HNSD dispõe de 30 respiradores mecânicos e disponibilidade no HMCC não é divulgada. Podem ser insuficientes para os casos crônicos

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Mesmo com a Prefeitura de Itabira informando que irá instalar, em abril, mais 114 leitos exclusivos para atender pacientes com sintomas agudos de coronavírus (Covid-19), a infraestrutura hospitalar do município pode não ser suficiente para atender à população local e da região. Isso no caso de a pandemia se alastrar com força nos próximos dias, conforme está previsto pelo Ministério de Saúde.

O investimento do município na ampliação do número de leitos e ampliação das unidades de saúde é de R$ 7 milhões. Esses novos leitos se somarão aos 34 já disponíveis, distribuídos  entre o Hospital Municipal Carlos Chagas (HMCC) e o Nossa Senhora das Dores (HNSD).

No total, a cidade irá dispor de 148 leitos específicos para o tratamento de pacientes infectados – e que tiverem os seus quadros clínicos agravados pela doença. .

O quadro pode se agravar ainda mais se o HMCC, que é referência também para a Gerência Regional de Saúde (GRS-Itabira), ter de atender os casos graves da macrorregião abrangida, com mais de 500 mil habitantes.  Leia mais aqui.

Se isso ocorrer, o número de leitos nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) disponível nos dois hospitais pode também ser insuficiente. Conforme foi anunciado pelo prefeito Ronaldo Magalhães (PTB), serão disponibilizados 34 leitos para o atendimento nas UTIs.

Desses, 20 já estão disponíveis no HNSD, que atende 60% SUS – e o restante é para atender pacientes da saúde suplementar (particulares e planos de saúde).

Respiradores mecânicos

Unidades de Tratamento Intensivo foram ampliadas nos dois hospitais de Itabira, mas número de respiradores mecânicos podem ser insuficientes

Além disso, outro agravante pode vir a ser a pequena disponibilidade de respiradores mecânicos (artificiais), que são imprescindíveis para manter o paciente vivo no caso de insuficiência respiratória grave. O HNSD conta com 30 ventiladores mecânicos.

Já no HMCC esse número não é divulgado. A alegação apresentada pela assessoria de imprensa da Prefeitura, com base em recomendação da secretária municipal de Saúde, e que não tem cabimento, é de que a divulgação irá “confundir a população com relação ao número de leitos nas UTIs”.

O aumento do número de respiradores é tão importante quanto à ampliação da disponibilidade de leitos para o tratamento intensivo. Segundo projeção das autoridades médicas, 15% das pessoas infectadas pelo coronavírus terão de ser internadas – e uma grande número desses pacientes podem necessitar do auxilio de aparelhos respiratórios artificiais.

A falta desses aparelhos é problema grave em todo o país. Além de ter um custo elevado (cerca de R$ 140 mil), esses aparelhos não estão sendo encontrados no mercado, em decorrência da grande procura.

É assim que se faz necessário buscar apoio financeiro e logístico de grandes empresas, como a mineradora Vale, para importar esses aparelhos da China.

A mineradora tem um grande contingente de empregados diretos e indiretos na cidade. São cerca de 8 mil trabalhadores, fora os seus dependentes – e sem contar os que trabalham na região.

Ala própria

Para o atendimento aos casos agudos de contaminação pelo coronavírus, o HNSD passa a contar com uma única estrutura, instalada no terceiro andar do hospital – e que já está isolada, contando com equipe clínica e de atendimento própria.

Para viabilizar esse atendimento exclusivo, foi feita uma readequação de sua infraestrutura, informa o diretor executivo do hospital, Alexandre Coelho.

Mas mesmo assim, diz o diretor executivo, o HNSD conta com limitação de espaço. “No caso de não conseguir atender algum paciente, ele será encaminhado para a nossa referência de saúde em Belo Horizonte.”

Para que isso não ocorra, o diretor do hospital ressalta a importância de quem ainda não estiver contaminado pelo vírus manter o distanciamento social, assim como o isolamento familiar para quem estiver infectado.

“É para evitar que o vírus se alastre”, ele reforça o que está determinado nos decretos do prefeito de Itabira e do governador de Minas Gerais. “Que a população fique em casa e nos ajude nessa batalha.”

 

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