E fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas

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Mauro Andrade Moura

 

Em Itabira ocorre um fato único: aqui só há grupos de marujadas, não temos congadas. Conta, eventualmente, com grupos de folia de reis.

Festa do Rosário em Ferros (MG)

Em cidades próximas encontramos também o Moçambique, que tem muita semelhança com o congado, porém o traje é sempre em azul e branco.

No traço da nossa história, no percurso dos séculos, podemos entender que esses grupos de marujada são os herdeiros naturais da Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de Itabira, instituição essa fundada ainda em 1807. É, portanto, a primeira instituição da nossa sociedade civil.

Os grupos de marujada estão sempre presente em nossas festividades e comemorações religiosas, trazendo sua alegria, cores diversas, suas oferendas e orações aos santos padroeiros.

Guardas de Marujo conservam tradição em Itabira

Senhora do Rosário, Santo Antônio, São João, São José, Senhora Conceição, Senhora Aparecida e tantos outros santos que são reverendados pelas marujadas de nossa cidade e demais rincões de nosso país.

Ainda em 2005 e 2006 tivemos a oportunidade de realizar os encontros de marujadas e congadas em Itabira, no âmbito da realização do Festival Itabirano de Artes Negras (Fian), com grande participação de marujadas e congadas de todo o estado de Minas Gerais.

No mundo católico de influência portuguesa, esses grupos ou ranchos religiosos surgiram a partir da adoração à Rainha Santa Isabel, que fora rainha de Portugal juntamente com o marido e Rei Dom Dinis, também conhecido como o Rei Lavrador e Rei Poeta.

Oferta de prendas diversas

A Rainha Santa nasceu em 04/01/1271 em Saragoça – Espanha, falecendo em 04/07/1336 em Estremoz – Portugal. Tendo reinado com seu marido de 1282 a 1325.

O seu primeiro milagre ficou marcado na história católica como o Milagre das Rosas. A Rainha Santa tinha o costume de fazer suas benesses doando pães aos desvalidos, dentre outras benfeitorias e doações diversas.

Em pleno inverno, em um mês de janeiro, quando ia saindo para repartir pães encontra com seu marido o rei Dom Dinis e este pergunta-a o que levava. A rainha respondeu que eram rosas.

Dom Dinis espantou-se com a resposta, pois não era época de floração de rosa. Pediu a esposa para mostrar o que levava debaixo do manto. A Rainha Santa levantou a peça de roupa mostrando ao marido os buquês de rosas.

Poetizando o batuque mineiro no Memorial Drummond

Tinha acontecido um milagre, os pães se transformaram em rosas. Era o milagre das Rosas!

Poema e letra da canção dedicada à Rainha Santa Isabel:

As Mãos Que Oferecem Rosas

Fica sempre, um pouco de perfume

nas mãos que oferecem rosas

nas mãos que sabem ser generosas (2x) 

Dar do pouco que se tem

ao que tem menos ainda

enriquece o doador,

Sincretismo religioso vindo de além-mar: África e Portugal

faz sua alma ainda mais linda 

Dar ao próximo alegria,

parece coisa tão singela

aos olhos de deus, porém,

e das artes a mais bela. 

Fica sempre,
Um pouco de perfume
Nas mãos que oferecem rosas
Nas mãos que sabem ser generosas!

Obs.: autoria desconhecida.

Guardas de Marujos estão presentes em muitos bairros e na zona rural

Chegando ao Brasil Colonial, a maneira que os negros encontraram para poder ter alguma liberdade era nas irmandades e confrarias. E essa interação passou pela catequese com batismo e aceitação dos dogmas católicos.

Com isso, criaram-se os grupos ou ranchos de marujadas e congadas, sendo essa tratando o encontro do africano com o europeu a partir do sincretismo religioso.

Festa de Santo Antônio em Lisboa, Portugal

A marujada é voltada também na apresentação de como todos os europeus e africanos chegaram ao Brasil. Vieram navegando nas caravelas e naus, daí o marujo. Os cânticos têm ritmo africanizado dos tambores, conhecido hoje como tambor mineiro, e a melodia das canções com os violões do português.

Em Portugal temos as festas dos santos populares (Santo Antônio, São João, São Pedro). Em Cabo Verde temos o Kola Sonjon, ou cola São João em comemoração a este santo e ainda em São Tomé e Príncipe, dentre outras festas cristãs, temos o auto de Floripes.

No ano passado, a pedido de José Norberto de Jesus, o Comphai deliberou o tombamento da Marujada como bem tombado de cunho imaterial de nosso município.

Grupo Folclórico do Barro Preto

https://vimeo.com/225770170

 

Marujada N. S. do Rosário

https://vimeo.com/225768998

 

https://vimeo.com/225767979

 

https://vimeo.com/225767675

 

Encontro de Marujadas em Itabira 2015

https://vimeo.com/149904255

 

Missa Conga – Ferros 2015

https://vimeo.com/142119251

 

https://vimeo.com/142119249

 

https://vimeo.com/142119250

 

https://vimeo.com/142121583

 

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Sobre o Autor

4 Comentários

  1. Boa Noite!

    Como já disse em outras oportunidades tenho pela sua pessoa uma profunda admiração. Isso reforçou ainda mais o meu conceito pois, o que você fez para ajudar na reconstrução da história que é de todos brasileiros é fantástico.
    Parabéns.
    A pátria precisa de pessoas do seu calibre para que tenhamos fé em dias melhores.

    Um grande abraço e muito obrigado por compartilhar tão importante acontecimento.

    Ângela.

    • Mauro Andrade Moura on

      Muito bem, minha amiga Ângela.

      Todo cuidado é pouco, pois temos que
      a estória meio contada
      as histórias mal contadas.

      Grato pela gentileza,
      Mauro

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