Com apenas mil doses, Itabira dá início à campanha de imunização. Brasil não está na lista dos próximos países que recebem vacinas da Índia

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A expectativa de chegada era para quarta-feira, mas pelo menos nesse primeiro momento o cronograma se adiantou. Nesta terça-feira (19), aterrissou em Itabira, transportado por helicóptero, o primeiro lote da vacina Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Life Science

No primeiro lote vieram apenas 1 mil doses. Outras 1 mil doses são esperadas para dar início ao processo de imunização dos grupos prioritários, inicialmente nos postos de vacinação dos hospitais Carlos Chagas (HMCC) e Nossa Senhora das Dores (HNSD).

Maria Aparecida Santos de Paula, técnica de enfermagem do HMCC, e que integra a equipe da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), exclusiva para paciente com Covid-19, foi a primeira profissional de saúde vacinada em Itabira.

Ela agora se sente mais segura enquanto aguarda pela imunidade que a vacina garante. “Mesmo com todos materiais de proteção, sinto medo de ser contaminada”, confessou.

Privilégio

A enfermeira Leide Soares de Souza foi a primeira vacinada no HNSD. No destaque,  a técnica de enfermagem Maria Aparecida Santos de Paula, do HMCC, primeira imunizada em Itabira (Fotos: Divulgação)

Já no HNSD a primeira a receber o imunizante foi a enfermeira Leide Soares de Souza, que também integra a linha de frente no combate ao novo coronavírus na UTI do hospital.

Leide se sentiu privilegiada e solidária, torcendo para que chegue logo mais lotes com a vacina para iniciar a imunização de toda a população itabirana. “Não tem que sentir medo ao ser vacinado”, disse a profissional de saúde.

“A vacina é a nossa esperança”, considera a enfermeira, que aguarda o retorno a uma vida próxima da normalidade, talvez diferente do que havia antes da pandemia, mas só assim que todos os grupos estiverem vacinados.

Prioridade

De acordo com Eliana Horta, secretária municipal de Saúde, o lote inicial de vacinas será destinado aos profissionais das UTIs exclusivas para atendimento de pacientes com Covid-19 – e também para as UTIs convencionais.

Após a imunização desse primeiro grupo passam a ser vacinados os profissionais das enfermarias de Covid-19, Pronto-Socorro Municipal e Samu.

E no terceiro grupo serão vacinados os demais profissionais de saúde do sistema público e idosos residentes em casas de longa permanência, no caso, em Itabira, do Lar de Ozanam.

A sequência da imunização ainda depende da disponibilidade de vacinas que serão destinadas pelos governos estadual e federal.

“Vale lembrar que ainda estamos recebendo os lotes emergenciais, daí que a disponibilidade ainda é reduzida, suficientes apenas para imunizar os que estão na linha de frente nas UTIs e nas enfermarias de pacientes com Covid-19”, explicou a secretária.

Brasil ainda não tem asseguradas doses suficientes para imunizar a sua população

Por má gestão e falta de empenho do governo federal, por meio do Ministério da Saúde, o Brasil largou atrás na corrida pelos imunizantes.

O presidente Jair Bolsonaro não só desdenhou da pandemia, como também da necessidade de todos vacinarem para que seja obtida a imunidade coletiva. Só assim a pandemia será página virada da história.

Em decorrência desse pouco caso com a saúde da população, o governo federal não se empenhou em adquirir volume suficiente de vacinas para imunizar os brasileiros.

Resultado: o Brasil não está na lista dos primeiros países que irão receber lotes da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, na qual o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apostou as suas fichas.

A Índia, onde o imunizante é fabricado, anunciou que dá início às exportações na quarta-feira (20) para seis países – e o Brasil não está incluído. Os primeiros lotes da vacina irão para o Butão, Maldivas, Bangladesh, Nepal, Mianmar e Seychelles.

O Brasil ficou fora também da segunda lista que a Índia encaminha, na quinta-feira, com os imunizantes da AstraZeneca, para Siri Lanka, Afeganistão e ilhas Maurício.

Fornecimento

Na segunda-feira (18), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que ainda não tinha uma resposta positiva da Índia. Daí que não sabia quando o Brasil receberia a remessa de 2 milhões de doses da vacina desenvolvida pela AstraZeneca.

Antes Bolsonaro havia anunciado que o avião já estava pronto para buscar as vacinas na Índia. Só que ele se esqueceu de combinar com os indianos.

As duas vacinas – AstraZeneca e a Coronavac – foram autorizadas no domingo pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial.

Fontes diplomáticas ouvidas pelo jornal Folha de São Paulo disseram que não existe data confirmada de fornecimento do imunizante ao Brasil.

É bem possível que o Ministério da Saúde terá de esperar pelo fornecimento aos países vizinhos asiáticos. Deve ocorrer também atraso na remessa de insumos ao Instituto Butantan pela farmacêutica chinesa Sinovac.

Compras

Com a já antevista incompetência do governo federal, prefeituras e empresas estão buscando outros fornecedores, assim que a Anvisa aprovar os demais imunizantes, além dos dois já aprovados emergencialmente.

De acordo com o ex-ministro Henrique Mandetta, a situação brasileira é delicada pelo fato de o Instituto Butantan ainda não produzir o imunizante, sendo responsável apenas pelo envasamento, além de ser dependente da chegada do princípio ativo, que vem da China.

Daí que é importante a Prefeitura de Itabira buscar outras alternativas de imunizantes, até mesmo antes da aprovação dos demais pela Anvisa, para não ficar dependente da distribuição de vacinas pelo governo.

Se for viável a aquisição de vacinas por empresas privadas, o apoio da mineradora Vale pode ser muito bem-vindo para agilizar as compras.

E assim dar suporte financeiro à imunização dos moradores de Itabira e das demais cidades brasileiras onde a mineradora mantém as suas atividades, liberando lotes das vacinas governamentais para outros municípios.

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