Disputa pelo poder na Unifei pode comprometer proposta do parque tecnológico de Itabira

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Uma crise de dimensão ainda desconhecida está instalada entre o campus de Itabira e a reitoria da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). O seu ápice foi a tentativa de realizar uma consulta pública com participação dos corpos docente, discente e técnicos do campus local para saber se aprovam ou não a proposta da reitoria de dividir a unidade acadêmica em mais de uma representação.

A consulta estava agendada para os dias 29 e 30 de novembro. Porém, foi cancelada após o reitor da universidade, professor Dagoberto Alves de Almeida, em um memorando, se posicionar contrário à sua realização, embora tenha dito não ser contra que se ouvisse a comunidade acadêmica.

“Esclareço que a Unifei não abriu nenhuma consulta pública e, portanto, não reconhece qualquer resultado proveniente de uma consulta dessa natureza aberta à revelia de seu órgão colegiado máximo”, escreveu o reitor no referido memorando.

E proibiu, peremptoriamente, ao departamento de informática e comunicação do campus de Itabira que realizasse qualquer consulta desse gênero. Restou assim ao diretor do campus de Itabira, professor Dair de Oliveira, cancelar a sua realização.

Disputa antiga

Segundo um professor ouvido pela reportagem, e que pede para não ter o seu nome citado por temer retaliação, trata-se, na verdade, de uma luta pelo poder na instituição de ensino superior. “É uma disputa antiga. A tática é colocar todo mundo contra o diretor do campus.”

Ele vê na disputa o dedo do ex-diretor do campus de Itabira e atual vice-reitor da Unifei, professor Marcel Fernando da Costa Paretoni. “O objetivo da divisão é dar poder para uma minoria que não aceita a gestão do professor Dair e de sua equipe. A proposta atual da reitoria é que o diretor seja um mero administrador do campus de Itabira”, aponta.

“Essa divisão em unidades acadêmicas, no momento, não é oportuna. E a consulta com certeza iria mostrar que a maioria aqui no campus não quer essa mudança agora. A comissão que tratou desse assunto para a reitoria não sabe responder quantas pessoas da comunidade acadêmica são contra ou a favor”.

Professor Dair, diretor do campus de Itabira, propôs a consulta para ouvir a comunidade acadêmica. Não deu certo

Segundo ele, a reitoria já tentou antes esvaziar o poder do professor Dair. “Ele (Dagoberto) quis mudar o mandato do diretor, que é de quatro anos, para temporário, isso depois de ter iniciado o processo eleitoral que culminou em sua escolha”, conta outro professor, que também pede para não ter o seu nome citado.

“Não deu certo. E agora eles veem com mais essa medida casuística”, acrescenta. “A divisão já está certa e vai ocorrer”, prevê. “A minoria vai vencer a maioria que está do lado do professor Dair. Essa é a democracia em nossa universidade”, lamenta.

Parque tecnológico

O professor diz ainda que por trás de toda esse entrevero está o modelo de campus universitário que se pretende construir em Itabira. “O professor Renato (Nunes de Aquino, ex-reitor) nos vendeu um projeto de campus inovador e voltado para o empreendedorismo. Nos últimos anos, esse projeto foi abandonado pela reitoria, sendo defendido apenas pelo professor Dair. Basta verificar que nada foi feito no sentido de viabilizar essa ideia tão fundamental para o desenvolvimento de Itabira.”

Segundo o mesmo professor, o atual reitor age como prefeitos que abandonam obras de seu antecessor, prejudicando a população. “O Centro Tecnológico é uma ideia do professor Renato, assim como o campus de Itabira é obra dele, daí o desinteresse pelo desenvolvimento da proposta inicial. Hoje em dia, para o professor Dair falar sobre o projeto do parque tecnológico, ele precisa pedir autorização para o reitor.”

De acordo com o professor, é importante que os parceiros do projeto universitário de Itabira tomem conhecimento sobre o que está ocorrendo por trás dessa disputa e assumam um posicionamento, cobrando mais resultados. “Itabira tem interesse no desenvolvimento do nosso campus. Não sei se esse interesse é o mesmo da reitoria.”

Comunidade acadêmica se posiciona contra a divisão

Procurado pela reportagem, o professor Dair de Oliveira respondeu por meio de sua assessoria de imprensa que “a questão (da divisão do campus em unidades acadêmicas) está sendo tratada internamente e, infelizmente, por enquanto, não será possível recebê-lo (para uma entrevista)”.

O diretor assegura também que a divisão do campus em unidades acadêmicas nada tem a ver com uma possível separação do campus de Itabira da Universidade Federal de Itajubá.

Projeto universitário de Itabira, com a Unifei, prevê a implantação de um parque tecnológico no Distrito Industrial

Se o diretor do campus preferiu não se pronunciar a respeito do cancelamento da consulta, não foi esse o procedimento de 22 entidades e representantes de projetos de extensão universitária, que divulgaram uma carta aberta à reitoria, protestando contra o cancelamento da consulta.

“O que está em pauta é o nível de participação da comunidade nesse processo tão importante para todos. Entendemos que, para que os membros do conselho tenham mais embasamento em sua decisão, é de suma importância que os mesmos saibam a opinião das pessoas que serão as mais diretamente impactadas por uma possível mudança estrutural.”

Para os signatários, “uma maior participação da comunidade na tomada de decisões do conselho aumenta a garantia de que as mudanças votadas acarretarão em benefícios à instituição de uma maneira mais igualitária e que não beneficiem apenas alguns segmentos específicos.”

