Itabira retroage para onda vermelha do Minas Consciente que manda fechar todo serviço e comércio não essenciais

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Não foi por falta de aviso: Itabira, assim como toda a região do Vale do Aço, retroage para a onda vermelha, passando a valer todas as restrições contidas no programa Minas Consciente.

Com isso, a partir de sábado (12) só podem funcionar as atividades relacionadas como essenciais no programa de reabertura econômica do governo de Minas Gerais, ao qual Itabira aderiu.

São consideradas essenciais as atividades relacionadas à agropecuária, produção e venda de alimentos (fábricas, restaurantes e lanchonetes com protocolos bem mais restritivos), comércio atacadista, bancos e seguradoras, mineração e siderurgia, construção civil, indústria têxtil.

A área de saúde, óbvio, também não fecha. Assim como não fecham os serviços de telecomunicação e imprensa, transporte e demais serviços de logística, hotéis e similares. No segmento de ensino, somente podem funcionar presencialmente a educação superior com aulas práticas de saúde e atendimento público.

Todas as demais atividades, tidas como não essenciais, voltam a fechar enquanto Itabira e a região permanecerem na onda vermelha. Confira aqui.

Retrocesso anunciado

Esse retrocesso já vem acontecendo há algum tempo e se deve ao relaxamento das medidas restritivas e profiláticas. Nos últimos meses, o povo voltou às ruas como se a pandemia tivesse acabado num passe de mágica.

O novo coronavírus (SARS-CoV-2) continua forte e propagando com muita velocidade, principalmente entre jovens, assintomáticos, mas que levam o vírus para casa, contaminando e afetando com severidade a saúde dos parentes idosos, assim como colegas de trabalho.

A consequência é que ampliou o grau de risco no município e na região. Em Itabira, esse grau de risco saltou para 20 pontos, numa escala que vai de zero a 32. Isso porque as pessoas, em grande parte, deixaram de lado os cuidados que devem ser combinados (assepsia das mãos, uso de máscara, distanciamento social) – e que precisam ser compartilhados como parte das proteções mútuas.

Foi assim que o retrocesso se tornou inevitável. E é necessário justamente pelo relaxamento das medidas preventivas e protetivas. E também pela flexibilização, relaxamento, além da falta de fiscalização da Prefeitura durante e após as eleições.

Por toda cidade, praças e bares foram ocupados com grandes aglomerações de pessoas sem máscaras.

Dados epidemiológicos não refletem a real situação da pandemia no município

O boletim epidemiológico divulgado diariamente pela Secretaria Municipal de Saúde, embora não reflita a real situação, devido às subnotificações, tem registrado aumento exponencial do número de pessoas já infectadas em Itabira.

De acordo com o boletim dessa quarta-feira (10), já são mais de 4,4 mil casos confirmados em Itabira, sendo que desses, 524 pessoas cumprem isolamento domiciliar. Mas assim como ocorre em todo o país, esse número de pessoas já infectadas pelo vírus pode ser até dez vezes maior.

Guerra sem trégua

Para o neurocientista Miguel Nicolelis, o país e o mundo estão vivendo uma situação de guerra muito complexa contra o vírus. E que, no Brasil, governos e a população ainda não entenderam a dimensão do que ele chama de verdadeira hecatombe.

Trata-se de uma pandemia que afeta a saúde das pessoas em todo o mundo, mas que adquire maior gravidade no país, pela falta de um comando nacional para o enfrentamento ao novo coronavírus.

“O Brasil nunca passou por algo assim. Essa vai ser a situação de guerra mais complexa, mais multidimensional e mais desafiadora que o país já enfrentou. E não temos um governo capaz de entender a dimensão do que estamos enfrentando. Não vejo o país agindo de uma maneira proporcional ao desafio que vai chegar nos próximos dias”, avisa.

Segundo o neurocientista, as frentes de combate nessa guerra devem permanecer por muito tempo, mesmo que nos próximos meses cheguem as anunciadas vacinas.

Daí ser necessário reforçar a vigilância em saúde, com fiscais nas ruas, assim como a população precisa entender que o vírus está longe de ser derrotado,

E que, para o enfrentamento à pandemia, é imprescindível a participação de todos, coletivamente, por mais que o cansaço com tudo isso seja grande.

Nessa guerra ninguém está imune, nem mesmo os que já foram infectados, pois não há certeza de que deixam de transmitir o vírus, que está forte e disseminado por toda a cidade e no país inteiro.

Só vai ser possível relaxar quando a maioria da população estiver vacinada e com a imunidade cientificamente comprovada.

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