Cruzeiro e Atlético refletem em campo o mau momento que vivem. Confronto mesmo, só a lamentável guerra das torcidas

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Luiz Linhares*

Estamos atravessando, com certeza, o pior momento para o futebol mineiro. Sei que quem me lê neste momento também acompanhou pela televisão, rádio ou no Mineirão o clássico entre Cruzeiro e Atlético. Sei que o leitor sabe da real situação de ambos os clubes em toda a trajetória deste ano em curso.

Por tudo isto e muito mais acompanhei ao vivo a partida no Mineirão nesse domingo (10), quando se viu um placar inalterado. A partida refletiu o mau momento que vive o futebol mineiro com os seus dois principais times.

Foram noventa minutos de bola rolando sem que acontecesse nenhuma jogada que ameaçasse o adversário. Sonho é pensar que poderia ser diferente, que florasse qualidade de um dos lados.

A pura verdade é que chegamos a novembro, último mês cheio do ano para o futebol e simplesmente os nossos grandes clubes disputaram uma única decisão, o nosso tão humilhado, desinteressado e fraco Campeonato Mineiro. Foi o início e o fim, nada mais nada menos, o Cruzeiro tem isso em seu histórico do ano, sendo que o Atlético nem isso.

É muito pouco para tanto investimento. Concordo que jogar toda a culpa no nosso estadual é uma boa resposta, que agora não mais serve como laboratório e que as grandes estrelas que chegam com salários e ganhos astronômicos só rendem com a facilidade encontrada contra fracas equipes do interior mineiro. Artilheiros de ambos se fizeram neste estadual e depois com Brasileiro, Libertadores, Sul Americana e Copa do Brasil caíram numa mingua só.

Clássico foi morno, sem lances que ameaçassem o gol adversário. Já as torcidas protagonizaram um triste espetáculo (Fotos: Bruno Cantini e Lance!)

Se cada torcedor deixar a paixão um pouquinho de lado irá concordar com o que escrevo. 2019 foi um ano sofrido em todos os aspectos, seja pelo administrativo dos dois grandes, financeiro, montagem e qualificação de elenco. Plagiando a política, mudança já é o que se espera.

Vamos ao jogo praticado no clássico. A situação de ambos os clubes na classificação guiou a maneira de jogar. Foi o Cruzeiro que, desde a saída de bola, procurou jogar no campo do adversário, pressionando-o desde a saída de bola e tentando mostrar força.

Dominou quase meia hora de jogo de forma constante, atrapalhada é verdade, sem criatividade, dominando por ter a bola. Mas incomodar mesmo o goleiro atleticano praticamente nada, jogadas alçadas na área, arremates sem muita direção e só.

Por outro lado, ficou visível a vontade do Atlético de pontuar apenas. O time alvinegro nada jogou, se segurou para garantir o empate. Só nos quinze minutos finais do primeiro tempo equilibrou o jogo e foi assim no segundo tempo sem grandes brilhos.

É certo é que goleiros Fabio e Clayton foram pouco exigidos em uma clara certeza da ineficiência dos dois ataques.

Quem assistiu pela televisão, e conseguiu ficar firme durante os noventas minutos. merece os parabéns. Acompanhou um jogo feio, sem qualidade, técnica e emoção. Duas equipes em um retrato do atual momento. Jogam para se manter na primeira divisão – e nada mais.

O triste foi ver que, para alimentar o que não encontraram em campo, que o Mineirão virou palco para a batalha entre torcidas. Foram momentos de terror, com quebradeira e invasão de espaços. Reflexo de tudo que não deveria acontecer.

*Luiz Linhares é diretor de Esportes da rádio Itabira-AM

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1 comentário

  1. Esses jogos deveriam ser com torcida única. Acabar com isso de 10 % pra visitante. Seria a única maneira de acabar ou pelo menos diminuir esses confrontos entre torcedores.

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