Segundo eles, deveria ser de interesse da reitoria que mais iniciativas de consulta popular ocorressem, como forma de fortalecer a democracia no campus. “Somos fortemente contrários à opinião de que uma consulta pública possa desrespeitar uma comissão ou órgãos superiores da universidade.”

E prosseguem na carta aberta: “Mais do que isso, desrespeito é o que sentimos da reitoria em coibir a referida consulta, o que deixa transparecer uma falta de interesse em entender a realidade e a opinião dos docentes, discentes e servidores técnico-administrativos do nosso campus.”

Outros professores ouvidos pela reportagem também demonstraram preocupação com os acontecimentos recentes, por ameaçarem a democracia na universidade. “Primeiro, exigiram que toda a comunicação de Itabira passe pelo campus de Itajubá. Agora nos proíbem de fazer pesquisas dentro da comunidade de Itabira. Não existe um artigo no regimento da universidade que proíba a realização de tal consulta.”

Outro lado

Em resposta, o reitor Dagoberto Almeida afirma ter apreço aos manifestantes por estarem atentos aos destinos da Unifei, em especial ao campus de Itabira. “Bem sei a importância dessa participação, uma vez que eu próprio (sic), durante toda a minha vida como universitário, fui também representante estudantil.”

Diz ainda que em nenhum momento proibiu que os representantes estudantis consultassem os alunos, bastando para isso rever os memorandos enviados.

O professor Dagoberto assegura ainda que “a questão relativa ao número de unidades está bem conduzida por uma comissão que, ao longo dos trabalhos, esteve à disposição de todo o campus de Itabira, inclusive da classe discente”.

E conclui dizendo que a “tal discussão e deliberação estão agora, finalmente, ocorrendo como deveria ter acontecido no passado”, escreve o reitor, certamente numa crítica velada à gestão de seu antecessor, professor Renato Aquino. “Ou seja, uma discussão coletiva e transparente e não a criação da cabeça de um único indivíduo que sequer está formalizada”, finaliza a nota enviada pelo reitor aos signatários da carta aberta.

 

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17 Comentários

  1. marconi Serafim de Assis Ferreira. on

    Meu Deus.! Pobre Itabira. Parece que tem uma cabeça de boi enterrada no chão da mina.

  2. Mauro Andrade Moura on

    E pensar que o prefeito Damon de Sena queria desalojar a APAC e atrapalhou ao máximo o início da construção do albergue para alguns presos condenados com a propaganda de que iriam instalar no Posto Agropecuário esse parque tecnológico que encontra-se atualmente abandonado pelo atual reitor da UNIFEI.
    Ainda bem que o juiz de direito responsável em apoiar a instalação da APAC em Itabira não foi com a conversa mole e determinou o início da construção do albergue.

  3. Muito triste ver a atenção se voltar para este desmembramento, sei que é algo de grande impacto , porém parece que esqueceram o propósito da UNIFEI.Tal universidade é o futuro de Itabira ,se o projeto não se expandir a economia regional sofrerá uma implosão daqui alguns anos.

  4. Pessoal essa notícia é falsa. Sem credito nenhum. A ouvidoria da Unifei está disponível e a história não é essa. Não há crise e sim uma possível divisão dos cursos em unidades acadêmicas, assim como é em todas as grandes universidades. Nada disso abalaria o parque tecnológico.

    • Ué, você trabalha na Unifei? Claro que não, pois não há algum Fernando que trabalhe lá. A não ser que você esteja utilizando nome falso. Porque tudo isso que foi dito na matéria é verdade. Claro que são poucos os que têm coragem de contar a realidade.

      • Ué, eu conheço pelo menos dois Fernandos que trabalham na UNIFEI, como que não tem ninguém com esse nome trabalhando lá?

  5. O que é falso nessa notícia meu caro? Me conta qual é a história, estou curioso para saber. Essa talvez esteja sendo uma das piores crises politica e democrítica que nosso Campus já passou. Isso é um retrocesso da autonomia que conquistamos nesses anos, além de censurar uma consulta pública, agora estão censurando a própria comunicação interna da Unifei. Isso é um absurdo, se isso não é uma crise querido, temos que rever esse seu conceito.
    Que democracia é essa Reitoria? Se essa instituição formar cidadãos com essa mentalidade estamos perdidos.
    FORA DAGOBERTO E MARCEL!

  6. É fato que os projetos pcti nasceram na gestão do Prof. Renato. Também é fato que a atual gestão da UNIFEI foi a responsável por oficializar o pctic no campus de Itajubá. A criação da associação inovai foi um grande passo rumo a obtenção de novos recursos para o pctic. Não estou defendendo nenhum gestor, mas penso que isso demonstra que o projeto não deixou de existir na cidade de Itajubá por ter sido concebido na gestão do Prof. Renato. Gestores passam e a Instituição permanece. Egos não podem ser maiores que UNIFEI.
    Em relação aos investimentos no Campus Itabira, é importante lembrar que a Universidade e a vale investiram. Cimpriram com suas responsabilidades. Porém, os investimentos por parte da Prefeitura Municipal de Itabira não puderam ser concretizados. O atual reitor manifestou sua insatisfação em relação a este assunto em uma seção da câmara de vereadores da cidade de Itabira. É importante conhecer a opinião da comunidade acadêmica de Itabira e seus desejos. Pelo que pude entender, a opinião da comunidade acadêmica é importante, mas é prerrogativa do conselho universitário ditar as regras sobre a maneira de conduzir essa consulta. É importante que todos da comunidade acadêmica façam leitura das atas dos conselhos da Unifei. Existem situações discutidas nestes conselhos que podem esclarecer aos docentes e discentes a real situação existente entre o campus de itabira e a reitoria.

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