Expedição rio Piracicaba coleta mostras de água com micros poluentes que não são eliminados por sistemas convencionais de tratamento

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Concluída no Dia Mundial do Meio Ambiente (5), a Expedição Piracicaba – Pela Vida do Rio, parceria do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba (CBH-Piracicaba) com instituições de ensino, dentre elas, a Universidade Federal de Itajubá (Unifei), campus de Itabira, realizou uma ampla amostragem das condições ambientais dessa importante micro bacia hidrográfica que compõe a bacia do rio Doce.

Uma das preocupações da expedição foi com os chamados micros poluentes emergentes – e que ainda não foram devidamente estudados com os seus respetivos impactos ambientais e implicações à vida humana.

Diego Souza Lima coordenou a equipe de pesquisadores de micros poluentes (Fotos: Carlos Cruz e Divulgação)

São os resíduos de medicamentos (antibióticos, anti-inflamatórios), cosméticos, embalagens plásticas – e que, lançados no rio, poluem toda a bacia, contaminando a população e os animais que fazem uso de suas águas.

“Escolhemos 13 micros contaminantes emergentes que são fartamente utilizados pela população”, explicou o engenheiro ambiental Diego Souza Lima, que coordenou a equipe que fez a coleta de amostras da água para essa finalidade.

Conforme ele explicou, o tratamento convencional de água realizado no país, pelos padrões vigentes de potabilidade, não consegue isolar esses contaminantes.

“Estamos consumindo água tratada dentro dos padrões de potabilidade, de acordo com o que preconiza o Ministério da Saúde, mas que contém esses micros poluentes”, afirmou.

Ainda de acordo com ele, estudos realizados em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, têm demonstrado que a presença desses micros poluentes podem acarretar graves danos à saúde humana e ao meio ambiente.

“A legislação brasileira não determina a remoção desses micros poluentes. Vamos coletar resíduos desses contaminantes para avaliar a presença no rio, além de investigar as fontes de lançamentos e propor novos sistemas de tratamento que possam remover esses poluentes”, adiantou o pesquisador.

Primeira expedição ocorreu em 1999 e resultados serão confrontados

Trecho do rio Piracicaba em Antônio Dias: assoreamento do leito é uma das preocupações entre tantas outras 

Essa foi a segunda expedição ocorrida ao longo do rio Piracicaba – a primeira ocorreu em 1999, sob a liderança do ambientalista Cláudio Guerra. “Foi uma experiência fantástica, fiquei surpreendido com a beleza que existe muito perto de nós e vi muita degradação também”, testemunhou o engenheiro aposentado do Saae, Dartson Fonseca, na passagem da expedição por Itabira, no dia 30 de maio.

O rio Piracicaba não corre por Itabira, mas tem no rio de Peixe, que nasce no município, um de seus importantes afluentes. O objetivo da expedição foi fazer um diagnóstico ambiental das condições do rio – e propor soluções para o curto, médio e longo prazo.

A expedição passou por dez cidades. Percorreu uma distância de 241 quilômetros. Partiu da nascente, a 1.680 metros de altitude, na serra do Caraça, no distrito ouro-pretano de São Bartolomeu, até a foz em Ipatinga, no Vale do Aço, onde se encontra com o rio Doce.

A bacia tem 5.600 quilômetros quadrados de área e passa por uma região de mineração, siderurgia e agropecuária. “Vamos apresentar um diagnóstico das condições encontradas e propor soluções com participação de empresas, prefeituras e instituições de ensino”, adiantou o coordenador da expedição, o jornalista Geraldo Magela Gonçalves.

Segundo ele, a expectativa é também obter uma maior integração entre os municípios para equacionar os problemas encontrados, com propostas de medidas urgentes para despoluir o rio.

O rio Piracicaba chega à sua foz, em Ipatinga, com vazão maior que a do Doce. São 113 metros cúbicos por segundo, enquanto naquele ponto, a macro o rio Doce se encontra com vazão de 58 metros cúbicos por segundo.

Os parâmetros levantados na expedição de agora serão confrontados com os que foram observados na expedição de 1999.

Os resultados serão apresentados por meio de documentários, exposições fotográficas. Será também editado livro-relatório sobre a expedição, com as conclusões obtidas a partir das diferentes pesquisas realizadas pelas equipes técnicas.

Rio de Peixe também está sendo pesquisado

José Augusto, professor da Unifei, coordena pesquisas da qualidade da água

Pesquisadores da Unifei, sob a coordenação do geólogo e professor José Augusto Costa Gonçalves, estão, há algum tempo desenvolvendo pesquisas na bacia do rio de Peixe (córrego São José, Santa Cruz, Cachoeira), afluente do Piracicaba.

O rio de Peixe nasce em Itabira e deságua no Piracicaba, em Nova Era.

Até o fim do ano, a equipe de pesquisadores promete apresentar diagnóstico com soluções para melhorar as condições ambientais do rio, que sofre forte impacto da mineração – e também da agropecuária.

“O estudo envolve vários aspectos e o diagnóstico contempla uma série de circunstâncias da bacia. O resultado final será encaminhado às autoridades, propondo soluções para despoluir o rio”, prometeu o professor da Unifei.

 

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