Festival encerra nesta terça-feira celebrando o nascimento do poeta

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São Pedro colaborou e a bem-vinda chuva deu uma trégua no sábado à noite (28/10), o que permitiu a participação de mais de 2 mil pessoas no show de Marcus Viana, na abertura do Festival Drummond, na 16ª Semana Drummondiana, instituída para celebrar o nascimento do filho mais ilustre de Itabira, nascido em 31 de outubro de 1902.

Martha Mouzinho e autoridades na abertura do Festival Drummond: promessa de continuidade (Fotos: Marcos Borges e Carlos Cruz)

Um pouco antes, a escritora itabirana Sheila Paiva e os jornalistas Fabiana Schimitz e Alberto Villas fizeram palestras. E as autoridades municipais falaram sobre a importância do poeta como escritor e também como itabirano famoso, que atrai turistas e contribui para o desenvolvimento do segmento cultural e artístico da cidade.

A escritora itabirana Sheila Paiva falou da visita que fez a Carlos Drummond de Andrade

“Carlos Drummond deixou um legado que é cada dia mais valorizado e inspira literatos, jornalistas, estudantes, artistas de todas as artes”, disse na abertura a superintendente da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), Martha Mousinho, para quem esse é o primeiro festival em homenagem ao poeta e que por isso procura abrigar as diferentes formas de manifestação artística. “Este festival foi pensado como um “guarda-chuva, com mostras de artesanato, da música, das declamações. E esperamos que seja perene.”

A superintendente citou a escritora itabirana Sheila Paiva, quando descreveu um encontro com Mia Couto (pseudônimo de António Emílio Leite Couto), ocasião em que o escritor moçambicano disse considerar Drummond um poeta maior que o português Fernando Pessoa. A escritora participou do primeiro dia do festival, quando fez palestra e lançou o seu último livro Palavra por palavra, pela Editora Quarup.

Os Drummonzinhos já estão na adolescência: 15 anos

“A gente não está aqui para discutir quem é o maior poeta, mas para fazer uma reverência ao trabalho e à obra de Drummond. E para dizer que devemos cada vez mais respirar, recitar e divulgar a sua obra Quanto mais os itabiranos conhecerem a sua poesia, mais o amarão.”

Turismo

Já o secretário Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Inovação e Turismo (SMDECTIT). José Don Carlos Alves dos Santos, citou o verso “uma rua começa em Itabira e vai dar em meu coração”, como tema do festival, simbolizando o que o poeta sentia por Itabira.

Daniel Pantoja, Romário Araújo e Rafael “Formiga” abriram a agenda musical

“Drummond é uma joia que temos. Que a primeira edição do festival seja uma semente para construir um dos melhores festivais de literatura do país e assim nos ajudar a sair de uma economia muito dependente da mineração”, projetou, torcendo para que o turismo cultural possa ser um dos pilares da diversificação da economia local, uma das estratégias a ser desenvolvida pela  sua secretaria.

Clube do Choro com Acir Araújo teve participação de dois itabiranos “chorões”: Silvio Carlos e Geraldinho Alvarenga

O prefeito Ronaldo Magalhães (PTB) falou pouco, mas também exaltou a importância do filho mais ilustre, do interesse que desperta em muitos brasileiros. Com o legado de Drummond, Magalhães também espera atrair turistas à Cidadezinha Qualquer, que nos últimos dias anda cortando árvores indiscriminadamente.

Trata-se de uma mal gerida e perigosa política de “higienização vegetal”, contrariando os versos do poeta que descreveu a cidade como tendo “casas entre bananeiras/mulheres entre laranjeiras/pomar amor cantar”.

Marcos Borges com Ivan Correia e Augusto Rennó: tietagem

Transferência

De acordo com o prefeito, Itabira não dispõe de uma previsão correta para o fim da mineração, que está próxima. Mas sabe que o turismo, pode se tornar uma das alternativas viáveis para o município se desenvolver com outras bases de sustentação. “Drummond foi, é e será sempre importante para o desenvolvimento de Itabira”, repetiu o prefeito um chavão que começa a ficar repetitivo e ainda com pouco resultado.

Como no passado, quando o poeta ainda era vivo, o itabirano continua esperando um “salvador” para resolver o seu impasse econômico diante do fim da mineração. Drummond, em várias ocasiões, afirmou que não se presta a esse papel, que deve ser cobrado dos políticos que nada, ou muito pouco fazem para mudar esse quadro. Mas ele, o poeta, nunca deixou de lutar pelos direitos de Itabira (leia aqui).

Rivotrio cantou Raul Seixas e outros rocks

Que o seu legado seja pois de luta por uma Itabira melhor para todos – e não apenas de exaltação do menino antigo que aqui viveu no tempo em que a cidade ainda se chamava Itabira do Mato Dentro.

O Festival Drummond prossegue hoje e encerra amanhã, data de nascimento do poeta Carlos Drummond de Andrade. Confira abaixo as atrações:

Programação

30 DE outubro – Segunda-feira

09:00- Oficinas – Francisco Gregório – Ler e contar, contar e ler (Educação para educadores, artistas, contadores de histórias, estudantes de pedagogia, psicologia etc)
10:00 – Bate-papo – Elizete Lisboa
14:00 – Oficinas – Têlo Oliveira: Desenhos em Quadrinhos – Musicalização Infantil
16:00 – Lançamento Livro – Marco Túlio
17:00 – Oficinas – Têlo Oliveira: Desenhos em Quadrinhos – Musicalização Infantil
17:30 – Palestra – Nitro: Mães do Cárcere
19:00 – Palestra – Braulio Bessa
21:00 – Show – Katumbi

31 de outubro – Terça-feira

09:00 – Oficinas – Têlo Oliveira: Desenhos em Quadrinhos – Musicalização Infantil
12:00 – Oficinas – Têlo Oliveira: Desenhos em Quadrinhos – Musicalização Infantil
17:00 – Palestra – Ronaldo Simões
18:00 – Premiação – Premiação do Concurso Nacional de Poesia Carlos Drummond de Andrade
19:00 – Palestra – Angelo Oswaldo de Araújo Santos
21:00 – Show – Danuza Menezes e Pandeiro Mineiro

 

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