Itabira ignora avanço da pandemia para o interior de Minas Gerais e reabre templos e igrejas

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Mesmo com a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), que provoca a doença Covid-19, avançando para o interior do estado, o município de Itabira reabre, nesta segunda-feira (20), os seus templos e igrejas, que é para os fiéis que não estão nos grupos de risco fazerem as suas orações em missas e cultos religiosos.

A reabertura ocorre após mais de 120 dias de interdição, por decisão da Prefeitura, que seguiu protocolos do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais.

O relaxamento de medidas restritivas pelo interior do estado está hoje no centro das preocupações das autoridades de saúde, pelo menos daquelas que seguem os protocolos científicos para conter a doença e mitigar os dramas humanos, já tendo sido contabilizadas as mortes de 79.488 brasileiros por Covid-19 até no domingo (19).

Em Minas Gerais, segundo as autoridades em saúde, a tendência é de estabilização, mas com índices seguindo em um platô, com números de casos mais elevados – e que vêm se mantendo há vários dias.

Tendência

“A interiorização é uma característica da pandemia e já era esperada”, admite o secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Marcelo Cabral.

Minas Gerais já registra 94.132 casos confirmados, com 66.369 pacientes recuperados e 25.271 casos em acompanhamento.

Já o número de mortos saltou, em dez dias, de 1.504 para 2.004 óbitos registrados nesta segunda-feira (20), segundo boletim epidemiológico da SES-MG.

Em Itabira, o número de casos confirmados também tem crescido exponencialmente. Isso não só pelo aumento das testagens, mas também pelo próprio avanço da pandemia, o que já tem pressionado o serviço municipal de saúde, que recebe pacientes de cidades vizinhas.

O município registra 1.026 casos confirmados de pacientes com o vírus, um aumento de 71 novos casos em seis dias, fora as subnotificações – e de 12 novos pacientes testados positivos em 24 horas.

Do total, 830 pacientes já estão recuperados, mantendo-se o registro de três óbitos confirmados pela doença, sendo que há duas mortes suspeitas em investigação. E 186 pacientes se encontram em isolamento domiciliar.

Outros nove pacientes seguem hospitalizados na cidade com síndromes respiratórias – e a causa ainda está sendo investigada.

Platô elevado

“A interiorização ocorre pela flexibilização das medidas restritivas, mas também porque as pessoas não fazem o isolamento social e negligenciam o uso de máscaras”, aponta o professor Geraldo da Cunha Cury, do Departamento de Medicina Preventiva e Social, coordenador da disciplina Internato em Saúde Coletiva, da Faculdade de Medicina da UFMG.

Para ele, o número de pessoas com a doença em todo o estado é muito maior que os casos registrados pelos boletins oficiais.

“A maioria é de pessoas com muito pouco sintomas ou assintomáticas. A pessoa não sente nada ou sente pouca coisa e não procura o sistema de saúde”, assinala.

Com isso, sem saber que estão com a doença, não permanecem em isolamento domiciliar e podem sair às ruas contaminando mais pessoas.

Temeridade

Portanto, nesta conjuntura de disseminação da doença, principalmente por meio de casos assintomáticos, a reabertura de templos e igrejas é, no mínimo, uma temeridade por parte as autoridades municipais de saúde, padres e pastores, mesmo com as medidas restritivas.

Ressalte-se que Itabira não está protegida por uma redoma, embora apresente baixo número de pacientes infectados com sintomas graves. Isso no futuro pode ser explicado cientificamente, quer seja pela imunidade cruzada, ou por outro motivo que a ciência ainda desconhece.

Regionalização

Minas Gerais não teve um pico da doença, que se estabilizou há vários dias em um platô elevado. Com isso, Belo Horizonte já se encontra com mais de 90% de ocupação dos leitos disponíveis para tratar pacientes com a Covid-19 – e já ocorre a procura por atendimento no interior, conforme se verifica em Itabira.

Dos 14 pacientes que estavam internados, nesse domingo (19), para tratamento de Covid-19 no Hospital Nossa Senhora das Dores, cinco eram de outras cidades (Santa Maria com dois pacientes, enquanto São Gonçalo do Rio Abaixo, Itambé e Santa Bárbara respondem pelas outras internações).

Desse total, apenas três pacientes foram diagnosticados com a Covid-19, enquanto um caso foi descartado e os demais seguem em investigação. Já o Hospital Municipal Carlos Chagas (HMCC) não informa o número e a origem dos pacientes internados. Esses dados deveriam ser incluídos no boletim diário da Secretaria Municipal de Saúde.

Nesta conjuntura pandêmica, o encontro dos fiéis com Deus nos templos e igrejas bem que poderia esperar mais um pouco. Afinal, se Ele quer que todos tenham vida e saúde, o melhor a fazer é ficar em casa.

Faça as suas orações em domicílio e ore para que essa pandemia passe rápido, com o menor número possível de vítimas fatais – o que só é possível com os cuidados devidos, que inclui o isolamento social.

Saiba mais

Pelo decreto municipal que autoriza a celebração de missas e cultos presenciais, a reabertura dos templos religiosos deve ocorrer por, no máximo, uma hora para cada culto ou missa.

E o número de pessoas presentes terá de ser limitado a 30 fiéis, mantendo-se o distanciamento mínimo de dois metros entre os presentes.

Será obrigatório aferir a temperatura de quem for participar. Fica vedado o acesso de pessoas do grupo de risco (idosos e pacientes com comorbidades). Bebedouros devem ser retirados e os banheiros fechados.

O descumprimento das regras pode resultar na cassação do alvará de funcionamento.

 

 

 

 

 

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