Com o Atlético sempre à procura do gol, Sampaoli já é sinônimo de futebol-arte como nos bons tempos do Brasileiro

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Luiz Linhares*

As duas últimas atuações do Atlético em casa foram de encantar. Digamos que o time se aproximou da perfeição. Vencer o Grêmio e Vasco da Gama em casa não tem nada de anormal na vida cotidiana do Clube Atlético Mineiro. O diferencial é que vivemos um novo, algo em que tudo se transforma em fora do normal.

No passado, com essas duas vitórias, e no resumo geral com a excelência que o time está jogando, com certeza teríamos um Mineirão com quase 70 mil vozes se agitando e gritando bem alto o nome do Galo.

Sem torcida, com todo o ritual de precauções pela pandemia que nos assola, perdemos esse grande espetáculo. Mas em compensação, nas quatro linhas o que vemos, com o Atlético em campo, é um futebol bonito e pra frente, buscando o gol com volúpia como só via acontecer nos bons tempos do futebol brasileiro.

No Atlético o clima é de alegria e descontração. No destaque, Jorge Sampaoli que monta um time diferente para vencer em cada partida (Fotos;Bruno Cantini/Altético)

Sampaoli já mostra e comprova a sua eficiência, assim como tem uma precisa avaliação do grupo que tem em mãos. E assim alternado táticas e atletas, o time se mantém na liderança isolada do Brasileiro com uma partida a menos em relação aos seus oponentes diretos.

Como perfeccionista o argentino exige mais da diretoria, e exige mais uma ou duas peças para incrementar o grupo com a força que ele define como ideal para buscar títulos.

Sampaoli é um técnico diferenciado. Mexe daqui, acolá e sempre encontra os atletas certos para cada adversário, para vencê-lo e manter o Galo no topo. Observe, por exemplo, o acerto que foi a insistência do técnico pela contratação do goleiro Ederson.

O torcedor até recentemente achava desnecessário. Mas já se rendeu à novidade e ao jeito seguro de jogar do novo goleiro, que já encanta o torcedor.

É o que ocorre também com os dois alas, Guga e Arana. Ambos estão crescendo a cada partida. Júnior Alonso, a fortaleza, tomou conta da zaga, não se esquecendo do Jair que tem jogado o fino, trata a bola com carinho e tem mira certeira, é o que menos erra passes.

Franco também tem se apresentação com perfeição. E o Nathan voltou de uma contusão e com ele o time cresceu em criação e força de ataque. Tudo isso o acerto de Sampaoli ao insistir com o Keno, que demorou para cair nas graças da desconfiada torcida atleticana.

Mas com a performance de goleador que demonstrou nas três últimas partidas, com participação decisivas no ataque, não haveria como não agradar e fazer as pazes com a torcida. Ele sabe que a fórmula é simples para manter o prestígio: só balançar as redes, como tem feito.

Até parece que o Atlético só tem atacantes. O time é todo ofensivo e coletivo. Marca que já virou registro de um time que tem tudo para se manter no ápice da única competição que disputa neste ano e começo do próximo.

Isso mesmo com a perda, pelas três próximas partidas, de algumas peças importantes, que são os gringos latino-americanos convocados para defenderam a camisa da seleção de seus países.

Será a oportunidade para mostrar a força do grupo e de toda a rodagem de Sampaoli, quem sabe como poucos, montar times sempre ofensivos. E quem entrar em jogo, com certeza saber mostrar a cara e o seu valor para estar nesse grupo de lutadores e aplicados jogadores.

Foi o que se viu no primeiro tempo arrasador do Atlético para cima do Vasco da Gama. É assim que o torcedor acalenta com uma boa dose de realismo, o sonho do bicampeonato para quando chegar o fim da competição no início de 2021. Vai ser emocionante ver e ouvir a torcida atleticana soltar o grito “é campeão”, quem sabe, ao vivo e em cores a plenos pulmões no Mineirão.

Cruzeiro volta a perder em jogo sem foco e pouca objetividade, perpetuando a má fase

Já no Cruzeiro falta muito para o time melhorar e voltar a vencer, enquanto o tempo urge (Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)

Permanece assim a mística do futebol mineiro: quando um time ganha, o outro perde, um com tudo outro com nada. Já nos acostumamos na vida a destacar que sorte é também elemento de sobrevivência.

Ao Cruzeiro, ao que parece, nem isso existe mais. Falta muito para o time melhorar e honrar a camisa celeste. Ajustes precisam ser feitos de toda ordem, principalmente para que se tenha equilíbrio financeiro.

Ao torcedor o que interessa é o rendimento do time, para que volte a brigar pelo gol, deixando de ficar constantemente entre o céu e o inferno. Ao vencer o Ponte Preta no Mineirão, parecia que tudo ia mudar.

Mas a esperança da torcida durou pouco. Foi o time ao Mato Grosso enfrentar o líder da série B e o bom futebol não se repetiu. Não teve a sequência positiva que se esperava.

Se não fez para merecer vencer, também não foi justo ter sido derrotado. Levar um gol no último lance do jogo tendo a bola em seu poder no ataque foi demais.

Prova da inconstância da equipe que até, durante a partida, foi bem na força de destruição. Mas foi pobre de criação e ofensividade. Teve pouquíssimas chances para fazer o gol e ganhar.

Não teve força e capacidade para superar o momento ruim. E volta a dura posição de um dos quatro piores da série B. Mas leva para o próximo embate a esperança de afastar a má fase.

Leve e solto na Copa do Brasil, América titubeia e patina na série B do Brasileiro

O técnico Lisca em treino com os jogadores (Foto: João Zebral/América)

Já o América vai dando sopa ao azar. Segue muito na Copa do Brasil, está nas oitavas de final. Com isso, faturou uma baita grana. Terá agora o Corinthians pela frente com segundo jogo em Belo Horizonte.

Na Copa do Brasil o Coelho está leve e solto, como é de seu feitio. O que vier pela frente já é puro lucro. Mas não é o que acontece com o time mineiro na série B do Brasileirão.

Foram três jogos seguidos com o placar zerado. E em todas as ampla possibilidade de vencer. Mas o que se viu foram erros constantes no momento de se definir.

Tudo poderia ser fantástico, mas já não está tão colado nos primeiros colocados. O América precisa voltar a vencer para figurar entre os postulantes à ascensão para a série A.

*Luiz Linhares é diretor de Esportes da rádio Itabira-AM

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Sobre o Autor

1 comentário

  1. Cristina, A Tricolor on

    De tanto ler esta coluna “atleticana”, desisti do Valeriodoce, um amigo me convenceu , agora sou só Fluminense….
    Luiz Linhares, gosto dos seus textos mais do que gosto de futebol.

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