Itabira celebra, no fim do mês, Drummond e os 90 anos de lançamento do poema No Meio do Caminho

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Tendo como uma das boas atrações o lançamento do livro Maquinação do Mundo: Drummond e a Mineração, do compositor, pianista, professor de literatura e jornalista José Miguel Wisnik (leia aqui e aqui), na segunda-feira (29), às 19h, no teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), Itabira celebra os 116 anos do nascimento de seu filho mais ilustre e os 90 anos da publicação do poema No Meio do Caminho, na 17ª Semana Drummondiana e no 2º Festival Drummond, que acontecem entre os dias 24 e 31 de outubro.

Retrato do poeta quando jovem, na formatura no curso de Farmácia (Fotos: acervo de O Cometa)

A publicação do polêmico poema No Meio do Caminho, em 1928, tornou conhecido o poeta itabirano como um dos expoentes do Modernismo, movimento estético literário antropofágico cultural – uma corrente vanguardista da cultura brasileira, liderada pelos escritores Oswald de Andrade (1890-1954) e Mário de Andrade (1823/1945), e pela artista plástica Tarsila do Amaral (1886-1973), entre outros expoentes.

Uma das características do movimento modernista é a aproximação da linguagem escrita com a falada, com liberdade de estilo. Drummond não participou da fase inicial do movimento, mas ganhou expressão como escritor modernista com o lançamento do poema No meio do Caminho.

O vate itabirano, ainda jovem, teve o seu poema publicado na capa da Revista de Antropofagia, editada para ser porta-voz do movimento, lançada na capital paulista, por ocasião da Semana de Arte Moderna, realizada nos dias 11 a 18 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo.

O poema No Meio do Caminho provocou polêmicas antológicas por ocasião de seu lançamento – e que repercutem até os dias atuais. Com versos repetitivos e provocativos (“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”), trata-se de um marco na literatura brasileira.

Programação

Da esquerda para a direita: Pedro Nava, Alphonsus de Guimarães, Drummond e Cyro dos Anjos

Na programação de arte e poesia, haverá ainda espaço para a música como expressão também do modernismo.

Embora ainda esteja distante o dia em que a massa irá enfim consumir o “biscoito fino” de Drummond, de Oswald de Andrade e dos outros modernistas, a semana de cultura em Itabira é uma tentativa de popularizar o poeta itabirano e a sua obra, além de homenageá-lo.

“A massa ainda irá consumir o biscoito fino que fabrico”, chegou a sonhar Oswald de Andrade, no início do século passado, o que ainda, passado tanto tempo, permanece distante de se realizar, principalmente com a profusão da arte massificada pela indústria cultural.

Na agenda da celebração do nascimento do poeta gauche itabirano, que chegou a ser filiado, por pouco tempo, ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o público poderá participar de oficinas e cursos de literatura, com mesas-redondas, palestras, teatro, lançamento de livros e bons shows musicais, além de exposições.

Abertura

A abertura oficial será na quinta-feira (25), às 18h30, no foyer do Centro Cultural, com a Exposição Internacional de Arte Postal, que tem como tema o poema No meio do Caminho. Mas antes, na quarta-feira (24), às 18h, no Memorial Carlos Drummond de Andrade, haverá o lançamento do livro Essa Substância Chamada Infinito, do bom escritor monlevadense Wir Caetano.

Ilustração: Genin

Outra atração da Semana Drummondiana será o lançamento do livro Canto Mineral, com poemas de Drummond e ilustrações de Carlos Bracher. O artista plástico terá também uma mostra de seus quadros exposta na Galeria Literária.

A programação prossegue com uma agenda que promete bons debates em torno da vida e obra do poeta maior brasileiro, embora Drummond sempre tenha rejeitado esse adjetivo. “Eu não sou poeta maior. Alguém já mediu? Não gosto desse rótulo”, disse ele, em entrevista à professora de literatura Letícia Malard, da UFMG.

Além de José Miguel Wisnik, que também fará show no teatro do centro cultural, a Cidadezinha Qualquer irá receber outros nomes importantes da literatura brasileira, como Fernando Armando Ribeiro, Antônio Cícero, Afonso Borges, Ricardo Pereira, Arlete de Falco, com participação também do sempre presente escritor e jornalista Edmilson Caminha.

A programação, diferentemente do que ocorreu no evento do ano passado, não se prendeu a nomes “globais” consagrados pela Vênus Platinada do Jardim Botânico. Inclui também shows musicais com Cláudio Venturini e Telo Borges, Chico Amaral, Clíver Honorato, coral da FCCDA, projeto Meninar e os sempre eternos e ótimos Demônios da Garoa.

No teatro, destaque para os espetáculos Havemos de Amanhecer, de João Lorenzo e Companhia Espaço Mágico. Outras atrações serão as peças O Pequeno Príncipe de Papel, do Grupo Girino; e Precisamos Falar de Amor sem Falar Eu Te Amo, com Bruno Lopes e Priscila Fantin.

Confira a programação completa nos sites www.itabira.mg.gov.br ou www.fccda.com.br.

 

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