Covid-19: algumas sequelas vão ficar para sempre

WhatsApp Pinterest LinkedIn +
Por Cesar Candido dos Santos

VivaBem – Não é só o número de 1,3 milhão de mortes no mundo (cerca de 170 mil no Brasil) que faz a covid-19 ser uma doença assustadora. Milhares de pacientes que foram infectados pelo coronavírus continuam a sofrer com graves problemas mesmo após a carga viral sumir de seu corpo.

São sintomas que podem durar meses —como confusão mental, dores, falta de força muscular e dificuldade para se movimentar— ou para o resto da vida, como a amputação de uma perna.

Na série de especiais “Sequelas da Covid-19”, a repórter de VivaBem Giulia Granchi contou a história de cinco pessoas que tiveram problemas graves devido à doença. Por causa da infecção provocada pelo Sars-CoV-2, Damião teve um quadro de trombose e precisou amputar a perna.

“O médico disse que era só isso que podia fazer para salvar minha vida.” Apesar da grande dor física e emocional, o ex-zelador, que não pode voltar ao emprego por ter de usar muletas ou cadeira de rodas para se locomover, agora luta por um recomeço e já diz estar mais forte. “É melhor sentir a dor e estar aqui contando essa história [do que estar morto].”

Já a médica Simone teve lapsos de memória e problemas de visão por causa da covid-19, além de um quadro de miofasceíte que só a permitiu voltar a andar após um longo trabalho de reabilitação. “O medo que eu tive foi de ficar tão mal que não conseguiria mais cuidar do meu filho.”

O gari Antônio também desenvolveu uma condição que afeta os movimentos como a miofasceíte, só que mais grave: a síndrome de Guillain-Barré. “Em pouco tempo, fui ficando cada vez mais fraco. Quando percebi que meus membros não mexiam mais, me deu uma tristeza e um medo muito grande. Não era mais capaz de mastigar, de fazer nada sozinho. Me faltava até a voz”. Ele foi internado e, após receber alta, fez terapia para recuperar os movimentos –mas a Guillain-Barré não tem cura e o gari pode sofrer outras crises da doença.

Marli precisou ser internada várias vezes e teve coágulos sanguíneos nos braços que foram para o pulmão, causando embolia. “Quando a médica me falou que eu estava com covid, que estava com 25% do pulmão afetado, comecei a chorar e entrei em desespero, porque pensei que fosse morrer.” Depois de recuperada, ela desenvolveu hipertensão —ainda não se sabe se foi por ação do coronavírus ou do uso de vários medicamentos— e alterações renais.

Embora seja jovem, sem comorbidades e atleta amador de corrida, Josimar, médico equatoriano que vive no Brasil, precisou ser intubado e passou 18 dias respirando com a ajuda de aparelhos. “Quando acordei após a intubação, fiquei em delírio por cerca de uma semana. Só lembrava como falar espanhol. Sentia tanta fraqueza no corpo que não conseguia nem mastigar”.

Com medo de não poder voltar a trabalhar por ter perdido os movimentos, ele ainda desenvolveu um quadro de depressão. “Pensava: ‘Mudei de país para estudar e agora estou imobilizado.” Quatro meses após a infecção, Josimar já se recuperou das sequelas motoras e recebeu a liberação da equipe médica para retomar a vida profissional, com o apoio de alguns colegas.

Compartilhe.

Sobre o Autor

Deixe um comentário