Como libertar o Terceiro Mundo da persistente miséria 

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Veladimir Romano*

Resistente, complexa, desvirtuada e quão problemática tem sido a existencial vida de certos países nessa faixa sinistra intitulada de “Terceiro Mundo”, mudando nos últimos anos para “Nações em vias de Desenvolvimento”.

Bonito, mas, quem pensou e divulgou o velho epíteto, jamais dele se descolou, como as Nações Unidas desejando e pedindo rápidas, eficientes, com maior transparência e agilidade, as reformas dos tempos mais modernos.

A pulga pegou pela simples ideia dessa opinião haver extravasado fronteiras, fazer senso, iluminando uma profunda questão em torno das aplicações degenerativas por todo o mundo.

Isso ocorre quando processos sobre economia entram e se mantêm criando ou sustentando ciclos produtores dos planos negativos, desenhados a esse efeito, deixando as torturas da pobreza sempre em aumento crescente.

Burundi é um dos países mais pobres do mundo, mas o Brasil retorna ao mapa da fome, na foto em destaque (Fotos:Reuters e Médicos sem Fronteiras)

É o que se observa quando se vê estudantes bolsistas africanos passando pelas faculdades da Bélgica, estudando economia, como estrangeiros desse bem conhecido Terceiro Mundo. Aplicam sonhos em conhecer desdobramento de tantos segredos que o processo econômico guarda nas entrelinhas.

Um dos cursos, sobre economia, é direcionado aos países [no caso específico de como a Bélgica colonizou várias nações africanas, modelos já então detalhados e formatados]instáveis por natureza da política.

São países onde a corrupção impera, onde golpes e revoltas já duram mais de 60 anos de independência. O fato é que jamais conseguiram fazer justiça aos povos. Daqui o epiteto do “Terceiro Mundo”, ainda que o mercado procure eliminar a ideia, apenas aplicou mais verniz no assunto.

Mesmo com todas as dificuldades, limitações e problemas, o mundo assiste como a sua população cresce, se multiplica… E como ela própria se assusta em particular na relação futurista.

Recente pronunciamento da ONU advertiu aos governos para o fato de que até 2050 haverá um acréscimo de centenas de milhões dos habitantes em todo o mundo.  A população mundial chegará aos 10 bilhões.

Na África estão os países mais pobres, consequentemente é onde á mais gente passando fome

Contudo, foi anunciado também que o processo alimentar na agricultura irá sofrer fortes alterações, emagrecendo. As projeções são de que pode ser reduzida pela metade a produção mundial de alimentos, enquanto a população cresce desmesuradamente.

Florestas estão desaparecendo, como estão mirrando estoques de pesca. As alterações climáticas intensificam incertezas, com fontes d’água poluídas, fontes hídricas secando, com solos contaminados e novas pragas se anunciando. O panorama é alarmante – e dá muito o que pensar.

World Resource Institute  [WRI = Instituto Mundial dos Recursos], com presença em todos os continentes, em mais de 50  nações e 700 especialistas, desde 2013 vem investigando, selecionando uma dúzia de possíveis soluções, criadoras de sustentabilidade para uma segurança alimentar futura em todo mundo.

Para isso será preciso buscar garantia por meio da redução dos níveis do  desperdício e das perdas de alimentos, respeitando novas dietas como processo ao benefício comum, programando uma transição mais circular da economia, numa verdadeira economia para todos.

Assim, com os 12 programas vão ser criados departamentos autônomos, que trabalharão em rede partindo da Food Loss & Waste Protocol [Alimentação Perdida e Protocolo do Desperdício]. Nessas práticas se aplicarão fusões modernas, únicas a nível global medindo perdas e desperdício alimentar.

A interação também deve envolver governos, companhias comerciais, indústria, entre outros do ramo para melhor controlar a produção e a criação tabelada dessas produções com seus indicadores anuais.

Meta do Milênio de acabar com a fome no mundo está longe de ser alcançada

Pela experiência dos indicadores tanto quanto do passado, necessário virá ser cortar até 50% dessa alimentação negligenciada entre outra tanta vulgarmente perdida.

Decididamente, ficou a cargo de 40 executivos, escolhidos no plano internacional, criar pontos nevrálgicos como sendo identificados, assim como uma tabela com propostas de reformas efetivas. Para isso, serão definidas áreas prioritárias para produção, consumo e reserva.

É quanto entrará a ciência com projetos, com fornecedores potenciáveis a níveis recomendados pela medicina, como na redução do efeito de estufa.

Resumindo e simplificando: o mundo vai precisar de uma área idêntica ao território russo [ou seja: 1.5 bilhão de hectares ou 3.7 bilhões de acres], produzindo o mais básico.

Será preciso igualmente restaurar florestas e vales produtivos, como forma de melhorar a vida dos mais pobres.

Com a recessão e a má distribuição de renda, Brasil volta para o mapa da fome

Novamente outra solução será aplicada ao reformismo alimentar. Aqui  entrará a Food Global Restoration Iniciative [Iniciativa Global para a Recuperação Alimentar], pretendendo reassumir mais de 500 milhões de hectares ou o equivalente a metade do território chinês até 2030. Restará outro combate ainda no segredo sobre parcerias e burocracias de cada nação.

Outra ênfase deve ser dada à conservação da biodiversidade. Depois, proteção da água, criação de empregos, eliminação gradual dos diversos fatores de poluição industrial, incluindo veículos e sistemas.

Do projeto, a WRI aplicará estratégia prioritária para o total do continente africano na iniciativa 20×20 ocupando mais de 20 milhões de hectares.

Em seguida virá a América Latina e Caraíbas, com propostas para recuperar 100 milhões de hectares. Será preciso também dedicar profunda atenção ao controle da prática ilegal e destrutiva das madeiras nobres. Para essa tarefa a Forest Legality Iniciative criou o portal Open Timber Site, por onde aconselha departamentos florestais.

E em Itabira não é diferente, com aumento da população de rua (Foto: Carlos Cruz)

Em ação futura: 1- Alimentação; 2- Florestas; 3- Água; 4- Energia; 5- Cidades; 6- Clima; 7-  Oceanos; 8- Empregos; 9- Educação; 10- Reciclagens; 11- Indústrias Renováveis; 12- Ecologia.

No dizer do povo: «A luta continua…» E seguindo a norma, certamente com mais cúpulas discutindo termos estratégicos que nunca apresentam resultados práticos positivos.

E os mais afetados continuarão sendo os mais vulneráveis milhões de vezes. Mas fica a torcida, com boa dose de positivismo, acreditando que desta vez os homens do comando global irão acertar todas as agulhas num só diapasão.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-caboverdiano

 

 

Sobre o Autor

2 Comentários

  1. Cristina Silveira, A Velha Vermelha em

    …..até 2050 haverá um acréscimo de centenas de milhões dos habitantes em todo o mundo. A população mundial chegará aos 10 bilhões….. e o cenário não mudará. Os dono do poder já estão projetando a mudança para o espaço sideral e aqui, no chão da terra restará a verdadeira falência humana.

    Vladimir Romano, que assinatura interessante: russo e roma…., gosto dos seus textos, são os únicos a tratar de conjuntura internacional aqui na Vila. Apareça em Itabira e depois deixe a sua opinião de olhar russo-romano. Saudações russas

  2. Mauro Andrade Moura em

    Interessante, Cristina, realmente é somente o Vla a tratar da conjuntura mundial.
    Já fiz o convite a ele para vir conhecer a terra do Poeta que ele tanto admira.
    Apareça, meu amigo!

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