Itabira é rica em recursos hídricos

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Da série: Promessas não cumpridas

Reportagem originalmente publicada no jornal Vale Notícias, da mineradora Vale, edição número 48, de agosto de 2004.

“Com vários aquíferos, e mais a água armazenada nas barragens, os recursos são suficientes para a mineração e também para abastecer a cidade no futuro.”

Itabira possui uma reserva considerável de água subterrânea e, por isso, é uma cidade privilegiada. A opinião é do gerente de Geotécnia e Hidrogeologia da Vale, Henry Galbiatti, com base em informações obtidas com pesquisas hidrogeológicas na região.

Segundo ele, a cidade dispõe de dois aquíferos: Cauê e Piracicaba. Os dois estão sob as minas Dois Córregos, Onça, Periquito, Chacrinha e Cauê – e em parte sob a cidade de Itabira.

De acordo com as últimas pesquisas, o aquífero Cauê não apresenta estreita comunicação com o aquífero Piracicaba, o que explica o fato de o rebaixamento do nível da água subterrânea nas minas não ter afetado, por exemplo, a vazão de alguns poços no aquífero Piracicaba. “O permanente monitoramento das águas superficiais confirma essa situação”, sustenta Galbiatti.

Aquífero é uma grande caixa d’água subterrânea, geralmente encontrado a mais de 100 metros de profundidade. A água nele armazenada, proveniente da infiltração das chuvas, não é a mesma que se encontra no lençol freático, quando se constrói uma cisterna.

O aquífero é uma rocha que apresenta porosidade e permeabilidade que permite a infiltração das águas das chuvas e a extração da água reservada.

Geologicamente, aquífero e lençol freático são designações distintas. As águas subterrâneas dos aquíferos são encontradas em grande profundidade, enquanto as águas do lençol freático estão a poucos metros do solo.

Uma cisterna, por exemplo, usada para consumo doméstico, pode ser viabilizada na região de Itabira a menos de dez metros de profundidade.

Aquíferos

Publicação no jornal Vale Notícias (house-organ da mineradora Vale) informa que, após a exaustão das minas, as águas dos aquíferos se tornariam o grande legado da mineração para o desenvolvimento sustentável de Itabira. Hoje já não se fala mais nisso (Fotos: Carlos Cruz e jornal Vale Notícias)

“Na formação ferrífera de Itabira é grande a dificuldade para minerar por causa das águas subterrâneas, que precisam ser rebaixadas. Sem isso, a mina ficaria submersa num grande lago”, ressalta o supervisor da Gerência de Infraestrutura de Minas, Marco Antônio Pinto Magalhães.

Por outro lado, é justamente essa grande quantidade de água que dá sustentabilidade ao processo de beneficiamento de minério nas plantas de concentração.

“Em Itabira nunca vai faltar água para a continuidade da mineração. Nosso grande desafio será descobrir alternativas futuras para depositar o estéril das minas e o rejeito das usinas”, diz Galbiatti.

“As alternativas existem, mas precisam ser estudadas sob o ponto de vista econômico e ambiental”, adianta.

Aquíferos são reservas estratégicas

Aquífero artificial na barragem do Pontal: água para a futura demanda industrial com a diversificação econômica

As águas dos aquíferos, de acordo com Henry Galbiatti, são reservas estratégicas para Itabira. No futuro, com a exaustão das minas, o nível original dos aquíferos será restabelecido, assim que o bombeamento for paralisado. “Com o tempo, o nível original desses aquíferos serão recuperados com as águas das chuvas”, explica.

Em Itabira chove, em média, 1.500 milímetros por ano. Isso significa que chove, anualmente, uma caixa d´água de 1.500 litros por metro quadrado. “É muita água”, diz Galbiatti. Parte dessa água fica retida nos aquíferos, outra parte evapora e o restante segue pelos cursos d’água, que são os córregos e rios.

Um aspecto interessante, sob o ponto de vista da mineração, salienta Galbiatti, é que está sendo criado um aquífero artificial nas barragens do Pontal e Itabiruçu. Segundo ele, a explicação é simples: o rejeito tem grande porosidade e permeabilidade que se assemelha a um aquífero natural.

Portanto, nessas barragens é acumulada grande quantidade de água subterrânea. Estudos já realizados e a análise da água mostram semelhança com a que é encontrada no aquífero Cauê.

O gerente da Vale diz que, no futuro, essa água das barragens pode ser usada para consumo urbano e industrial. “Isso é um importante diferencial da cidade pela abundância de recursos hídricos que possui”, afirma.

Na barragem do Pontal, por exemplo, até a sua utilização final com a finalidade de conter rejeito e armazenar água, serão depositados 200 milhões de metros cúbicos. Desse total, pelo menos 10% serão de água aproveitável. Isso fará do Pontal um imenso reservatório com 20 milhões de metros cúbicos de água.

Qualidade

De acordo com o gerente da Vale, as águas bombeadas pelo rebaixamento das minas ficam, em sua grande maioria, estocadas nas barragens. “Poucas cidades do mundo dispõem de reservas estratégicas de água como Itabira”, destaca Galbiatti.

As águas das barragens são de boa qualidade e podem ser empregadas, inclusive, para o consumo humano, após passar por um sistema simplificado de tratamento.

No beneficiamento do minério só é empregado hidróxido de sódio (soda caustica) que é diluído num grande volume de água ficando inerte, além de fubá de milho, ou de mandioca. O tratamento de minério de ferro não é à base de produtos químicos.

Rebaixamento não afeta poço da Água Santa

Poço da Água Santa não foi afetado pelo rebaixamento do aquífero Cauê

Os padrões químicos da água do poço da Água Santa, ao lado da estação rodoviária, não são semelhantes aos encontrados na formação ferrífera que é rebaixada pela mineração.

“São águas que não têm as mesmas origens e não são provenientes do mesmo local”, assegura o gerente de Geotécnia e Hidrogeologia da Vale, Henry Galbiatti.

Segundo ele, a água do poço certamente vem de fontes mais profundas. A afirmação tem por base a diferença existente entre os padrões químicos dessas águas e as respectivas temperaturas diferenciadas.

É o que explica o fato de a vazão do poço da Água Santa não ter sido diminuída com o rebaixamento do aquífero Cauê.

 

 

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