Com a benção de São José, capela da Serra dos Alves passa por restauro com o fim da pandemia

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Já estava passando da hora de a Prefeitura de Itabira fazer o restauro da capela de São José, a ermida construída por fazendeiros, devotos do santo, a quem deviam muitas oferendas pelas graças alcançadas, no povoado de Serra dos Alves, a 15 quilômetros do distrito de Senhora do Carmo.

A capela é cartão-postal do povoado. Procurado por telefone, o presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Itabira (Comphai), o engenheiro Duval Augusto Coelho Gomes, garantiu que o projeto de restauração da capela já foi aprovado pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Itabira (Comphai).

Restauração da capela terá início pela telhado, que está bem estragado pelo tempo. (Fotos: Carlos Cruz e PMI). No destaque, o bonito entorno tombado pelo patrimônio histórico (Foto: Manu Costa)

E o que é mais importante, a Prefeitura já dispõe de recursos para a restauração, da ordem de R120 mil. “Será feito um restauro completo”, assegura o engenheiro, que é também diretor do Patrimônio Histórico e Arquitetônico, órgão da Prefeitura.

Segundo ele, o recurso irá sair de um repasse total de R$ 420 mil de ICMS Cultural, valor esse que Itabira receberá neste ano pelo conjunto das obras de restauração já realizadas no centro histórico de Itabira.

Janelas, esquadrias, cumeeiras, toda a parte de madeira danificada será substituída

Com mais um saldo de R$ 315 mil do ano passado, desse mesmo ICMS Cultural, a Prefeitura irá dispor de R$ 735 mil neste ano para investir na conclusão das obras de restauro já em curso.

É desse fundo que também estão saindo os recursos que  investidos na restauração do sobrado da rua Tiradentes, 55, que pertenceu ao escritor e historiador João Camilo de Oliveira Tôrres (1915/73).

Já a restauração, também em curso, do complexo arquitetônico do Parque Natural Municipal Ribeirão de São José, onde fica a detonada a antiga usina de força e luz de Itabira, não entra nessa conta.

Orçada em mais de R$ 1,2 milhão, a restauração da Casa de Força, e também do Administrador, além da reabertura de trilhas e saneamento do ribeirão, está sendo executada com recursos do Fundo Especial de Gestão Ambiental (Fega).

Com a restauração da capela de São José, do rol do patrimônio público tombado, só fica sem concluir o restauro do sobrado do antigo Hospital Nossa Senhora das Dores.

“Para este ano, não tempos recursos para mais essa restauração”, lamenta o presidente do Comphai. “O casarão está com bom escoramento e o telhado não tem problema. O custo é alto e infelizmente não temos disponibilidade de caixa.”

Cumeeira

O povoado com as intervenções urbanísticas que a Prefeitura promete realizar neste ano

A restauração da ermida de São José, na Serra dos Alves, terá início pelo telhado, como manda o manual de restauro. “A última obra de restauração da capela foi há mais de dez anos e não mexeram no telhado”, conta o engenheiro Duval Gomes.

A ermida é tombada pelo patrimônio histórico de Itabira, assim como o conjunto arquitetônico com casas e jardim. E todo o entorno.

As ruas serão calçadas de acordo com projeto aprovado pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Arquitetônico

Serão substituídas as esquadrias de madeira e as cumeeiras, nas junções dos encontros das águas. “Toda a estrutura do telhado será substituída, assim como o conjunto de calhas, que não descerão pelas paredes, à semelhança das existentes nos casarões históricos de Itabira.”

Por não mais existirem telhas cumbucas (“feitas nas coxas”), o telhado será coberto por telhas coloniais, sem resina.

Segue, segundo Duval Gomes, recomendação do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG).  “É a telha que mais se aproxima da cumbuca”, assegura.

Após o restauro do telhado, serão substituídas as molduras (lambrequins) do forro, com substituição das peças danificadas. As peças em madeira dos forros dos beirais que estiverem estragadas pelo tempo também serão trocadas

E a pintura, claro, será completa, observando as cores originais.

