Com quantas metades se faz um inteiro

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Marcelo Procopio

Teria sido constrangedor se a gente brasileira já não soubesse que Temer é esse. É que o Brasil deixou de ser visto com bons olhos desde que, com o golpe, abandonou a política de reduzir a miséria: distribuição de renda com crescimento econômico.   Deixou de lado o famoso, desde a ditadura, lema de antes fazer o bolo crescer. O que nunca havia ocorrido até o início dos anos zero do sec. 21.

Foi ignorado no G20 por sua insignificância e invisibilidade política. Não que os outros 19 países andem bem das pernas e da cabeça. Estas economias que comandam a Terra estão criando cada vez mais pobreza em seus próprios países.

É o efeito do poder do mercado. Que no Brasil, com partidos de direita, financiou a derrubada de Dilma, com apoio da ignorante classe média e média alta. Mas Temer é um incapaz. Tornou-se descartável.

Sobre o poder do mercado, vemos. Na França, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos, por exemplo, cada vez há mais desemprego, daí mais favelas, mas sem-teto. Gente que mora nas ruas e precisa de moedas alheias para viver mais um dia.

É o efeito do devastador neoliberalismo sacudindo seu chicote sobre os mais fracos.

Mercado é bicho ruim, que, como canta Gonzaguinha, ‘quando não tem mais o que dar cabo, primeiro morde o rabo e logo após vai se comer’.

É o que faz o capitalismo em toda parte do mundo.

54 milhões x 54 mil

De volta ao Brasil. O mercado agora pulou pro lado de Rodrigo Maia (a campanha Fora Maia já está nas ruas).

Temer, pela pressão, crimes e constrangimento pode renunciar já. Não demora. Ele é insustentável. Talvez renuncie esta semana que começou domingo, nove do sete. É uma aposta.

E aí assume Maia, outro desastre com obrigação legal de convocar eleição indireta já, em 30dias. Em 180 dias seria se Temer fosse –depois da aceitação da denúncia do PGR Janot pela Câmara – julgado e pré-cassado pelo STF.

Como lembrou o jornalista Fernando Brito, em seu blog O Tijolaço, o Brasil vai substituir uma presidenta e seus 54 milhões de votos por um Maia e seus 54 mil votos, que o elegeram deputado do Dem pelo Rio.

Brincadeira? Nada. O grande mercado tem índole cruel e se mudaram pró Maia, é para a devassidão contida nas reformas seja aprovada antes que o próprio Maia, antes que ele também caia, por crimes ou por eleição indireta.

Beco sem saída é pouco. Tem é um paredão (quem dera tivessem paredons) impedindo qualquer avanço que dê acesso ao beco com alguma fresta que nos leve à saída.

– À luz no fim do túnel e não à luz do trem que vem ao contrário.

Não dá para retroceder mais?A continuar assim,é até fácil. Só ganha quem tem poder na política, na justiça, na economia, – enquanto se destrói os ganhos e direitos sociais, as coisas belas e frágeis.

Se sai um presidente golpista e permanece a gravidade.Pois cai em mãos de outro golpista. Maia pode até ficar até 2018. E o país já decrépito, poderá aprovar, no mínimo, a reforma trabalhista: sem debate democrático até exaurir as maldades contidas em seu texto. E sem o voto plebiscitário. O sim ou não.

Diretas já e Tutú Caramujo

Por isso as Diretas Já seriam a saída. Há mobilizações para pressionar, nas ruas e redes sociais. Mas tem uma Constituição no meio do caminho esbarrando no ‘não’.

Só uma emenda constitucional quebra a pedra. Mas há uma conformação popular por descrédito na política.

Na situação em que o país vive, era para ter mais de milhão nas capitais, muitos milhares em cada interior. Teve 40 mil em Belo Horizonte. E quantos em Itabira? Mil, dois mil? (Carlos Cruz cobriu em Itabira, leia aqui)

Você tem medo de quê? Se pior sempre pode ficar porque políticos canalhas e corruptos têm cara de pau sob influência direta da casa dos cupins, também conhecida como mercado.

Enquanto não sai, o desgoverno Temer reduz força e verbas da PF e do MP, e, sabe-se, a Lava Jato não chega na direita por ideologia e compadrio, e parcialidade.

Até agora só (só?) atingiram PT, empreiteiras, por consequência a economia com milhões de empregos perdidos.

E a Petrobras em ritmo de entrega ao estrangeiro com todo o pré-sal junto.

Lembra Itabira, não? Tinha lá a redenção da cidade: a Montanha de Ferro. A maior reserva de minério de ferro do mundo se esvaiu e Itabira continua devagar.

Devagar o trem ainda passa cheio de minério. Devagar o cachorro cisma. Devagar as janelas olham desanimadas com o futuro. Devagar homens e mulheres indagam em silêncio, porque a Companhia mirrou o leite prometido. Devagar os prefeitos se liquefazem.

Só Tutú Caramujo sabe que tudo isso era e é incomparável.  E irreparável.

A ‘certeza’ Moro; a incerteza Lula

E para terminar. O autocrático monocrático Sergio Moro deve sua fama à grande e velha mídia, que ainda tem poder de fogo – é quase só brasa que sobrou, mas ainda queima.

Vai, no dia que puder (legalmente já pode desde 21 de junho), dar seu veredicto sobre a vasta, e de culpa nunca provada, investigação sobre Lula.

Se Moro se mantiver fiel à velha mídia e ao mercado, condenará Lula em primeira instância. Precisa satisfazer quem lhe soprou vida e fama. Pode ser que o 4º Tribunal Regional, em Porto Alegre, absolva Lula. Tudo leva muito tempo. Não haveria mais tempo para diretas já.

Mas a reação brasileira, do povo brasileiro, será imprevisível. Pode ser que tudo pegue fogo. E tenhamos –já temos– que recomeçar a restabelecer a democracia outra vez.

Mas como? Não havendo diretas já, teremos eleição em outubro do ano que vem.

Talvez Lula possa concorrer. Se não, brasileiros e brasileiras, se Ciro Gomes não embarcar num foguete, a síndrome Trump, ou a evangélica/bélica, nos dará o pior dos futuros imediatos: João Dória, o ignorante da pauliceia, ou Jair Bolsonaro, outra bomba de implodir avanços e liberdades em nome de seu deus e balas de revólver.

O que esperar? Que Ciro Gomes não seja só um Brizola pela metade. E que Lula seja pelo menos a metade do que era em 1989.

 

 

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1 comentário

  1. Mauro Andrade Moura on

    Vem aí o Parlamentarismo no Brasil, pois nestes governos de coalizão foi demonstrado muito bem como não funcionam.

    Na fotografia do G-20 fizeram algo muito inusitado, pois colocaram o turco presidente da Turquia al lado do libanês presidente do Brasil. Deve ser para tripudiar dos dois, penso eu.

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