Em site oficial, Saúde erra ao informar que pacientes sem sintomas não transmitem Covid-19

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Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news

Em tempos de informações falsas sobre a Covid-19, uma página do Ministério da Saúde erra ao informar que casos assintomáticos da doença, causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), não são contagiosos.

Em uma parte do site que reúne informações gerais sobre o vírus, o ministério afirma que “casos assintomáticos não são contagiosos”, ou seja, que pessoas infectadas que não apresentam sintomas também não transmitem a Covid-19. Entretanto, isso não é verdade.

Em seu site, a Organização Mundial da Saúde (OMS) comunica que é possível um paciente assintomático transmitir o vírus para outra pessoa. Como a principal forma de transmissão são gotículas de saliva expelidas por pessoas contaminadas, o risco de contágio de uma pessoa completamente assintomática é consideravelmente mais baixo do que de uma pessoa que já desenvolveu os sintomas. Porém, pessoas com sintomas leves podem não perceber que contraíram a doença. E esses casos são particularmente perigosos.

Divulgado em março, um estudo publicado pela revista Science estimou que dois terços das infecções pelo novo coronavírus são causadas por pacientes assintomáticos ou com sintomas leves.

A pesquisa, feita por cientistas da Escola de Saúde Pública da Universidade Columbia, afirma também que os pacientes que desenvolvem sintomas mais agudos da doença têm duas vezes mais chances de transmiti-la do que aqueles que não são tão afetados ou não apresentam qualquer indício de que tenham contraído a Covid-19.

Porém o número de pacientes que não apresentam sintomas é seis vezes maior do que o dos que chegam a manifestações graves da doença. Por essa razão, eles – os assintomáticos – acabam contaminando mais pessoas, sendo responsáveis pelo alastramento da epidemia.

O coordenador do estudo, o pesquisador Jeffrey Shaman, afirma que a “explosão do número de casos de Covid-19 na China foi amplamente impulsionada por indivíduos com sintomas amenos, limitados ou ausentes, que passaram despercebidos”.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Hospital Sírio-Libanês também destacam que pacientes assintomáticos podem ser fonte de transmissão do vírus. A Fiocruz explica que o período de incubação do novo coronavírus pode variar de dois a 14 dias e, durante essa fase, o infectado pode contaminar outras pessoas.

A instituição lembra a necessidade de lavar frequentemente as mãos e evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal – duas medidas de prevenção que já foram recomendadas por outras autoridades de saúde. O Hospital Sírio Libanês, por sua vez, informa, que os “casos assintomáticos são vetores importantes no contágio do novo coronavírus”.

Procurado, o Ministério da Saúde informou que a página que contém o erro é antiga e que foi criada no início da pandemia. De acordo com o ministério, as informações dela estão desatualizadas. O órgão comunicou ainda que todos os links antigos estão sendo migrados para uma nova página (clique aqui para conferir).

“Nossa equipe do portal irá verificar a página apontada por você e corrigir o hiperlink”, disse o ministério. Nessa nova sessão do site, é possível encontrar uma lista de formas de transmissão que não cita a informação equivocada que aparece na página antiga.

Editado por: Chico Marés, Maurício Moraes e Natália Leal

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