Com venda bilionária de ações pelo BNDES, União vai se desfazendo do que ainda resta de sua participação na Vale

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Em nome da política de desinvestimento, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES vendeu, nesta terça-feira (4), 130 milhões de ações da empresa Vale, pelo valor de R$ 8,13 bilhões. A expectativa inicial era dispor de 100 milhões de ações, mas a forte demanda pelo papel superou a meta.

No início do pregão, o valor unitário das ações foi negociado a R$ 58,76, mas fechou a R$ 60,26, segundo o Bloomberg, empresa global de informações financeiras e notícias – e também de investimentos.

Com a venda, o BNDES desfaz de 60% de sua posição em papéis da mineradora, da parte que não está incluída no acordo de acionistas –e que só pode ser vendida depois de novembro, quando o banco deve se desfazer de outra parte significativa, se não a totalidade de suas ações na mineradora.

De acordo com a mesma fonte, o banco de fomento possuía antes da venda de hoje uma participação total de 323,5 milhões de ações da Vale, que correspondem a 6,3% do capital da mineradora, participação essa avaliada em R$ 20 bilhões.

Privatização

Em 1996, no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a União privatizou a empresa, desfazendo-se de parte significativa de sua participação, que lhe dava o controle acionário, pela “bagatela” de R$ 3 bilhões, quando o real tinha paridade com o dólar.

Foi mais que um pechincha, pois a empresa estava avaliada em R$ 60 bilhões. A União se desfez do controle acionário da segunda maior estatal do país pelo equivalente a 5% de seu valor efetivo e comercial. Em julho deste ano, a companhia alcançou o seu maior valor de mercado na B3 (Ibovespa), avaliado em R$ 320 bilhões.

A privatização da Vale, agora em uma segunda etapa, prossegue com o BNDES se desfazendo de seus papeis da mineradora, o que deixa o mercado exultante e o país mais pobre.

Acordo de acionistas

Ainda de acordo com o Bloomberg, do total das ações do BNDES na mineradora, 117,5 milhões de papéis, ou 2,26% de um total de 6,3% da participação da instituição na ex-estatal, estão amarrados a um “acordo de acionistas” – e só podem ser vendidos a partir de novembro.

Já do montante fora do contrato, foram colocadas à venda mais de 60% da posição do BNDES na mineradora no leilão de hoje. Com a política de desinvestimento em curso, o mais provável é que o banco se desfaça da totalidade de sua participação na Vale assim que não houver mais impedimento, com o fim do “acordo de acionistas”.

A estimativa inicial era vender entre 100 milhões e 130 milhões de ativos VALE3, com o valor unitário do papel cotado a R$ 58,76, representando um desconto de 2,49% frente os R$ 60,26 do fechamento da véspera.

A expectativa era levantar entre R$ 5,87 bilhões a R$ 7,6 bilhões com o desinvestimento. Mas com a venda em bloco, foram apurados R$ 8,13 bilhões.

Mesmo com a venda em bloco, as ações da Vale mostraram resiliência. O papel teve uma leve alta de 0,73%, em meio a queda do Ibovespa de 1,57% no pregão de hoje.

Petrobras

O próximo passo da política de desinvestimento do BNDES é desfazer de até U$ 1 bilhão de sua participação na Petrobras (PETR3 e PETR4), segundo a mesma agência Bloomberg.

O banco ainda detém 8% do capital da gigante ainda estatal do petróleo, mesmo tendo vendido, em fevereiro,  R$ 22 bilhões em ações da Petrobras.

No total, o BNDES conta com ativos que somam cerca de R$ 61,4 bilhões em empresas de capital aberto, distribuídos em ações também da fabricante de celulose Suzano (SUZB3) e de embalagens Klabin (KLN11). Da mesma forma, o pretende se desfazer desses papéis.

Com a política de desinvestimento do BNDES, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) segue com a sua política de menos Estado e mais mercado, instituindo o Estado Mínimo, tão ao gosto do capital que tudo pode na economia brasileira.

No destaque, ativos da mineradora Vale no complexo Cauê, em Itabira (Foto: Carlos Cruz)

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