Itabira já sofre com outras síndromes e serviços de saúde podem ficar congestionados nos próximos dias

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Pelo monitoramento realizado nos hospitais, pronto-socorro e demais unidades de saúde, até ontem (quarta-feira, 27), havia no município o registro de 592 notificações de pacientes com síndrome gripal não especificada. E mais 196 casos confirmados para a Covid-16, com 184 pacientes em isolamento domiciliar.

Síndrome não especificada tanto pode ser decorrente de gripe, que começa a afetar mais gente com o tempo frio, como também pode ser contaminação pelo novo coronavírus. Daí que é preciso acompanhar a evolução do quadro.

O boletim de ontem repete o mesmo perfil epidemiológico de terça-feira. A maioria das pessoas testadas positivas para a Covid-19, pela faixa etária, está fora dos grupos de risco.

Do total de 192 casos confirmados para a Covid-19 em Itabira, 189 estão na faixa etária entre 20 a 59 anos, tendo uma criança com idade entre um e nove anos, além de outro jovem na faixa de 10 a 19 anos. E sete pessoas entre as testadas positivas têm idade acima de 60 anos.

Segundo boletim do Hospital Nossa Senhora das Dores há um paciente internado, de Caeté, do sexo masculino, confirmado com a doença, em ventilação mecânica, seguindo o protocolo de tratamento. E mais um paciente de Itabira internando, aguardando resultado de exame para a Covid-19.

As notificações à Prefeitura são compulsórias pelas empresas e para toda rede de saúde onde se faz a testagem. Até 19 de maio, só eram notificados os casos positivos.

Mas com a edição da última Nota Técnica, do Centro de Operação em Emergência em Saúde de Minas Gerais (Coes-MG), tornou-se obrigatória a notificação de todos os testes com os resultados positivos e negativos.

Portanto, assim como a mineradora Vale, também os laboratórios particulares são obrigados a notificar os resultados dos testes realizados, sejam os testes rápidos como também os sorológicos e de biologia molecular (RT-PCR) para Covid-19.

Quadro incompleto

Sem testagem pelos hospitais, pronto-socorro e unidades de saúde de quem não apresenta sintomas, fica difícil conhecer a real dimensão da pandemia no município.

Mas o sinal de alerta já foi acionado. Como se observou na Vale, a maioria dos empregados testados positivos não apresentava sintomas da doença.

De acordo com o professor Domingo Alves, coordenador do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS), da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP, os “casos sem sintomas ou com sintomas leves são a chama que mantém a epidemia”, já que a maioria não é testada – e, consequentemente, o isolamento domiciliar fica restrito.

Portanto, que se façam mais testes. E que todos os dados sejam divulgados, com a origem e dispersão geográfica, para que se tenha uma dimensão bastante próxima do real quadro da pandemia no município.

Mesmo em se tratando de uma “guerra” contra o coronavírus, a transparência e o livre acesso às informações precisam prevalecer.

Embora a mineração tenha sido considerada como atividade essencial, isso não exime a Vale de prestar todas as informações da real situação encontrada na empresa.

Afinal o que ocorre com os seus empregados reflete na cidade. É, portanto, uma questão de saúde pública  – e interessa a toda população pelas consequências que podem advir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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1 comentário

  1. MOISES DAMIAO DE SOUZA on

    E quem já não esperava por isso? O presidente do metabase, minusculo mesmo, disse que não era necessário paralisar a produção, da Vale ora aprovada pelo Ministério Publico do Trabalho. E agora, José?

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