Itabira tem parada do orgulho LGBT+ programada para sexta-feira à noite na praça Acrísio de Alvarenga

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À semelhança do que ocorreu no domingo (23), em São Paulo, na 23ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Intersexuais e outras orientações sexuais, identidades e expressões de gênero), também em Itabira, na noite de sexta-feira (28), a parir de 18h30, na praça Acrísio Alvarenga, será lembrada a revolta de Stonewal Inn, desencadeada em Nova Iorque, em 1969, portanto, há 50 anos.

Stonewall Inn era nome do bar nova-iorquino localizado no bairro de Greenwich Village, em Manhattan, nos Estados Unidos, frequentado pela comunidade LGBT+.

O transformista Cláudio “Paloma Beckham” Gomes na terceira edição da Parada LGBT+ em Itabira, 19 de novembro de 2017 (Fotos: Carlos Cruz)

Nas primeiras horas da manhã de 28 de junho de 1969, os frequentadores foram duramente reprimidos pela polícia, o que desencadeou uma série de manifestações de protestos contra a homofobia e transfobia.

Hoje, o episódio é considerado um marco importante na luta por direitos e respeito às diferenças, constituindo um momento importante na luta pelos direitos LGBT+ nos Estados Unidos – e também no mundo, inclusive no Brasil.

Em 1969, a homossexualidade era considerada crime nos Estados Unidos. Por ser um dos poucos lugares frequentados livremente pela comunidade LGBT+, o bar de Greenwich Village era frequentemente reprimido pela polícia nova-iorquina.

Pois naquela madrugada histórica, os frequentadores do bar (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais) se rebelaram. Em um ato de resistência, investiram contra os policiais com pedras e pedaços de paus. A revolta se estendeu por três dias, ganhando adesão de mais de 10 mil manifestantes.

Resultado: centenas ficaram feridas e vários manifestantes foram presos. Como reação contrária à repressão, o movimento LGBT se fortaleceu, provocando mudanças na legislação norte-americana, que deixou de criminalizar o homossexualismo naquele país.

Na praça do povo

Em Itabira, na manifestação de sexta-feira na praça Acrísio, assim como ocorreu na Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, os participantes devem relembrar as conquista do movimento nos últimos 50 anos.

E, também, não irá deixar de acentuar o risco de retrocesso no Brasil, principalmente depois da eleição do presidente eleito Jair Bolsonaro, cuja campanha política teve forte conotação homofóbica – e também misógina.

Mas há também o que ser comemorado. Além dos espaços conquistados na sociedade, a comunidade LGBT+ obteve uma grande vitória com a decisão do Supremo Tribunal Federal, em uma decisão inédita, considerar a homofobia e a transfobia como crimes, assim como é o racismo.

Para a suprema corte nacional, o crime de racismo abrange a discriminação e a violência contra homossexuais, aplicando-se também a lei 7716/89 até que Congresso Nacional aprove uma legislação regulamentando a questão.

Gercimar Almeida, ativista itabirano e um dos organizadores da Parada LGBT+

Antes, outra conquista importante foi o reconhecimento do direito à união civil de pessoas do mesmo sexo, efetivada em 2011 após o mesmo STF reconhecer esse direito.

Foi igualmente importante a legalização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, em 2013, assim como o reconhecimento do direito à identidade de gênero, em 2018.

“São conquistas importantes do movimento LGBT, da luta de milhares de ativistas e de um bando de gente que tem participado dessas batalhas muitas vezes tendo que enfrentar a fúria do fundamentalismo religioso”, festeja o ativista Gercimar Almeida.

O que entristece os ativistas LGBT+ é não ver esse mesmo reconhecimento por parte das autoridades itabiranas. “Nos dois últimos anos, a nossa manifestação não obteve apoio dos poderes executivo e legislativo itabirano”, lamenta o ativista itabirano.

 

 

 

 

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