos de UTI e também do ritmo de transmissão da doença.

Regional

A promotora espera que o funcionamento de bares e restaurantes siga os protocolos, para não haver retrocessos

O Ministério Público avalia também com os gestores a situação epidêmica no município e na Comarca, que tem sob a sua jurisdição , além de Itabira, os municípios de Santa Maria de Itabira, Passabém e Itambé do Mato Dentro.

A promotora também aprovou a mudança de parâmetros, ao Itabira deixar de ficar vinculada à macro regional Centro, com sede em Belo Horizonte, que conta com 101 municípios, entre grandes e médios, sendo que a maioria se encontra na onda Vermelha.

Lembra que Minas são várias e que o vírus não tem se espalhado de modo homogêneo pelo estado. “A opção pela microrregião, para efeito de mudanças de ondas, é mais condizente com a nossa realidade. As condições epidemiológicas na microrregional irão abalizar os indicadores para mudanças de ondas.”

Para a promotora, o risco de transmissão da doença permanecendo abaixo de 1 e a ocupação de leitos de UTIs abaixo de 40%, com a soma de outras internações por síndromes respiratórias grave, é possível migrar para onda Verde. “”São esses parâmetros que irão permitir, ou não, ao município e à região avançarem na reabertura das atividades econômicas.

Mas para isso acontecer, acentua, a taxa de isolamento social precisa ficar acima de 50%. Atualmente, segundo o boletim epidemiológico semana,l divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, está em 36% – e o risco de cair ainda mais o isolamento social aumenta com reabertura de novas atividades econômicas não essenciais.

“Temos muitos casos confirmados em Itabira até por ser um dos municípios que mais testa no estado. Muitos casos são assintomáticos e as pessoas podem transmitir o vírus mesmo sem saber”, adverte.

Saúde dos profissionais

Outra preocupação do Ministério Público é com o número de profissionais e com as condições de trabalho e segurança para quem trabalha diretamente no enfrentamento à pandemia.

“Há uma preocupação dos médicos intensivistas, dos enfermeiros e demais profissionais de saúde em não adoecerem, para não desfalcarem o atendimento. É um trabalho muito especializado, que exige muito treinamento para atender ao paciente acometido pela doença, daí que não é fácil substituí-los”, diz a promotora.

Ela também se preocupa com o aumento de pessoas internadas, inclusive com outras síndromes respiratórias. É o que tem demandado ainda mais o serviço de atendimento à saúde no município, que atende à população de 13 municípios, com cerca de 220 mil habitantes.

Sem “novo normal”

“As ações do governo não irão dar conta de conter o avanço da pandemia se não houver a contribuição dos empresários e dos moradores, se a sociedade civil não tomar as medidas de precaução. O uso de máscara, a higienização constante das mãos e o distanciamento social são medidas que estão a nos exigir essa nova realidade”, insiste a promotora.

A representante do Ministério Público não aprova a designação que trata a realidade que o país e o mundo vivem como sendo um “novo normal. “Não gosto de chamar essa nova realidade como sendo o novo normal. A morte de mais de 100 mil pessoas não pode ser aceita como sendo normal, porque não é”, enfatiza.

A promotora também não vê com bons olhos o que chama de “negativismo”, que consiste em parte da população negar até mesmo a existência da pandemia. “Negar a realidade pode ser muito perigoso”, diz ela, que, da mesma forma, não considera isso normal.

“Estamos diante de uma nova realidade que precisamos aprender a viver com ela, se possível permanecendo a maior parte do tempo em casa. E, sempre que sair, fazer o uso da máscara, até que surja uma vacina para pôr fim à pandemia.”

Mudança de onda

Para mudar da onda Amarela para a Verde, além de manter o isolamento social e as medidas protetivas, terá que transcorrer pelo menos 28 dias contados a partir da adesão de Itabira ao Minas Consciente. “Mas para regredir para a onda Vermelha, isso pode ocorrer a qualquer momento, se os parâmetros indicarem essa necessidade”, lembra a promotora.

“Vai depender muito do comportamento da sociedade civil e da atenção permanente das autoridades municipais responsáveis pela gestão da saúde em Itabira e na região”, complementa.

“Muita gente quer ir ao bar para rever e conversar com os amigos. Ou levar a família a um restaurante, restabelecer os contatos sociais após quase cinco meses vivendo com fortes restrições. Tudo isso é importante até mesmo para preservar a saúde mental, mas façam isso com consciência”, é o apelo que faz a representante do Ministério Público, responsável pela curadoria da Saúde na Comarca de Itabira.

Central de Monitoramento

Conforme informa a secretária municipal de Saúde, Rosana Linhares, as pessoas infectadas pelo novo coronavírus com sintomas leves são tratadas em domicílio, daí que é também pequeno o índice de ocupação de leitos das enfermarias dos dois hospitais de Itabira.

Por meio de uma Central de Monitoramento, uma equipe formada por médicos e outros profissionais da área, tem acompanhado por telefone as condições de saúde das pessoas que cumprem o isolamento domiciliar.

As pessoas com sintomas também podem ligar para a central (3839-2133 e 3831-2510). Para os casos monitorados, cada paciente é contatado pelo menos a cada 48 horas.

São acompanhados tanto as pessoas que foram testadas positivas, assim como também os casos suspeitos ainda em investigação, juntamente com os seus familiares e pessoas próximas, informa a secretária municipal de Saúde.

 

 

 

 

 

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1 comentário

  1. Cristina Silveira, A meia Garrucheira on

    Aqui no Rio é o mesmo quadro de irresponsabilidade e esquizofrenia Nacional. O governo Federal liderado pelo presidente Miliciano e os prefeitos, crente como aqui no Rio – não tolero os Crentes, gente nojenta! – e o de Itabira, um trenzinho do Posto de Gasolina Alvarenga , nunca serão presos, mas eu rogo praga, faço mandinga e rodo salvador inteira de que sentirão dores, dores horríveis que o dinheiro não poderá aliviar…. ódio a essa canalha de beócios, ou como dizem os Crentes: gente do Mal.

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