Itabira é uma das cidades menos arborizadas do país, mas Prefeitura promete reverter esse quadro

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Carlos Cruz

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), Itabira dispõe de apenas 25,2% de suas vias públicas arborizadas. Com isso, a cidade quase não tem sombra e a população sofre com o sol escaldante – e com a poeira que poderia ser em parte contida se mais árvores existissem.

Nas vias urbanas de Itabira quase não há árvores e muitas foram suprimidas pela operação Cidade Limpa. No destaque, viveiros de mudas do Instituto Espinhaço (Fotos: Carlos Cruz)

Em decorrência, a cidade ocupa a 4.980º posição entre os 5.570 municípios brasileiros no ranking dos mais arborizados. Ou seja, somente 581 municípios brasileiros contam com menos árvores no perímetro urbano que Itabira, a cidade que um dia já foi do Mato Dentro (confira aqui https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mg/itabira/panorama).

No estado de Minas Gerais, Itabira está na 752ª posição nesse mesmo ranking de cidades verdes, entre as 853 cidades mineiras. Isso significa que apenas 101 cidades mineiras são menos arborizadas que a terra de Drummond.

E na microrregião, a cidade é a 15ª mais arborizada entre os 18 municípios vizinhos – somente três tem menos árvores no perímetro urbano que Itabira.

Para agravar a situação, no ano passado a Prefeitura “desafetou ” áreas verdes na avenida Mauro Ribeiro, área nobre da cidade – e também no bairro Novo Amazonas. O objetivo foi obter recursos para abrir a avenida Machado de Assis e executar terraplanagem para construção de apartamentos populares.

Prefeitura cortou árvores no talude entre as ruas Paulo Pereira e doutor Guerra

Não bastando esse fato, ainda no ano passado, a então Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, por meio da operação Cidade Limpa, promoveu cortes indiscriminados de árvores por toda a cidade. Esses cortes ocorreram sem laudos técnicos que a legislação exige, inclusive com corte de árvores que por lei são imunes de corte.

Em alguns casos, como nos cortes de árvores no talude entre as ruas Paulo Pereira e doutor Guerra, próximo do cemitério do Cruzeiro, os laudos técnicos só apareceram após a realização das supressões.

A coordenadoria de Meio Ambiente do Ministério Público instaurou um procedimento investigatório, mas decidiu pelo seu arquivamento. Isso mesmo tendo os laudos apresentados, após a realização dos cortes, sido assinados por engenheiro ambiental que, segundo o Crea-MG, não é habilitado para emitir esse tipo de documento.

Mais cortes

Três jacarandás mimosos foram cortados na rua Cassemiro Andrade, bairro Pará

A Prefeitura continua fazendo cortes de árvores por toda a cidade, segundo alega, a pedido de moradores. É certo que essa demanda existe – e em muitos casos pode até mesmo haver necessidade.

Árvores também nascem e morrem, mas o chamado estado fitossanitário só pode ser atestado por engenheiros e técnicos florestais, agrônomos e biólogos.

A maioria das supressões ocorrem sem observar o que dispõe a legislação – e sem que houvesse necessidade. Exemplo disso foi a supressão de três jacarandás mimosos na rua Cassemiro Andrade, no beco entre a rua Ipoema e doutor José de Grisolia, no bairro Pará.

Nenhuma dessas árvores apresentava risco de tombamento, não ameaçavam residências ou pessoas. E são também, por lei, imunes de corte. Teimosas, elas já estão rebrotando, um atestado de que dispunham de ótimo “estado fitossanitário.”

Cidade Viva

Pois bem, para fazer frente a essa triste desvegetação, a Prefeitura anuncia que nos próximos anos essa realidade irá mudar. Para isso, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), acaba de lançar o programa Cidade Viva.

E já nessa segunda-feira (26) deu início ao plantio de 15 mil mudas de espécies nativas em uma área de sete hectares, no Parque Natural Municipal do Intelecto, que inclui a encosta do Pico do Amor.

Mudas sairão do viveiro do Instituto Espinhaço, no Posto Agropecuário

O plantio dessas mudas está sendo executado pelo Instituto Espinhaço, que mantém viveiro de mudas no Posto Agropecuário. Terá também participação de crianças e adolescentes no plantio, como parte de um programa de educação ambiental.

A secretária de Meio Ambiente, Priscila Martins da Costa, está à frente do projeto. “Não é a minha secretaria que autoriza o corte de árvores na cidade. Eu agora só planto”, afirma. A atribuição de definir e executar as supressões de árvores é da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, que se separou do Meio Ambiente.

Priscila Martins da Costa, secretária municipal de Meio Ambiente

Com o projeto Cidade Viva, caso seja efetivamente implantado, Priscila pode assim se redimir das críticas que recebeu pelos cortes indiscriminados, ocorridos com a operação Cidade Limpa, no fim do ano passado, quando ainda a pasta estava sob a sua gestão.

Segundo ela, com o projeto Cidade Viva, por toda cidade serão reparadas áreas atingidas por queimadas, desmate e degradação do solo. O programa prevê, ainda, a substituição de espécies exóticas por árvores nativas.

Comunidade

Na tarefa, a secretária de Meio Ambiente espera envolver a comunidade. Isso é imprescindível até mesmo para que não se repitam os erros ocorridos com o projeto Verde Novo, lançado pela empresa Vale em meados da década de 1980.

Sem contar com a participação da população, que sequer foi ouvida, foram plantadas árvores inadequadas em passeios estreitos, impedindo a passagem de pedestres – e ameaçando as residências.

Incêndio florestal no Pico do Amor

A proposta da Vale era plantar 1 milhão de árvores no perímetro urbano. O objetivo era melhorar a qualidade do ar, reduzindo a poeira em suspensão proveniente das minas.

Mas não deu certo. A própria população, inconformada com o método impositivo empregado, destruiu as mudas – e poucas, quase nada, floresceram. Algumas espécies remanescentes podem ser observadas nos bairros Campestres e Bela Vistas, mas são poucas.

Que esse erro não se repita, para que não se torne mais uma farsa com objetivo meramente propagandístico. E que se cumpra com o objetivo de arborizar a cidade com o projeto Cidade Viva. A população sofre com a poeira e precisa de muito verde em bosques e em futuras praças bem arborizadas, que quase não existem na cidade.

Quem sabe assim a cidade volta ser Itabira do Mato Dentro, melhorando a qualidade do ar carregado de pó de minério que a população respira.

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2 Comentários

  1. Além de ser pouco arborizada, a necessidade de fazer manutenção nas existentes, tais como:
    Poda de limpeza;
    Poda de rejuvenescimento;
    Poda para evitar fiação elétrica e telefônica;
    Poda de Brito ladrão;
    Combate às pragas diversas ( formiga, cupim, largatas, abelha cachorro e outras);
    Tutoramento de mudas jovens;
    Adubação;
    Podas de raízes com problemas e outras intervenções.

  2. Moisés Damião de Souza on

    Eu que moro aqui no Campestre sou privilegiado por essas remanescentes e sempre tomo umas caipirinhas ao som de Doces lundus
    Pra nhonhô sonhar
    À sombra dos oitis, ouvindo Chico e lamentando a grande bancarrota para a qual o povo empurrou o Brasil.

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