Com reviravolta, Heraldo Noronha é eleito presidente da Câmara Municipal de Itabira

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Deu zebra na eleição da nova mesa diretora da Câmara Municipal de Itabira, ocorrida nesta terça-feira (20), pouco depois de encerrada a sessão legislativa. As articulações do governo municipal para eleger o sucessor do vereador Neidson Freitas (PP) na presidência falharam.

Heraldo Noronha vibra ao saber o resultado. Na foto em destaque, os vencedores da disputa eleitoral na Câmara Municipal (Fotos: Carlos Cruz)

Por nove votos a oito, Heraldo Noronha Rodrigues (PTB), derrotou com votos da oposição e de vereadores “dissidentes” o candidato governista Carlos Henrique Filho (Podemos), o Carlim “Sacolão”, atual líder do governo na Câmara.

Noronha irá presidir o legislativo itabirano no próximo biênio 2019-20 com um orçamento anual maior que a maioria dos municípios vizinhos: R$ 14 milhões previstos só para o próximo ano.

O processo eleitoral para renovação da mesa diretora da Câmara foi aberto no dia 18 – e tinha prazo para ocorrer em até 30 dias antes do término das atividades parlamentares, em 18 de dezembro. Entretanto, a bancada situacionista percebendo o crescimento da oposição, com o apoio dos “dissidentes”, decidiu adiantar a eleição com requerimento apresentado nesta terça-feira para que o pleito ocorresse após a sessão ordinária.

Euforia e decepção

Entretanto, a artimanha não deu certo. Após a votação, o clima foi de euforia entre os vencedores e, claro, de decepção entre os derrotados. Visivelmente emocionado, Heraldo Noronha já fala em conciliação com os governistas, sem se esquecer que foi eleito também com os votos dos vereadores Weverton “Vetão” Santos Andrade (PSB) e Reginaldo das Mercês Santos (PTB), ambos da até aqui minúscula base oposicionista.

Carlinhos “Sacolão” cumprimenta Heraldo pela vitória

“Não somos contra o governo, mas queremos uma coisa diferente para que a população seja mais ouvida e melhor tratada”, fez questão de esclarecer o vereador eleito presidente em sua primeira entrevista coletiva após a eleição.

A próxima mesa diretora será formada ainda pelos vereadores Reinaldo Soares Lacerda (PHS, vice-presidente), André Viana (Podemos, primeiro secretário), Weverton “Nenzinho” Júlio de Freitas Limões (PMN, segundo secretário) – todos da base governista.

Independência

Reinaldo Lacerda, que abriu mão de sua candidatura à presidente para eleger Noronha, acredita que com a nova mesa diretora o legislativo itabirano irá trabalhar com mais independência. “Queremos manter uma relação harmônica com o executivo”, contemporiza.

Para o vereador André Viana, um dos principais articuladores da chapa “dissidente”, trata-se de uma coalizão formada por vereadores que pensam diferente. “Não é uma derrota do governo. É uma reafirmação do poder legislativo, uma luz de esperança que acende em Itabira.”

Resignação

Público formado principalmente por funcionários da Câmara acompanha a votação

Candidato à presidência derrotado, Carlinhos Filho disse ter ficado surpreso com o resultado, mas ressalta que perder faz parte do jogo político. “Fomos para a eleição acreditando que teríamos os votos suficientes. Mas algumas palavras não se sustentaram”, lamenta.

Segundo ele, alguns vereadores que apertaram a sua mão fazendo compromisso faltaram com a palavra. “Eu não estou habituado com esse tipo de situação”, disse ele em entrevista, desejando sucesso ao presidente eleito. “Vamos seguir em frente buscando atender melhor aos anseios da população.”

Neidson diz que irá entrar com projeto para reduzir o número de vereadores

O presidente Neidson Freitas (PP) afirma que na eleição da mesa diretora não houve vencedores e nem perdedores, ganhando a democracia. “A Câmara vai seguir o seu rito, com equipe de servidores preparada para dar suporte aos novos dirigentes.”

Neidson Freitas anuncia o resultado e diz que vai apresentar projeto para reduzir número de vereadores

Ele disse que nos próximos dois anos de seu mandato irá dedicar a cumprir as promessas da campanha eleitoral que o elegeu vereador em 2016.

“Pretendo já no próximo ano entrar com projeto para reduzir o número de vereadores de 17 para 11, que é suficiente para conduzir os trabalhos e dar uma resposta satisfatória no que diz respeito à representatividade da população.”

Freitas relembra que em seus dois mandatos anteriores era esse o número de vereadores na Câmara Municipal de Itabira.

Com a redução, ele acredita que será possível economizar em torno de R$ 16 milhões nos quatro anos do próximo mandato. “O meu propósito é dar continuidade à redução dos gastos da máquina pública.”

Segundo ele, medidas de austeridade foram adotadas nos dois anos em que presidiu o legislativo itabirano. “Fizemos cortes nos salários dos servidores e também em contratos, criamos o pregão eletrônico que reduziu os valores dos contratos, entre outras medidas de austeridade”, relaciona.

 

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