“Em briga de marido e mulher, nós metemos a colher”, diz sargento Tassi, da patrulha de Prevenção da Violência Doméstica

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De acordo com o sargento Anderson Gleisser Barbosa Tassi, da Polícia Militar de Minas Gerais, responsável pela patrulha de Prevenção da Violência Doméstica, em Itabira são acompanhados 85 casos de mulheres vítimas de agressões de seus maridos, companheiros e familiares.

“Eu costumo dizer que o nosso lema é que ‘em briga de marido e mulher, nós metemos a colher”, afirmou, invertendo o ditado popular, que não considera o tema como uma questão social que merece a atenção do Estado e de toda a sociedade.

O sargento Tassi participou da abertura oficial, nessa segunda-feira (25), no fórum Desembargador Drumond, da campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, que desde 2014 acontece na cidade.

“Somos uma peça no mecanismo de prevenção e repressão à violência doméstica. Nosso primeiro objetivo não é prender, mas impedir a continuidade da violência contra a mulher, embora em algumas vezes, temos realizado prisões em flagrante e mesmo preventivas”, acentuou.

Segundo ele, o número atual de acompanhamento desses casos é 20% menor em relação ao ano passado. Para o sargento, essa redução evidencia que o trabalho da rede na defesa da mulher, pela igualde de gênero e pelo fim da violência doméstica, tem apresentado resultados satisfatórios, traduzindo-se na redução dos acompanhamentos de mulheres em situação de risco.

A campanha dos 16 Dias de Ativismo, que em Itabira dura 21 dias, tendo iniciado no dia 20, quando se celebra a Consciência Negra, em homenagem a Zumbi de Palmares, é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas – e ocorre em todos os países membros. Tem por objetivo a conscientização do público para que haja uma convivência harmoniosa e respeitosa dos homens com as mulheres e meninas.

Itabira por Eles

Cibele Mourão, juíza criminal, aposta na reeducação do agressor. No destaque, o sargento Tassi (Fotos: Carlos Cruz)

Outro avanço importante no programa de enfrentamento à violência foi o início, no ano passado, do programa Itabira por Eles, de conscientização do homem agressor, para que possa mudar essa cultura misógina e machista – e que, não raro, resulta na agressão à mulher.

O programa foi lançado em Itabira por iniciativa da juíza da 2ª Vara Criminal e de Execuções Penais, Cibele Mourão Oliveira, para quem a conscientização do homem agressor é um dos caminhos para diminuir a violência contra a mulher.

Pelos números apresentados, desde outubro do ano passado, foi dada entrada na Justiça Criminal de 443 pedidos de medidas protetivas, que resultaram em 158 prisões em flagrante delito, além de 117 condenações.

Foram registrados ainda dois casos de feminicídios, sendo que um dos autores já foi indiciado por meio de inquérito policial, tendo sido preso em flagrante.

No outro caso não houve prisão em decorrência da morte do autor do crime. Mas há outros casos de feminicídios que ainda estão sendo investigados – e que não entraram nessa estatística.

“Sempre defendi a ideia de que os homens devem ser conscientizados para que mudem a cultura que gera a violência contra a mulher”, disse Cibele Mourão, ao reforçar a importância do programa Itabira por eles, que se soma à Conexão Jovem, programa voltado para crianças e adolescentes, com os quais se espera romper o ciclo da violência contra mulheres e meninas.

Indicadores da violência contra a mulher diminuem, mas continuam preocupantes

Público presente no lançamento do programa 16 Dias de Ativismo pelo fim da violência contra a mulher, no fórum Desembargador Drumond

Desde maio deste ano, 101 homens agressores participaram do programa Itabira por Eles. Desses, 17 concluíram o ciclo de 16 encontros, sendo que um decidiu continuar como voluntário do programa. E 26 não compareceram aos encontros – e três homens abandonaram o programa antes de concluir todos os ciclos.

Cibele Mourão citou exemplos de mudanças que demonstram uma conscientização de ex-agressores que mudaram o comportamento e a visão que tinham do relacionamento com as suas parceiras. “São exemplos que indicam que vale a pena investir na conscientização e na mudança dessa cultura agressiva contra as mulheres.”

Medidas protetivas 

Amanda Machado, delegada de polícia vê a necessidade de desenvolver a campanha todos os dias

A delegada Amanda Machado Celestino, que há 5 anos chefia a Delegacia da Mulher, estando à frente dessa campanha contra a violência doméstica, lembrou que o Brasil figura na quinta posição no triste ranking entre os países onde os homens mais agridem as mulheres.

“Para mudar esse quadro, precisamos desenvolver a campanha 365 dias por ano”, propôs. Com indicadores diferentes dos registrados pela Justiça criminal, uma vez que muitos casos ainda se encontram em fase de investigação policial, até novembro de 2018, as delegacias da Mulher e de plantão registram 341 pedidos medidas protetivas.

Do total, 319 casos foram concluídos e encaminhados à Justiça Criminal. Já nos últimos 12 meses, foram registrados 319 pedidos– uma queda de 11,28% quando comparado com o período anterior.

ONU Mulher

A vice-prefeita Dalma Barcelos apresentou um balanço da implantação do programa ONU Mulher em Itabira, que já tem feito treinamentos e capacitação de agentes para atuar no município, também em defesa da vida e da integridade das mulheres.

“Devemos desenvolver programas de empoderamento e de empreendedorismo, como forma de se fazer frente ao desemprego. Para isso, precisamos do apoio de toda a sociedade itabirana”, conclamou.

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