E se as Diretas Já tomarem conta do país…

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Marcelo Procopio*

A volta da campanha das Diretas Já no último domingo, 28maio2017, já é um marco histórico quando se pensa em mobilização político-social no país. Pela causa, como se dizia nos tempos da ditadura, pela causa. Em Copacabana, Rio, dezenas de milhares de pessoas – não importa se 100 mil ou 150 mil pessoas – foram às ruas num dia nublado, combinando com os tempos pesados em que vivemos no Brasil.

Manifestações pelas Diretas Já crescem por todo o país (Fotos; Mídia Ninja)

Todos, em uníssono. Diretas Já. Mais ForaTemer. E por mais democracia. Pois não há outra saída. Já se sabia quem era Temer, o vice usurpador. Agora tem as provas. Só falta ele pedir para sair. Ou renúncia, ou o TSE derruba a chapa – ou mesmo só Temer – ou o Congresso decide ou povo o tira do poder na pressão.

Foi bonita a festa, pá. Ficamos contentes. Principalmente porque terá continuidade. Neste próximo domingo, quatro de junho, já acontece outra em São Paulo. E espalhando por aí afora.

Organizada por movimentos sociais, sindicais, culturais, ganhou a adesão de muitos artistas brasileiros (enquanto o mundo denuncia a farsa do golpe de maio de 2016).

A participação dos artistas, de forma direta ou indireta é importante.Como em 1984. Nas ruas ou em cima do palco/trio elétrico, gente como, entre muitos, Criolo, Caetano e a bem vinda volta de Milton Nascimento aos gritos de liberdade, democracia e Diretas já. Depois de ter cedido ao tancredismo e, por consequência, ao aecismo, Milton reviu seus conceitos e seguindo a dinâmica do pensamento de Guimarães Rosa, se contradisse. Não há mal, é benfazejo ser incoerente.

Afinal, quem compôs Outubro (com Fernando Brant), palavra que, desde a revolução russa em 1917, virou sinônimo de revolução, estará sempre aonde o povo está. Na canção sua voz se levanta para nos dizer: “vou fazer meu outubro de homem / matar com amor essa dor…”

Esta é longa e sensível história e não deveria estar aqui, assim solta, sem aprofundamento histórico e sociológico. Já escrevi, fica.

O que importa são as eleições Diretas.Mesmo que há menos de dois anos antes do fim de mandato não seja prevista na Constituição. Mas as PECs estão aí para isso. Ainda mais as emergentes.  E o TSE tem recomendado novas eleições fora do prazo, como acontecerá esse ano no Amazonas. E não dá para esse Congresso atual votar indiretamente num novo presidente. Imagina que tipo virá.

O que importa também é que o brasileiro decidiu ir além de 2013. Volta para as ruas, e para o bom combate nas redes internéticas, quer votar por um governo novo e muito, mas muito mesmo, menos corrupto. E que seja popular, como já vimos com bons resultados de redução da pobreza, de mais empregos e salários, de uma perspectiva que abria horizontes reais para o país.

Onde fica Dilma

Espera. Espera aí. Só uma reflexão necessária. E Dilma Rousseff que foi retirada do cargo sem ter cometido pecados ilegais? Ficou comprovado que não teve pedaladas. Ou seja, crime de responsabilidade.

O que fez Dilma sofrer o tal impeachment foi um conjunto de fatores vindo da direita e da velha mídia.

Certo, não se nega os tantos erros cometidos pela presidenta. E suas pirraças idiossincrásicas. Um Congresso, mais que oposição, inimigo, boicotou todo projeto por ela apresentado. Inclusive os de reformas política, tributária, previdenciária, mas que não penalizavam o povo como quer agora as dos Temer e seus asseclas.

Fizeram políticos, empresários e seus patos e a velha mídia um massacre incrível o bastante para derrubá-la. E com isso, derrubar a democracia ampla que vivíamos.

Então, meus caros, se ela fosse absolvida, voltaria para a Presidência. E eleições só mesmo em 2018. Que seja. Mas quase ninguém à esquerda está considerando; já estão todos na onda das Diretas já.

Esta sim envolve entusiasmo pela mudança. Mas primeiro calma. Mudemos sim a Constituição e assim eleição indireta só valeria se a vacância no poder fosse só no último dos quatro anos.

