Exposição da arte de Genin segue até agosto no Centro Cultural

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Aberta no sábado (15/07), prossegue até o dia 29 de agosto a exposição “SOLO – Álbuns das Glorias Musicais”, do cartunista, caricaturista e escultor itabirano, Luiz Eugênio Quintão Guerra, o Genin.

Exposição mostra a novaarte de Genin: peças em cerâmica, esculpidas em baixo relevo (Fotos Carlos Cruz)

São 31 peças em cerâmica, esculpidas em baixo relevo e retratando com humor e leveza alguns dos principais cantores e compositores brasileiros, entre eles, Pixinguinha, Roberto Carlos, Rita Lee, Elomar e tantos outros e outras intérpretes de nossa MPB.

Para que fosse criado um clima próximo daquele que inspirou o artista na confecção de suas obras de arte, a abertura da exposição teve show da percussionista mineira Danuza Menezes e do grupo Pandeiro Mineiro.

Show da percussionista mineira Danuza Menezes e do grupo Pandeiro Mineiro.

Ritmos como o samba, o coco, o baião, o maracatu e o congado misturaram-se com pitadas de música pop, ajudando a criar a atmosfera de arte e deslumbramento do público presente diante da genialidade desse artista itabirano que todos, com raríssimas exceções, o admiram como pessoa e artista.

A exposição faz parte da programação do 43° Festival de Inverno de Itabira, uma realização da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e Prefeitura de Itabira, com patrocínio da Vale.

“A nossa intenção foi expor o trabalho de um grande artista itabirano, que tem tudo a ver com o tema do festival de raízes. Genin foi a escolha acertada e que engrandece o festival”, festejou a superintendente da FCCDA, Martha Mousinho.

Escolhas

Conforme conta o artista, não foi fácil definir quais os mestres da música seriam trabalhados para integrar a exposição. “De uma lista interminável, pontuei alguns mestres que fizeram e fazem um trabalho de inquestionável qualidade, variedade e originalidade musical. E, principalmente, por sua profunda brasilidade.”

Genin conta que a sua inspiração para o trabalho artístico surgiu ao ver as esculturas caricaturais do francês Honoré Daumier (1808-1879), no Museu d’Orsay, em Paris. E, posteriormente, inspirou-se também no livro Álbum das Glórias, do também ceramista e caricaturista português Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905).

De volta ao Brasil, em 2000, sem grandes pretensões, teve início o seu trabalho como escultor, inicialmente confeccionando pequenas peças em durepox, partindo posteriormente para confeccionar esculturas em bronze.

“Há seis anos, com orientação das ceramistas Erli Fantini e Carmelita Andrade, comecei esta série em baixo relevo”, diz ele, revelando detalhes de como foi desenvolvido esse seu novo viés artístico, agora exposto no foyer do Centro Cultural da Fundação Carlos Drummond de Andrade.

“Reuni na exposição duas paixões, a escultura e a música, uma das artes mais inspiradoras para mim, apesar de eu não saber tocar um instrumento musical”, revela.

Revelação

Genin foi revelado como desenhista, caricaturista e chargista pelo jornal O Cometa Itabirano, do qual foi um dos fundadores, em 1979. Desde então, como um ilustrador do cotidiano, reportou em seus desenhos o fim da ditadura, a campanha pelas Diretas Já.

E, sobretudo, caricaturou o poeta Carlos Drummond de Andrade, que manifestou a sua admiração pelo artista. Isso ocorreu por ocasião da visita da turma do Cometa ao poeta no Rio. Depois de cumprimentar a todos, Drummond lamentou a ausência do artista, elogiando o seu traço e humor nas caricaturas e charges.

Esculturas

As suas obras artísticas podem ser apreciadas em Itabira também com as esculturas do Menino Antigo, no triciclo na Fazenda da Pontal, com o poeta sentado sobre a pedra no caminho, em frente ao Centro Cultural, e com a escultura de Carlos Drummond de Andrade observando a montanha pulverizada, as perdas incomparáveis na serra do Esmeril, no Memorial Drummond, no Pico do Amor.

Escultura do Menino Antigo, na Fazenda do Pontal

Além dessas peças artísticas que marcam a vida do poeta em sua terra natal, são também de sua autoria a escultura do cantor e compositor Newton Baiandeira, na praça Acrísio de Alvarenga, além dos bustos do poeta em frente à Câmara Municipal e do bispo dom Mário Gurgel, em frente à Secretaria de Ação Social. São todas essas esculturas reconhecidas como obras de arte essenciais para entender o poeta e a sua relação com a cidade natal.

Márcio Sampaio, por exemplo, seu professor na escola de Belas Artes, da Universidade Federal de Minas Gerais, em depoimento ao documentário sobre o artista, produzido pelo fotógrafo e videomaker Marcelo Rosa, recorda do ex-aluno com carinho.

“Na escola de Belas Artes, Genin foi meu aluno de desenho. Naquele tempo ele já não tinha muito o que aprender comigo, já era desenhista, chargista, já tinha uma carreira reconhecida. Ele já era um ilustrador bem maduro para a idade dele, fazendo coisas excepcionais. Hoje a gente vê como ele está alinhado com os melhores desenhistas de humor brasileiros.”

Um artista da caricatura, segundo Erli Fantini, sua mestra em cerâmica

“Desde muitos anos, Genin é um artista da caricatura. Na construção de sua trajetória, trouxe consigo duas coisas: seu traço e o humor. E, já diziam os mestres, é o desenho a base para todos os outros ramos das artes plásticas. Assim, depois de uma longa carreira de desenho de caricaturas, começou a fazer cerâmica.

Genin evidencia, em sua obra, a carga poética e lírica dos músicos que retrata. Seu trabalho é muito bem estruturado; os detalhes nos levam a reconhecer os personagens de imediato, sem perder contudo o lado do humorista, essencial ao trabalho do cartunista, e seguindo a verve de outros escultores como Daumier e Bordalo.

Da mesma forma que desenvolveu a técnica do desenho, encontrou na argila uma aliada e, com isso, criou elementos que foram dando força e valorizando a história de seus personagens.

Deu vida a seu trabalho usando relevos, às vezes as cores, determinando assim a magia de sua criação.”

 

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4 Comentários

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