Doenças sexualmente transmissíveis aumentam entre jovens e idosos

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Nos últimos anos, tem crescido entre jovens e idosos os índices de infecção por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) em todo o país (leia mais aqui e aqui). “Faltam campanhas, informação e oferta de preservativos. Tem que massificar a oferta”, defende o médico infectologista Marcello Fontana Monteiro.

Em consequência, observa-se o crescimento do número de casos de aids entre jovens e idosos. Segundo o médico, embora o Brasil siga como referência internacional no tratamento da aids, o número de pacientes tratados quase dobrou nos últimos anos.

Já são cerca de 500 mil pessoas em tratamento no país, de um total de 830 mil pacientes com HIV/Aids. Desde 1986, a notificação de casos de aids e sífilis é obrigatória, de acordo com recomendação do Ministério da Saúde. No caso de HIV em gestantes e recém-nascidos, o registro tornou-se obrigatório desde 2000.

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Marcello Monteiro, médico infectologista (Foto: Carlos Cruz)

As DSTs (HIV, sífilis, gonorreia, clamídia, herpes genital, HPV, hepatites e outras) são consideradas um dos problemas de saúde pública mais comuns em todo o mundo. Mesmo sendo a maioria dessas doenças curável, à exceção do HIV, que é controlável, todas tornam o organismo mais vulnerável em ambos os sexos. “Essas DSTs aumentam em até oito vezes a chance de contrair HIV em relações desprotegidas”, alerta o médico infectologista.

Segundo ele, cerca de 40% dos jovens não fazem uso de preservativos desde as primeiras relações sexuais. “Eles não viram morrer Cazuza, Henfil, Betinho, Renato Russo, não viram o sofrimento de toda uma geração. Deixam de temer a aids pelo fato de a doença não mais levar facilmente ao óbito.”

No mundo, registram-se mais de 40 milhões de óbitos em 37 anos de epidemia. Por ano, ocorrem mais de um milhão de óbitos relacionados a aids no mundo. “A doença já matou mais que a tragédia do 11 de setembro e que a maioria das guerras, principalmente na África. Não dá para negligenciar”, adverte.

Da mesma forma, entre os idosos, que estão tendo vida sexual mais ativa com o advento dos estimulantes sexuais, as DSTs têm aumentado também pela falta de prevenção. “É comum ouvir dizer que usar ‘camisinha’ é o mesmo que chupar bala com papel”, critica o médico infectologista. “A aids não mata como antigamente, mas ainda não tem cura. E deixa sequelas graves se não tratada”, alerta.

Além disso, a aids não distingue sexo, raça, classe social. Não é uma praga gay, como foi preconceituosamente rotulada no início da década de 1980, quando virou epidemia em todo o mundo. Pode atingir a todos, independentemente da preferência sexual. Por isso, a prevenção deve ser prática comum a todos que têm vida sexual ativa.

Embora não seja restrito à prática homoafetiva, as estatísticas do Ministério da Saúde indicam que 11% dos homossexuais no país estão contaminados pelo vírus HIV, enquanto 5% dos profissionais do sexo também encontram-se nessa situação.

Já na população adulta em geral, o índice de contaminação é de 0,6%. Entretanto, mesmo esse índice de contaminação sendo mais evidente entre os grupos com comportamento de risco, é entre a população heterossexual que se verifica ainda o maior número absoluto de casos da doença.

 

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2 Comentários

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  2. HENFIL E BETINHO
    ESTÃO FORA DO CONTEXTO

    —a distribuição de camisinha pelo menos era até 2016 ampla e irrestrita. Homens e mulheres de qualquer idade podem, ainda, passar em qualquer centro de saúde e pegar uma ou várias camisinhas.

    Está certo dizer que jovens de qualquer gênero – os heteros principalmente – e os velhos (tb chamados de idosos quando com mais de 50 anos) que enteam na boa farra do sexo desvestido.

    Ah como era bom quando camisinha era só para evitar gravidez e em alguns casos dsts de menor volume, como a gonorréia.

    Ah2, sobre a frase inicial deste comentário, é apenas para dizer, mais uma vez, que Henfil e Betinho eram hemofilicos e se contaminaram com o HIV em transfusões de sangue que faziam de forma periódica para controlar a doença masculina e hereditária.

    O Brasil começou a examinar o sangue doado com anos de atraso, o que contaminou com o vírus da aids milhares de pessoas.

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