Crise na Unifei repercute na Câmara. Vereadores convidam reitor para dar explicações

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Carlos Cruz

A crise entre reitoria, professores e estudantes do campus de Itabira da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) repercutiu na reunião da Câmara Municipal dessa terça-feira (24). O vereador André Viana (Podemos) entrou com requerimento, já aprovado, convidando o reitor Dagoberto Alves de Almeida a comparecer à Casa e explicar o que está acontecendo.

Vereadores querem ouvir do reitor explicações para a crise e também como anda o projeto universitário da Unifei em Itabira

O reitor não é obrigado a comparecer na Câmara, mas ao aceitar o convite terá uma boa oportunidade para se fazer também um balanço dos dez anos da criação, pelo governo federal, do campus avançado da Unifei em Itabira, completados no dia 22 de abril.

Será, ainda, um bom momento para o reitor conhecer Itabira, até mesmo para se fazer um roteiro turístico, indo por exemplo ao Memorial Drummond, de onde se tem uma vista panorâmica das minas e da cidade. Mas não é aconselhável levá-lo a percorrer os Caminhos Drummondianos, pelo estado deplorável em que se encontram.

André Viana é o autor do requerimento convidando o reitor para comparecer à Câmara

Na visita à Câmara, os vereadores querem ouvir a versão do reitor para a crise, devendo ser sabatinado também sobre como anda a implantação do projeto universitário da Unifei na terra de Carlos Drummond de Andrade.

Afinal, trata-se de um sonho de muitos anos, que vem se realizando há uma década, para que a cidade do minério torne-se também universitária, já que o título de Cidade Educativa, concedido pela Unesco na década de 1970, não se realizou.

Ao aceitar o convite dos vereadores, o reitor pode apresentar aos parceiros um balanço do que de positivo já ocorreu – o que deixou de ser feito e o muito que ainda falta por realizar dentro da estratégia de implantação do campus universitário de Itabira.

Críticas

O requerimento do vereador foi motivado pela crise, que se arrasta desde a renúncia no fim do ano passado do ex-diretor Dair de Oliveira – e que teve o seu ápice agora com a discordância dos estudantes com a nomeação do segundo colocado em uma consulta pública para a direção do campus de Itabira.

Agnaldo “Enfermeiro” disse ter ouvido as mesmas críticas dos estudantes

“O reitor fez igual o Temer, que nomeou Raquel Dodge, segunda colocada numa lista tríplice, como procuradora-geral da República, quebrando uma tradição que vinha se repetindo desde a redemocratização do país”, criticou o vereador André Viana.

Segundo ele contou na reunião plenária, em visita ao campus, ele ouviu várias denúncias, inclusive de que veículos e equipamentos do laboratório de elétrica, adquiridos pela Vale e que não podem sair de Itabira, estariam sendo transferidos para o campus de Itajubá. “É uma denúncia grave que precisa ser apurada.”

As suas críticas foram endossadas por outros parlamentares itabiranos. “Eu também estive com estudantes e ouvi essas mesmas denúncias e críticas. Os estudantes queixam também da falta de liberdade e das perseguições que estão ocorrendo no campus de Itabira”, testemunhou o vereador Agnaldo “Enfermeiro” Vieira Gomes (PRTB).

Diretor do campus de Itabira rebate críticas

As denúncias dos vereadores, na verdade, são antigas – e já foram desmentidas em um dos primeiros comunicados do reitor Dagoberto Alves de Almeida, no site da instituição. E são contestadas também pelo professor José Eugênio Lopes de Almeida, novo diretor do campus de Itabira

O diretor José Eugênio rebate críticas e reafirma o compromisso da universidade com a diversificação econômica

Ele assegura que não houve transferência de equipamentos do laboratório. “A denúncia é totalmente inverídica”, refutou. “Nosso compromisso com os parceiros, Vale e Prefeitura, não nos permite qualquer ação nesse sentido”, acrescentou.

Segundo o diretor, o que houve foi a transferência de duas caminhonetes, adquiridas com recursos do governo federal – e que estavam ociosas em Itabira.

Ele explica que a transferência se deu pelo fato de que os veículos, embora estivessem com vários anos de uso, se apresentavam com baixa quilometragem, por ser pequena a demanda pelo campus local.

“Como o governo federal proibiu novas compras, o reitor transferiu esses veículos para Itajubá, onde havia carência”, justifica o diretor. “Foi uma decisão administrativa do reitor, como gestor dos bens públicos da universidade, buscando otimizar os recursos existentes.”

Compromisso

O diretor José Eugênio reafirmou o compromisso da universidade, posto em dúvida por muitos vereadores, com a estratégia de diversificar a economia de Itabira e da região.

“Confirmo que a Unifei tem total aderência à meta de buscar o desenvolvimento econômico, tecnológico e social da região de Itabira, com forte apoio à inovação e ao empreendedorismo.”

Ele diz, ainda, que tem crescido o número de estudantes de Itabira e da região estudando na Unifei em Itabira. “Diferentemente do início da implantação do campus de Itabira, quando a quantidade de alunos de Itabira e da região era muito pequena.”

Segundo ele, neste ano, dos 437 alunos matriculados, 157 são de Itabira e 38 de cidades vizinhas – o que representa 45% dos alunos matriculados.

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