Ex-jogador do Valério e artista plástico, Oliver agora está colorindo o céu

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Morreu no domingo (22/10), em Belo Horizonte, aos 77 anos, José Geraldo Oliver, ex-jogador de futebol do Valério na década de 1960 e consagrado artista plástico, mineiro de Barão de Cocais. Em Itabira, casou-se com Maria Lúcia Lopes Oliver, com quem teve dois filhos: Gilles e Yves.

José Geraldo Oliver, artista plástico, falecido recentemente (Fotos: acervo da família)

Como atleta, José Geraldo começou jogando futebol no Metalusina, em sua terra natal. Depois de passar pelo Valério, foi jogar no Atlético mineiro, no início da década de 1970, onde encerrou a carreira depois lesionar gravemente o tornozelo.

Mas Oliver se consagrou mesmo foi como artista plástico, arte que começou a se dedicar profissionalmente com mais afinco no início da década de 1970, quando se mudou com a família para Belo Horizonte. No início da carreira artística, vendia quadros na “feira hippie” da praça da Liberdade.

Em entrevista a um jornal da capital mineira, ele contou que vendeu os quadros no mesmo dia. “Descobri aí a minha profissão e passei a desenvolver o dom que estava adormecido. Não parei mais de pintar.”

Após cinco anos vendendo seus quadros na praça da Liberdade, e já com muitas de suas obras espalhadas pelo país e no exterior, o artista plástico começou a expor a sua arte em São Paulo, Goiânia, Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife.Foram dezenas de exposições individuais e coletivas realizadas em quase todas as capitais do país – e também em Nova Iorque e Nova Jersey, nos Estados Unidos.

No Valério com Da Cruz e Bichara. Oliver é o agachado, à direita

Autodidata, o artista começou a desenhar ainda criança, quando ficava de castigo ao lado da máquina de costura da avó. “Para passar o tempo, ficava desenhando”, contou.

Já adulto, no setor de desenho do Departamento de Segurança do Trabalho, na Usiminas, onde trabalhou antes de vir jogar futebol em Itabira, desenhava cartazes para campanhas educativas. “Incentivava os operários a usar os equipamentos de segurança para evitar acidentes”, contou.

As mulheres de Oliver

As suas primeiras telas tiveram como tema o casario das cidades históricas de Minas Gerais.

Porém, com o tempo passou a se destacar com as suas obras focadas na pintura da figura feminina. Foram centenas de mulheres retratadas – mulheres alegres, tristes, sonhadoras, de todas as formas e tons.

O sucesso de seus quadros chamou a atenção do jornalista e escritor Roberto Drummond (1933/2002), que escreveu: “Ah! Eu quero amar as Mulheres de Oliver/Quero tirá-las dos quadros, sair com elas passeando de mãos dadas/Quero repartir com elas a maçã do amor.”

Sobre a perda desse grande artista mineiro, assim se expressou a sua mulher Lucinha, itabirana de Nova Era:

“Hoje ele se foi definitivamente. Seguiu deixando seu sorriso sedutor e levou consigo suas telas, suas tintas e seus pincéis. Foi colorir o céu!

O mestre das cores se foi! Para nós imprimiu sua grande marca, que se baseava na dignidade humana, sua filosofia de eterna compreensão, sua palavra de profundo amor à família e a aqueles amigos que partilharam sua grandeza. Hoje eu agradeço por fazer parte da grande riqueza que foi sua vida!”

 

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