Coletivo Mulheres na Praça reivindica solução para a falta d’água em Itabira para enfrentar o Covid-19. E cobra outras providências

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O coletivo Mulheres na Praça, movimento de mulheres feministas em Itabira, inicialmente ligado ao Tô na praça, surgiu da união de várias mulheres que perceberam a necessidade urgente de pautar e discutir o que é ser mulher no contexto itabirano.

Com isso, engaja-se na luta por políticas públicas no âmbito municipal e busca formas de emancipação para as mulheres na sociedade. O coletivo visa realizar eventos e debates sobre diversas temáticas sociais.

Para isso, apoia espaços de discussão e projetos voltados para a mulher na perspectiva do fim das opressões de gênero, bem como ações sociais e culturais na cidade de Itabira que reflitam sobre a condição da mulher na sociedade, observando recortes como o de classe social e racial.

Diante da pandemia do coronavírus que se alastra pelo mundo, e que chega com força no Brasil, o coletivo Mulheres na Praça faz um apelo às autoridades municipais, com preocupações que vão além da iminência de um surto em Itabira.

São preocupações permanentes – e que não podem ser esquecidas – como o risco de rompimento de barragens de rejeitos da Vale e a constante falta de água na cidade “por falta de energia elétrica”, o que dificulta a assepsia necessária para combater o vírus.

Outra preocupação é com as empregadas domésticas, “as últimas a serem liberadas do trabalho e as primeiras a ficarem sem salários”. Confira.

Leia a íntegra da nota divulgada pelo coletivo

Nos últimos dias, as notícias sobre a pandemia do Coronavírus tomou conta de nossa vida de uma forma assustadora. Em meio às amplas divulgações sobre as medidas e recomendações extremamente necessárias para reduzir o risco da doença, também nos foi escancarada a realidade de um sistema desigual em que alguns direitos básicos que favoreceriam o enfrentamento à pandemia são negados à boa parte da população, como a questão da falta de água em alguns bairros da nossa cidade, o que inviabiliza completamente as medidas preventivas.

Além disso, uma situação agravante em nossa cidade é a questão das barragens, em que a população que vive nas zonas de alto risco de morte, sofrerá em sua quarentena a ansiedade e o medo dentro de suas próprias casas.

Nós, do Mulheres na Praça, enquanto um coletivo com responsabilidade social para com a população de Itabira, exigimos da prefeitura, do estado, do governo federal, a devida atenção para as condições de vida e sobrevivência da população.

E, sobretudo, da classe trabalhadora que vivencia o medo, o estresse, a ansiedade e se vê desvalorizada com políticas que não a incluem. Vale destacar, que nesse cenário as mulheres pobres são as mais vulneráveis. Elas são, em grande número, autônomas, a exemplo das empregadas domésticas, as últimas a serem liberadas do trabalho e as primeiras a ficarem sem salários.

O que se revela na política atual com a questão dos trabalhadores autônomos, chamados muitas vezes de “empreendedores”, é um empreendedorismo por necessidade diante da falta de empregos e direitos trabalhistas. E não uma situação positiva como os propagadores neoliberais querem fazer parecer. Essa situação os deixa vulneráveis, por exemplo, diante do Coronavírus, uma vez que essas pessoas podem não ter condições mínimas de sobrevivência.

Lembramos ainda, a urgência na busca de soluções para a proteção da classe social mais pobre, como é o caso das pessoas em situação de rua, que se encontram totalmente fora da política de contenção do vírus e tem, mais uma vez, seus direitos violados, cuidados desassistidos e a saúde inviabilizada.  .

A crise que a doença vem gerando no Brasil e no mundo, nos convoca a lutar ainda mais pelos direitos que são negados à maior parte da população, reafirmando a necessidade de nos organizarmos coletivamente e politicamente contra medidas que ameaçam os serviços públicos e as trabalhadoras e trabalhadores do nosso país.

Acreditamos que toda essa situação só pode ser resolvida de maneira imediata e eficaz com uso de recursos para seguridade social, tornando-se de extrema relevância o acionamento de políticas sociais que amparem e assistam os cidadãos e suas famílias em meio às consequências trazidas pela pandemia e reforçadas pelas desigualdades sociais em nosso país. .

Enfatizamos ainda, o quanto se torna urgente defendermos a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), , apesar das fragilidades e do sucateamento por parte do governo, que por meio do trabalho em saúde coletiva na atenção básica é o sistema mais preparado e a principal alternativa de milhões de brasileiros para o enfrentamento da pandemia.

Neste momento, de tantas incertezas, incentivamos a solidariedade comunitária, a ativação das redes de vizinhanças e laços familiares, o cuidado integral uns para com os outros.

Entrem em contato com os idosos e com os mais necessitados, fortaleçam os pequenos comércios, as trabalhadoras e trabalhadores autônomos a fim de reforçar a solidariedade e o vínculo entre as comunidades..

Nós do Mulheres na Praça, deixamos aqui todo o nosso apoio a população da cidade de Itabira e reafirmamos o nosso compromisso social com a população. Além disso, reforçamos que estamos abertas ao fortalecimento das redes de cuidado em nossa cidade. Seguimos juntas!

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3 Comentários

  1. Carlos Carmelo Torres Moreira on

    Se fosse no período seco do ano o SAAE diria que a falta d’água seria pelo motivo da estiagem e bla bla bla……!!!!!
    Tenho certeza que o principal motivo é de gestão, não só do da empresa mais principalmente do governo municipal!

  2. Finalmente a expressão majoritária na população e de qualidade excepcional de gênero assume o pragmatismo da luta em favor de suas necessidades essenciais reclamadas e não reconhecidas e atendidas, em Itabira. O Coletivo Mulheres na Praça, com certeza, abarrotará as ruas da cidade de gente e se espalhará como rastilho de pólvora por toda a Região do Médio Piracicaba. Valeu propagar
    as crônicas sobre o movimento das Aguerridas de Alucard. Vejam.

    https://ofolhademinas.com.br/materia/30832/coluna/aguerridas-de-alucard-montam-aparelho

    https://ofolhademinas.com.br/materia/30848/coluna/reveillon-das-mulheres-aguerridas-de-alucard

    https://ofolhademinas.com.br/materia/30945/coluna/aguerridas-de-alucard-prontas-a-luta

    https://ofolhademinas.com.br/materia/30984/coluna/ancia-nua-protesta-em-alucard

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