Com as chuvas, cinturão verde entre as minas e a cidade será reforçado com plantio de árvores nativas

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Com o início da estação chuvosa, a mineradora Vale deu início ao plantio de reforço do cinturão verde, implantado em Itabira entre outubro de 2000 a março de 2001, como parte da condicionante 35, com o objetivo de reduzir a emissão de poeira que sai das minas e cai sobre a cidade.

Na ocasião foram plantadas 32 mil mudas de árvores nativas, de 70 espécies diferentes, que reforçaram a vegetação homogênea de eucalipto anteriormente existente no mesmo trecho, que será agora adensado.

Cinturão verde foi bastante agredido por incêndios florestais sem controle e será reforçado com plantio de árvores nativas (Fotos: Carlos Cruz e Mauro Moura)

A medida já vem atrasada, embora com inicio certo, por cobrir todo o período chuvoso. Mas a condicionante, que é permanente, e que obriga a mineradora a dar manutenção periódica nessa que os técnicos chamam de “barreira arbórea de contenção de particulados vindos das minas”, não vinha sendo cumprida integralmente pela mineradora.

É que o que se pode observar com as enormes falhas na vegetação em vários trechos, seja pelo não desenvolvimento de parte das mudas plantadas, como também pela destruição das espécies por sucessivos incêndios florestais.

Essas falhas serão agora suprimidas com o plantio exclusivo de espécies nativas, conforme cronograma apresentado pela mineradora à Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Breno Brant, da Vale, apresentou o cronograma de plantio ao Codema

Segundo informa o representante da Vale no Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema), o engenheiro Breno Sales Caldeira Brant, “o adensamento do cinturão verde será feito exclusivamente com plantio de espécies arbóreas nativas”.

Cobrirá um trecho de 8,5 quilômetros de extensão, entre Conceição, próximo à rodovia estadual, passando pela estrada 105 e seguindo até o complexo Cauê.

Serão plantadas 11 mil mudas de bougainvilles, 10 mil de sansão do campo, e outras 1.720 mudas de ipê roxo, paineira, chuva de ouro, pau cigarra e fedegoso, que são espécies nativas.

“As mudas foram desenvolvidas e aclimatadas no viveiro da mina Conceição”, conta o representante da Vale no Codema. O cronograma de implantação já foi protocolado na Prefeitura. Na fase de plantio, que encerra em abril, serão empregados 15 trabalhadores.

Algumas árvores que serão plantadas no cinturão verde

A abertura de covas e a preparação do solo, com a correção necessária, já foram concluídas antes do período chuvoso.

Serão também abertos aceiros para proteger as mudas do fogo no período de estiagem, além de cercamento de todo o perímetro.

E após o plantio será dada manutenção permanente até que o cinturão verde se restabeleça, mantendo-se o replantio permanente das mudas que não desenvolverem como o esperado.

A manutenção inclui também o controle de espécies invasoras (braquiárias, e outras espécies exóticas), por meio de coroamento em volta das mudas, além do combate às formigas.

Espera-se que seja feito também um controle mais rigoroso dos incêndios florestais, que neste ano fizeram estragos no cinturão verde e em várias outras áreas florestais da mineradora, sem que ocorresse um efetivo e eficiente combate por parte dos brigadistas contratados pela Vale.

Conversão de florestas homogêneas em mata nativa é outra condicionante que não foi cumprida integralmente

Florestas de pinus: conversão de florestas consiste em suprimir a floresta homogênea para a área ser plantada com espécies nativas

O reflorestamento com espécies nativas nesse cinturão verde é importante não só por contribuir com a retenção de parte da poeira de minério, como também por melhorar a qualidade do ar ao realizar a fotossíntese, com o sequestro do dióxido de carbono (CO2) e liberação de oxigênio (O2).

Daí que é importante a Vale cumprir também o que dispõe a condicionante 33, que trata da substituição de florestas homogêneas nas pilhas de estéril e demais áreas reflorestadas da empresa por espécies arbóreas nativas.