Como cantou alto Caetano Veloso e repetindo o refrão várias vezes, no domingo em Copacabana:

— ‘É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte’.

Porque – vai Bituca – ‘todo artista tem de estar aonde o povo está’.

Número 3

Estava de frente pra tv na segunda-feira, mudando de canal e pensando temas para escrever pra Vila de Utopia. Quando decidi por quatro ou cinco grandes notas, levantei, abri o computador e lá estava, no fb, texto do jornalista José Antonio Orlando, que edita o ótimo blog http://semioticas1.blogspot.com.br/, falando sobre o mesma assunto. Assim:

“Volta Dilma ou Diretas Já?Enquanto a criminosa imprensa nacional faz silêncio, a imprensa estrangeira destaca que oBrasil está agitado e que ato pelo #ForaTemer no domingo, na Praia de Copacabana, com mais de 150 mil pessoas, indica queo golpista está finalmente nos seus últimos dias como presidente.”

E publica vários links e suas manchetes: BBC (Inglaterra) Cresce o clamor pela renúncia de Temer: https://goo.gl/iCbeR0 – Deutsche Welle (Alemanha) Brasileiros exigem expulsão de Temer: https://goo.gl/uAx72M – El País (Espanha) O grito por eleições diretas no Brasil toma a Praia de Copacabana: https://goo.gl/lQAiKQ – La Nación (Argentina) Só a pressão pela renúncia de Temer une a esquerda e a direita no Brasil: https://goo.gl/I8xOAb – Análise: Ato no Rio por eleição direta teve peso; movimento pode crescer: https://goo.gl/AUorMG

E se completa aqui com “Estado de Exceção”

“Incrível: é como se o filósofo italiano Giorgio Agamben tivesse buscado os exemplos e a inspiração para seu livro célebre “Estado de Exceção” no Brasil do Golpe de 2016 e no que nós vivemos atualmente com o “cadáver político” deTemer ainda no poder, depois de tudo…

Agamben, no livro que foi publicado em 2004 e tornou-se obra de referência,define o Estado de Exceção como ‘aquilo que se apresenta como a forma legal que não pode ter forma legal, uma terra de ninguém situada a meio caminho entre o direito público e o fato político, entre a ordem jurídica e aquilo que de fato acontece na vida cotidiana…’”

Número 4

Safadeza da mídia, exemplo é Globo, sobre o que não disse Joesley Batista da JBS. O JN disse que ele disse que abriu conta no exterior em nome de Lula e Dilma, quando na verdade era conta em nome dele para possíveis futuros repasses para campanhas eleitorais dos dois. Normal em países como o Brasil., onde ultra milionários podem doar até 2% do que ganham em candidatos.

A denúncia no JN durou mais de dois minutos. A confissão da mentira, apenas 38 segundos em voz acelerada para ficar quase inaudível.

Assista aqui via uma tv argentina, a C5N :http://www.ocafezinho.com/2017/05/31/tv-argentina-mostra-confusao-premeditada-da-globo-para-golpear-democracia/

 Número 5

O ator Wagner Moura esteve à frente do trio elétrico e discursou: “Nós, que no ano passado estivemos na rua contra o golpe que levou Temer à Presidência, agora temos o segundo round. Não é possível Temer continuar, nem esse Congresso escolher seu substituto. Pode não ser ilegal, mas é imoral e ilegítimo. E o ovo da serpente são essas reformas trabalhista e previdenciária”.

Número 6

Algumas coisas que o Brasil precisa com muita urgência para mudar e voltar a crescer para todos.

Uma: o fim de Temer. A situação do presidente ilegítimo é de tamanha gravidade que nem parte de seus parceiros o apoia mais. São os mesmos que votaram a derrubada de Dilma e que estavam votando a já aprovada PEC do Fim do Mundo (que mantém congelados por 20 anos os orçamentos em saúde, educação, infraestrutura, etc), e as trabalhista e previdênciária. Que só satisfaz a voracidade empresarial.

Ou seja, Temer cai. E o país decide seu novo futuro. Assim seja.

E como esse texto já passou em muito de seus limites, só mais frase:

— finalmente Aécio Neves, a exemplo de muitos outros, foi desmascarado com provas. E não pode mais sair impune. Basta. (Dias desses conto histórias sobre Zezé Perrela de antes e além do helicóptero basta base).

*Marcelo Procopio é jornalista e editor de O Cometa

 

 

 

 

 

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