Conheça Louise Glück, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura 2020

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Por Jaiane Souza *

Culturadoria

Depois da escritora polonesa Olga Tokarczuk, Glück é a 16ª mulher a ganhar o Nobel em 120 anos de premiação

“Por sua inconfundível voz poética que com austera beleza torna universal a existência individual”.  Foi essa a justificativa do júri do Nobel de Literatura para premiar Louise Glück em 2020.

Aos 77 anos, além de poetisa, Glück é professora na Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Já é reconhecida como uma das poetisas mais importantes do país antes mesmo do Nobel, que chegou como uma surpresa para todos, já que ela não era uma das favoritas.

Ainda não há nenhum livro dela traduzido no Brasil. No entanto a revista Piauí publicou, em 2018, a tradução de poemas de quatro escritoras americanas. Entre elas, Louise Glück. Confira aqui.

O G1 também publicou duas traduções por Camila Assad.  Além do Nobel, um dos prêmios mais importantes da literatura, a autora foi vencedora de outros. Entre eles, a Medalha Nacional de Humanidades, o Pulitzer, o Prêmio Nacional do Livro e o Bollingen. Todos nos Estados Unidos.

Sendo assim, conheça um pouco mais sobre a história de Louise Glück.

Origens e relação com a literatura

Louise Glück nasceu em 22 de abril de 1943 em Nova York. É descendente de judeus húngaros que imigraram para os Estados Unidos. Desde cedo, recebeu muito incentivo na educação com foco em mitologia grega e histórias clássicas, como a de Joana d’Arc, por exemplo. Dessa forma, começou a escrever ainda menina.

Um pouco mais velha, teve sérios problemas com uma anorexia nervosa, o que a levou a passar muitos anos em terapia e reabilitação. Durante esse período, teve aulas de poesia, se inscreveu em workshops e se desenvolveu como poetisa.

A estreia na literatura foi em 1968, quando lançou Firstborn. A coleção de poemas chamou pouca atenção da crítica. Depois disso, entrou em bloqueio criativo, que só foi curado quando passou a ensinar poesia no Goddard College, em 1971.

A produção dessa época resultou na sua segunda publicação The House on Marshland, em 1975. Nesse momento, a crítica reconheceu o trabalho como inovador.

Alguns dos livros de Louise Glück. (Foto: Henrik Montgomery/Reuters). No destaque, a escritora Louise Glück (foto: Sigrid Estrada/AP)

Características e prêmios

A produção de Glück tem fortes traços autobiográficos. Ela costuma refletir sobre o casamento, família, passagem do tempo, morte, traumas e até mesmo relações entre mãe e filha, por exemplo. Por outro lado, também é tida como clássica.

Os críticos descrevem a sua poesia como de controle e elegância. É uma escrita recheada de figuras femininas, como Penélope e Perséfone, da literatura antiga. A autora também evita recortes específicos. Só para exemplificar, em geral, ela não faz distinção de gênero nos personagens, não delimita religião ou afiliação e não insere relação política.

Depois de um incêndio que destruiu todas as coisas de Louise Glück, ela escreveu o quarto livro, The Triumph of Achilles (1985).

A crítica considera uma obra fundamental. Com ele a autora ganhou Prêmio National Book Critics Circle de poesia. Na sequência, vieram outra obras importantes, como Arat (1990), The wild Iris (1992), que ganhou o Pulitzer, Averno (2006) e Faithful and Virtuous Night (2014). Ao todo são 12 coleções.

FRAGMENTO ARCAICO 

Tentava ter amor pela matéria.
Colei uma frase no espelho:
Não se pode odiar a matéria e amar a forma. 

Fazia um dia lindo, mas frio.
Isso, para mim, era um gesto de extravagância emocional.

……. teu poema:
tentei, mas não deu.

Colei outra frase em cima da primeira:
Grita, chora, te escabela, rasga tuas roupas 

Lista de coisas para se amar:
Sujeira, comida, conchas, cabelos

……. disse
excesso de mau gosto. Então

arranquei as frases.

AIAIAI gritou
o espelho cristalino.

– LOUISE GLÜCK (1943)

ARCHAIC FRAGMENT 

I was trying to love matter.
I taped a sign over the mirror:
You cannot hate matter and love form.

It was a beautiful day, though cold.
This was, for me, an extravagantly emotional gesture.

……. your poem:
tried, but could not.

I taped a sign over the first sign:
Cry, weep, thrash yourself, rend your garments –

List of things to love:
dirt, food, shells, human hair.

……. said
tasteless excess. Then I

rent the signs.
AIAIAIAI cried
the naked mirror.

PIauí

 

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