Com grande expectativa, comércio de Itabira aguarda o pagamento da PLR aos empregados da Vale

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Como ocorre todos os anos, é grande a expectativa no comércio local, inclusive no setor imobiliário, com a movimentação que deve advir com o pagamento pela Vale da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o que deve ocorrer no mês de março, segundo anuncia o sindicato Metabase, que está em negociações com a empresa, representando os mais de 4 mil mineiros de Itabira.

Trata-se de uma renda variável que a empresa paga anualmente, após negociações com as entidades representativas da categoria, de acordo com a lucratividade e produtividade obtida no ano anterior – um direito constitucional, regulamentado pela Lei Federal 10.101/2000. Mas não têm sido fáceis as negociações em torno dos valores a serem pagos.

Segundo o presidente do Metabase, André Viana, as reuniões têm sido tensas e difíceis. É que a empresa, segundo ele, pretende debitar na conta dos trabalhadores parte das indenizações devidas com o rompimento da barragem em Brumadinho, em 25 de janeiro do ano passado, que provocou a morte de 270 pessoas, entre trabalhadores (a maioria), moradores e turistas, além de deixar um rastro de destruição ambiental por todo o percurso do rio Paraopeba.

“Não aceitamos que essa conta seja repartida entre os trabalhadores, que também são vítimas desse crime”, sustenta o sindicalista, que se mantém irredutível, na defesa dos interesses dos associados do Metabase.

Negociações

Dirigentes sindicais têm-se reunido com a Vale para negociar o pagamento da PLR, que deve sair em março (Fotos: Divulgação)

Com as negociações em curso, o sindicato reivindica que o pagamento da PLR seja efetuado até o dia 1 de março. E que seja proporcional ao lucro obtido pela empresa, cujo valor final ainda depende do fechamento do balanço e do relatório anual do mercado, assim como da análise do painel de metas, com base em questões regionais e locais de cada uma das unidades da empresa.

Na reunião de terça-feira (7) com os representantes da Vale, André do Carmo, gerente de Infraestrutura de Minas, e Divino Andrade, da gerência de Relações Trabalhistas, os representantes do sindicato apresentaram outros pontos que consideram importantes para que as negociações avancem e tragam ganhos efetivos aos empregados da mineradora.

Entre os pontos que o sindicato tem se mostrado contrário, na defesa dos direitos dos mineiros, está a decisão da empresa de descontar, no valor a ser pago, um empréstimo efetuado em 2015, quando não houve pagamento da PLR, equivalente a meio salário de cada empregado. O sindicato é contra, já que o trabalhador não recebeu naquele ano que lhe era devido como contrapartida pelo lucro que proporcionou à mineradora.

Os sindicalistas também não concordam com a mudança no modelo de PLR que está sendo proposto para o ano de 2021, já que o atual a empresa considera “agressivo”. Em contrapartida à proposta patronal, o sindicato reivindica que a mudança ocorra com a divisão dos lucros entre todos os empregados por valores iguais, independentemente do cargo, o que dificilmente será aceito pela empresa.

A justificativa para essa distribuição equânime visa corrigir uma distorção, como a ocorrida em 2017, quando o ex-presidente Murilo Ferreira recebeu a bagatela de R$ 60 milhões referentes à PLR daquele ano.

Regionalização

Os dirigentes sindicais também não concordam com o rateio da participação nos lucros e resultados seja feito em parcelas diferenciadas, considerando a participação de cada região.

Para o sindicato, essa é uma estratégia divisionista, considera inaceitável por jogar os trabalhadores da região Norte (Pará e Maranhão), onde o minério é de melhor qualidade, e que por isso demanda menor esforço produtivo, contra os que trabalham na região Sudeste, que inclui os complexos de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Essa regionalização não é aceita pelos sindicalistas pelo evidente prejuízo que causará aos empregados de setores menos produtivos, em decorrência não do esforço laboral, mas da qualidade dos recursos minerais disponíveis.

“Existe um lobby de uma minoria poderosa na empresa que visa desvalorizar o sistema Sudeste, o que é inaceitável”, subiu o tom André Viana na reunião com os representantes da Vale. “Não aceitamos essa mudança de critérios”, disse o sindicalista, que classifica a proposta como sendo uma “canalhice” por parte da empresa.

“O sistema Sudeste é responsável pela segunda maior produção de minério de ferro da Vale no mundo”, salienta André Viana, para quem o rateio da PLR deve levar em consideração esse caráter globalizante da produção mineral da empresa.

A próxima reunião do sindicato com os representantes da mineradora está agendada para o dia 14. E até o final do mês deve ser realizada uma assembleia da categoria para deliberar sobre a proposta patronal.

 

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