Deu no jornal Vale Notícias: Não vai faltar água em Itabira – Investimentos no abastecimento público

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Da série: Promessas não cumpridas

Texto originalmente publicado no jornal Vale Notícias (da mineradora Vale), edição número 20, abril de 2002

“Itabira não vai ter problemas de abastecimento de água. Uma das opções é a utilização das águas subterrâneas, que podem ser armazenadas nas cavas exauridas.”

Em Itabira não falta água e nem vai faltar, segundo o hidrogeólogo Agostinho Fernandes Sobreiro Neto, da Gerência de Hidrogeologia e Geotécnia da Vale. “E as melhores alternativas de captação para hoje, bem como para o futuro próximo, estão no aproveitamento das águas dos aquíferos subterrâneos, nas áreas de mineração.”

Para explicar o processo de rebaixamento de águas subterrâneas, o hidrogeólogo se reuniu com líderes comunitários, pelo projeto Vale Comunidade, no dia 27 de março (2002), no auditório Cauê. Na ocasião, Agostinho Sobreiro disse que o Plano Diretor de Abastecimento Público de Água de Itabira foi encaminhado à Prefeitura em março do ano passado.

O Plano Diretor foi sistematizado pela Fundação Christiano Otoni, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base em estudos sobre as águas superficiais e subterrâneas.

O plano, além de avaliar as alternativas, sugere medidas de curto prazo, que já estão sendo executadas com recursos da Vale, em cumprimento da condicionante 12, da Licença de Operação Corretiva (LOC) do Distrito Ferrífero de Itabira.

Entre essas medidas destacam-se a implantação do subsistema Areão, com a perfuração de três poços tubulares, além de melhorias na adução da Estação de Tratamento de Água (ETA) dos Gatos.

Como medida emergencial, e para compensar a queda de vazão da ETA Pureza, desde 1999 a Vale libera, no período de estiagem, até 100 litros por segundo (l/s) de água captada abaixo da barragem do rio de Peixe.

Há cerca de oito anos, a cidade faz uso da água subterrânea de Três Fontes. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) bombeia também 25 l/s de água excedente do rebaixamento da mina de Chacrinha para a ETA do Pará.

No total, o manancial das Três Fontes já pode fornecer 100 l/s de água para a ETA Pará, suprindo os bairros Pará, Penha, Moinho Velho e parte do Centro.

Assim que os poços perfurados no bairro Areão estiverem interligados aos reservatórios do bairro Amazonas, serão mais 80 l/s para o abastecimento público.

Com isso, Itabira passará a consumir 180 l/s de água subterrânea. Como o consumo na cidade é de cerca de 400 l/s, quase a metade da água servida em Itabira sairá de poços tubulares, conhecidos como artesianos. “Trata-se de uma água de excelente qualidade e que está bem debaixo da cidade”, informa o hidrogeólogo da Vale.

Para o futuro, com a exaustão das minas, haverá, ainda, a opção de aproveitar as águas armazenadas nas próprias cavas. “Se depender de água, Itabira pode ser considerada uma cidade privilegiada”, sustenta Agostinho Sobreiro.

Mineração viabiliza uso de água subterrânea

Para justificar o rebaixamento dos aquíferos, a Vale se reuniu com lideranças comunitárias em 27 de março de 2002, quando foi assegurado que as águas dos mananciais profundos seriam os grandes legados da mineração para o desenvolvimento de Itabira.

O que para alguns parecia ser um problema, é solução. Com base na nova legislação de recursos hídricos, a Lei das Águas, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) está divulgando o documento Modelo Nacional de Gestão de Recursos Hídricos.

Uma das propostas é aproveitar as águas do rebaixamento em áreas mineradas para o abastecimento público nas cidades próximas.

“O rebaixamento do nível de água subterrânea nas minas poderá resultar no aumento da disponibilidade de um produto nobre: água de excelente qualidade”, diz o documento do Ibram.

Segundo o Instituto, as cavas exauridas podem ser aproveitadas como “pontos notáveis de recarga dos aquíferos, bem como serão, por si só, reservatórios de água disponível para uso”.

Reservatórios são imensos

“Itabira dispõe de grandes reservatórios subterrâneos, que são denominados como aquíferos. O rebaixamento licenciado ocorre de modo localizado e não se expande sob os terrenos fora da estrutura geológica do Distrito Ferrífero”, explica o hidrogeólogo Agostinho Fernandes Sobreiro Neto.

Segundo ele, desde 1999 a Vale monitora a vazão das águas nas nascentes, por meio de vários vertedouros, que são estruturas simples que permitem medir a vazão das nascentes.

Os aquíferos do Distrito Ferrífero de Itabira continham, antes do início do programa de rebaixamento, em 1985, 338,8 milhões de metros cúbicos de água.

Desde então, até outubro de 2016, data prevista para a exaustão das Minas do Meio, serão bombeados 37,2 milhões de metros cúbicos, correspondentes a 11% das reservas iniciais existentes nos reservatórios subterrâneos do Distrito Ferrífero. Serão 35 anos de uso ininterrupto.

Aquíferos são caixas d’água subterrâneas. Quando o seu nível é atingido, precisa ser rebaixado para a mineração ter prosseguimento. “Sem o rebaixamento, a lavra teria que ser abandonada”, conta o hidrogeólogo da Vale.

Cabe lembrar que a água subterrânea é o único recurso mineral renovável. Com a paralisação do bombeamento nas cavas, o que ocorrerá com a exaustão das minas, será iniciada a recuperação de seu nível. Com o tempo as reservas atingirão o mesmo volume existente antes do rebaixamento.

Outras opções de captação

As opções de captar água no rio Tanque, a 22 quilômetros, ou no ribeirão São José, a 17 quilômetros, foram sugeridas por lideranças locais.

Embora disponham de água de boa qualidade, o estudo da O&M Engenharia, que fez o diagnóstico da rede de distribuição e análise das alternativas de águas superficiais, são opções que demandam elevado custo operacional e de implantação, com construção de adutora, estação de tratamento e rede de distribuição.

“Além de a distância ser grande, nas duas alternativas é preciso vencer desvios de nível superiores a 400 metros, o que elevaria bastante o custo com energia”, avalia Agostinho Sobreiro.

 

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