Urbanismo

O calçamento será com blocos intertravados, assentados em colchão de areia, com base de brita e argila.

O projeto arquitetônico e urbanístico para o povoado Serra dos Alves, que a Prefeitura promete executar ainda neste ano, está de acordo com o que foi aprovado pelo Comphai em 16 de março, informa Duval Gomes.

“Inclui o calçamento de todas as ruas com blocos intertravados, assentados em colchão de areia, com base de brita e argila. Não haverá uso de cimento, apenas uma argamassa permeável, que permite a infiltração da água das chuvas”, explica o engenheiro presidente do Comphai. “Não impermeabiliza o solo”, garante.

O calçamento, segundo o diretor do Patrimônio Histórico e Arquitetônico, inclui também a pavimentação de alguns morros de acesso às principais cachoeiras (Bongue e Marques).

Já os trechos mais íngremes da estrada de 15 quilômetros, que liga Senhora do Carmo a Serra dos Alves, será asfaltado. Não foi acatada a sugestão de alguns moradores para que esses trechos fossem calçados.

Paisagismo

Todas as ruas do povoado serão calçadas, assim como alguns morros de acesso às cachoeiras

Outra reforma importante será feita na praça e no entorno da capela. Foi acordada entre o Ministério Público e uma imobiliária, que desmembrou um loteamento no povoado, antes de ser aprovado pela Prefeitura.

Para isso, a imobiliária assinou termo de ajustamento de conduta – e é para execução imediata, assim que passar o risco da pandemia. No TAC está incluída também a reforma dos banheiros externos, ao lado da igreja.

Os jardins também serão cuidados pela mesma imobiliária. Com o cuidado paisagístico necessário, a reforma inclui o plantio de gramas e de flores nativas da região.

Assim Solange Alvarenga descreve, em 1998, o que viu na capela de São José

Povoado virou ponto turístico neste século, mas desde o fim do milênio passado já era visitado por itabiranos

Após um pequeno bosque, como uma surpresa, surge o povoado Serra dos Alves, onde o destaque é a capela de São José, com características coloniais do século passado.

Dentro da igrejinha, uma incrível descoberta: o retábulo (altar) em madeira é muito bonito, com imagens de marca regional, de inegável valor histórico. As peças são em madeira, barro e papel maché, muito parecidas com as do santeiro itabirano Alfredo Duval.

No seio da capela há uma inscrição da fundição do sino de São Paulo, datada de 1727, contendo o nome do padre Santos Saez Acha, pároco que foi responsável pela capela de 1923 a 1940.

Um grande adro, todo gramado e um cruzeiro ficam à frente da igreja. Ao redor estão as casinhas simples e modestas, no mesmo estilo e alinhamento – todas voltadas para a igreja como se fosse uma plateia.

Em todas as casas há pomar, com pés de laranja, mexericas, jabuticabas, mangas e pitangas – uma delícia. Nas cozinhas predominam fogões a lenha e fornos de barro nos terreiros.

Em 1866, os fazendeiros Domingos Alves, Quintiliano, Antônio, Diogo Alves e Deolindo da Silva doaram um hectare de terra, onde foi construída a capela de São José, dando origem ao povoado. A capela, o adro e o cruzeiro foram construídos pelos próprios moradores.

(Trecho extraído da reportagem Serra dos Alves, caminhos para o Mato Dentro, de Solange Alvarenga, publicada no jornal O Cometa Itabirano, julho de 1998).

 

 

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5 Comentários

  1. A restauração para ser completa deveria voltar com o piso de madeira que foi substituído por cerâmica. Outra coisa que poucas pessoas sabem é que no altar havia a pintura de dois anjinhos. Eles foram retirados e rifados ou leiloados para angariar recursos para uma das reformas realizadas pela comunidade. Deveriam tentar reaver essa pintura.

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