Elas ainda não são maioria, mas já ocupam a presidência e cargos importantes na Acita

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Carlos Cruz

Novos ventos podem estar soprando na Associação Comercial, Industrial de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita), entidade que lançou, na década de 1990, o projeto Itabira 2025, mas que depois deixou de lado o compromisso de cobrar mais da Vale, no sentido de assegurar a sustentabilidade, não da mineração, que essa não é perene e acaba em 2028, mas do município.

Mais do que nunca, a cidade assombra-se com o espectro da exaustão, mas cruza os braços, enquanto a vida passar devagar em Itabira do Mato Dentro. A boa novidade é que a direção da Acita, pela segunda vez, tem uma mulher à frente da presidência, com a posse da empresária Maria Aparecida Albuquerque Bueno, a Cidinha, da Auto Peças Lana.

Priscila em sua posse, em 2005, na presidência da Acita. Na foto em destaque, já são oito mulheres contra dez homens na diretoria da entidade (Fotos: Divulgação)

Ela é a segunda mulher a dirigir a entidade empresarial. A primeira foi a engenheira Priscila Braga Martins da Costa (2005/07). Na vice-presidência foi empossada a também empresária Guida Guedes, da Imobiliária Guedes. A posse foi nessa quinta-feira (30) – e a nova diretoria assume para o biênio 2019/21.

O fato de a entidade ser dirigida por mulheres, em um momento tão crucial da história econômica de Itabira, pode por si não significar nada. Mas é certo que são empresárias modernas e dinâmicas, pode-se dizer.

Quem sabe darão uma dinâmica mais participativa à entidade empresarial. Nos últimos anos, a Acita tem deixado a desejar na defesa até mesmo do segmento empresarial – e também dos interesses difusos do município.

Ausências

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Não se tem notícia, por exemplo, de que a entidade tenha cobrado, pelo menos nos últimos anos, o cumprimento pela Vale da condicionante de nº 51. É a que trata não só de incrementar programas de desenvolvimento de fornecedores, mas que inclui, no bojo de sua ação, o apoio à diversificação da economia local.

Só por ter investido na implantação do campus da Unifei, como fez a Vale, não pode ser considerado suficiente para alavancar a base de uma economia diversificada. Isso mesmo que se desenvolva o propalado, há mais de dez anos, Parque Científico Tecnológico – uma boa ideia do visionário ex-reitor Renato Aquino que até aqui não saiu do papel.

Coral do Combem cantou bonito e deu o tom de esperança por um futuro melhor

Na programação do último Workshop Itabirano de Negócios (WIM), a Acita não promoveu, como se esperava, sequer um debatezinho sobre o anunciado fim do minério para 2028, conforme declarou a Vale aos investidores da bolsa de Nova Iorque. Uma omissão incabível para a conjuntura que o município vive.

Que a Acita, com as mulheres à frente, assuma o papel de vanguarda no encaminhamento das discussões sobre as alternativas de sustentabilidade para economia itabirana após a exaustão do minério de ferro. Que as mulheres à frente façam isso com firmeza, mas sem perder a simpatia e a ternura, jamais.

Pelo seu discurso de posse, parece ser mesmo por essa linha de atuação que pretende pautar a presidente da Acita. “Os desafios (para diversificar a economia) são muitos e resolveremos um por um, com o espírito da coletividade”, discursou a empresária.

“Juntos, com os órgãos públicos e empresas privadas, buscaremos o crescimento e o desenvolvimento de Itabira.” Que das palavras brotem as ações.

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