Com instalação de interceptores, Itabira se prepara para tratar 91% do esgoto urbano

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Já são cerca de R$ 908 mil investidos pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Itabira (Saae) em duas interligações das redes de  esgotamento sanitário dos bairros São Geraldo e São Marcos, para que enfim os efluentes desses bairros sigam até a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Laboreaux, após serem ligados à rede coletora na sub-bacia do córrego da Penha.

Priscila Martins da Costa anunciou, na reunião do Codema, o objetivo de tratar 91% do esgoto urbano de Itabira. Atualmente, com a instalação de interceptores, já trata 44% (Fotos: Carlos Cruz)

A informação é do Saae e foi repassada pela secretária municipal de Meio Ambiente, Priscila Braga Martins da Costa, aos membros do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema), reunidos na quinta-feira (5), no auditório do Parque Natural Municipal do Intelecto.

“Com esses interceptores, Itabira que hoje só trata 44% de seu esgoto urbano, passa a ter um índice de tratamento de 56%, suficiente para habilitar o município a receber uma fatia maior do ICMS ecológico”, disse a secretária. “A meta do Saae é interceptar e tratar 91% do esgoto sanitário da cidade.”

No total, está prevista a instalação de 5 mil metros de redes interceptoras, que passarão sob a estrada de ferro. O investimento previsto é de cerca de R$ 2 milhões. Os recursos são provenientes da taxa de esgoto.

Essa taxa foi estipulada em 30% sobre o valor cobrado pela água tratada que chega nos domiílios urbanos, conforme autorizou no ano passado a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG).

A justificativa para a “reconstrução tarifária”, eufemismo para o aumento da tarifa da água cobrada pelo Saae, foi de que, sem o reajuste, a autarquia municipal não disporia de recursos suficientes para cumprir o que dispõe o Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), aprovado em 2017.

Gargalo

Com os interceptores, o esgoto deixará de correr a céu aberto no córrego da Penha

Os interceptores passarão sob a linha férrea, um gargalo que até então impedia a ligação à ETE de mais da metade do esgoto da cidade. Sem essa ligação, apenas 44% dos bairros da cidade estavam interligados, o que atingia pouco mais de 44 mil moradores.

Para transpor esse obstáculo, terão de ser construídos 11 pontos de travessia ao longo da ferrovia. Após a conclusão, todas as redes de esgoto existentes à montante da estrada de ferro estarão interligadas às redes localizadas à jusante, no córrego da Penha. E seguirão em direção à ETE.

Em negociação com a Vale, a solução encontrada não interfere no funcionamento da estrada de ferro. “Os interceptores estão passando sob a linha férrea, uma tecnologia interessante, que não causa interrupção da estrada de ferro. Uma sonda passa com uma mangueira, abrindo passagem para os interceptores”, explicou a secretária de Meio Ambiente aos membros do Codema.

Duplicação

Duplicada, ETE Laboreaux terá capacidade para tratar 91% do esgoto da cidade

Além de fazer as interligações, o Saae está também concluindo a duplicação da ETE Laboreaux, obra orçada em R$ 13,8 milhões e que teve início em 2015. Desse total, o governo do ex-prefeito Damon Lázaro de Sena (PV) alocou R$ 7,8 milhões, que possibilitaram um avanço de 55% das obras. O restante, o governo federal tem repassado ao município de acordo com o avanço das obras.

Os recursos para a ampliação da ETE são provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC III), que financia também a duplicação da ETA dos Gatos. Ambos foram liberados ainda no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Despoluição

Plano Municipal de Saneamento Básico preconiza a despoluição de todos os cursos d’água existentes no município

Concluídas as obras de duplicação da ETE, e com a totalidade dos interceptores instalada, só ficarão sem tratamento sanitário os bairros Pedreira do Instituto, Chapada e Boa Esperança, além do distrito de Senhora do Carmo. Ipoema já conta com uma ETE, mas falta também concluir a instalação dos interceptores.

É preciso, ainda, que o Saae retorne com o programa de construção de fossas sépticas na zona rural, despoluindo os rios Tanque e do Peixe. Feito isso, Itabira deixará de poluir a bacia do rio Doce com o esgoto gerado no município.

Dessa forma, irá assegurar mais qualidade de vida para os moradores, além de dispor de mais um forte atrativo para incrementar o turismo rural. “Poucas cidades de Minas, e do país, estarão com um índice tão alto de esgoto tratado como o que será alcançado por Itabira”, acredita a secretária municipal de Meio Ambiente, que vislumbra “muita coisa boa para o meio ambiente no município ainda neste governo”.

 

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