A Vale deu inicio a esse processo, que chama de conversão de florestas, com bons resultados iniciais na década passada. Porém, não deu continuidade ou desacelerou o processo.

A primeira conversão ocorreu em uma área de 206 hectares que estava plantada com eucalipto, ocorrendo a sua supressão e substituição por espécies nativas. Fica na localidade denominada Pedreira 2, a 15 quilômetros de Itabira, próxima do povoado Morro de Santo Antônio. É o que informa reportagem do jornal Vale Notícias, house-organ já extinto da mineradora, de setembro de 2004.

Na ocasião, foram plantadas mais de 100 mil mudas de espécies de sucessão. Também na região do Pontal foi dado início à conversão com a supressão de eucaliptos e o florescimento de sub-bosques com espécies nativas. Porém, os incêndios florestais sem o devido combate destruíram grande parte da vegetação natural que vinha sendo desenvolvida.

Remanescentes

Mata de pinus com sub-bosque formado por remanescente de espécies nativas

É preciso, portanto, que a empresa cumpra integralmente essa condicionante. No entorno da cidade de Itabira, a Vale dispõe de 14 mil hectares entre áreas de mineração, florestas homogêneas (pinus e eucalipto) e remanescentes do bioma Mata Atlântica.

Desses remanescentes, a empresa mantém 3.775,45 hectares como Reserva Legal (RL) e Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPNs).

As reservas atuais são Borrachudo com 1.053,17 hectares, Jirau com 946,44 hectares, Santana com 329,44 hectares e São José com 344,93 hectares, conforme consta na mesma reportagem do informativo da mineradora.

A reserva legal do Itabiruçu, com 357,71 hectares, será suprimida com o alteamento da barragem, devendo ser compensada com a aquisição, já efetuada, de uma área com florestas nativas de uma antiga fazenda que fica próxima de Ipoema. Mas será mantida a RPPN de Itabiruçu, com 221,36 hectares ao redor da barragem, mesmo depois de ser alteada.

A outra RPPN é a Mata de São José, que fica com a sua exuberância florestal no vale do Hilário, na saída de Itabira para Senhora do Carmo e Itambé. É a antiga mata de Julião “Serrador”, no antigo vale da Onça, próximo do povoado de Monjolo da Carolina.

Portanto, subtraindo as áreas das minas, as reservas legais e as RPPNs, a Vale dispõe ainda de muita floresta homogênea para ser convertida em mata nativa – uma medida que ela já deu início na década passada, mas que não teve continuidade.

 

 

 

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3 Comentários

  1. Mauro Andrade Moura em

    Essa praga de mineradora andou cortando os eucaliptos que formavam o cinturão verde no trecho acima da Vila Paciência na Estrada 105.

    Será que dá para continuar a acreditar nessa praga que não respeita nada além do lucro descomunal dela?

  2. meu amigo e se ela for embora o que sera de todos nós. funcionarios ou nao. todos dependemos da vale. é muito facil criticar, cobrar e multar a vale, mas ninguem cobra e multa o governo por essa obra na 381 que nunca acaba, sinalizaçao mal feita, acidentes diarios. ao inves do governo multar a vale e consumir o dinheiro, o governo deveria fazer a vale bancar a obra de duplicaçao desta estrada que tanto nos cansa. talvez assim o dinheiro da multa fosse melhor aproveitado

  3. Maria José Araujo em

    É muito pouco o que ela fez e diz que vai fazer por ITABIRA, O povo acha que plantar árvores nativas é um grande presente da VALE, eles nem percebem que é o mínimo que ela tem de fazer, pq é obrigada. Saem por ai elogiando e adorando uma empresa que destruiu tudo de bom que temos, nossas riquezas naturais. principalmente as águas. No futuro bem próximo, vão chorar , a água é a fonte da vida sem ela nada teremos.

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