CDL manobra, mais uma vez, para tentar reabrir comércio em plena pandemia de Covid-19

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Presidente da CDL, Maurício Martins, quer reabrir o comércio em Itabira, à revelia do decreto do governador Romeu Zema (Fotos: Carlos Cruz)

Com o comércio fechado desde segunda-feira (23), primeiro por decreto municipal e depois por determinação do governador Romeu Zema (Novo), com validade para todos os 853 municípios mineiros, o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Itabira, Maurício Martins, quer mobilizar os associados em assembleia, na terça-feira (31), para deliberar sobre a reabertura das lojas no dia seguinte.

A manobra parte do princípio de que, nessa data, vence o prazo estipulado pelo prefeito Ronaldo Magalhães (PTB) para a suspensão provisória dos alvarás de localização e funcionamento do comércio e de serviço não essenciais.

Casuisticamente o dirigente lojista considera que é possível, por vontade da categoria em assembleia, deliberar pela reabertura. Isso mesmo que coloque em risco a saúde da população, em especial dos comerciários, que ficariam expostos ao vírus justamente na semana em que se prevê o avanço da pandemia no país.

Em vídeo compartilhado na rede social, o presidente da CDL conta que se reuniu, nesta sexta-feira (27), com o secretário de Governo, Ilton Magalhães, com o subsecretário de Comunicação, Ricardo Guerra, e com o líder do governo na Câmara, vereador Neidson Freitas (PMDB), para tratarem do assunto.

“Chegamos à conclusão que temos de reabrir o comércio”, disse o dirigente, que pretende se encontrar com o prefeito na terça-feira. “Em seguida vamos nos reunir em assembleia para tratar da reabertura”, propôs aos associados.

A proposta de reabertura é mais uma tentativa de burlar uma decisão governamental, dessa vez, o decreto do governador, que sobrepõe ao decreto municipal que, se não for reeditado, perde validade na próxima quarta-feira.

Desconhece assim que o estado de emergência em saúde continua valendo, ao propor uma assembleia, com reunião de pessoas, em plena quarentena. O decreto estabelece o distanciamento social para reduzir o risco de transmissão do vírus Covid-19.

Não cabe à categoria, reunida em assembleia, deliberar sobre um tema que não é de sua alçada. E nem mais do prefeito, mas sim do governador de Minas Gerais.

Se isso de fato ocorrer, será um ato configurado como desobediência civil. E a Polícia Militar de Minas Gerais, sob a chefia do governador, certamente irá reprimir todo aquele que descumprir a sua ordem de fechar o comércio, até que o decreto seja revogado.

Distanciamento social e o fechamento das atividades não essenciais devem continuar, diz subsecretário 

Comércio fica fechado até que o governador Romeu Zema revogue decreto e acabe com o distanciamento social para combater a pandemia

O subsecretário de Comunicação da Prefeitura, Ricardo Guerra, confirma que teve uma conversa pessoal, e por telefone, com o dirigente lojista, assim como ocorreu também com secretário de Governo, Ilton Magalhães.

“O município não se manifestou favorável à reabertura do comércio”, assegura, em resposta ao questionamento feito por este site. “O que concordamos foi que o comércio fechado é muito ruim.”

Diz que qualquer medida a ser tomada deve ser com equilíbrio e responsabilidade – e em respeito à determinação do governador, que tem validade para todos os municípios mineiros. “E está vigente”, diz o subsecretário, para quem a melhor forma de combater o coronavírus é o distanciamento social, o que inclui o fechamento do comércio por tempo indeterminado.

Com a manobra para tentar forçar a reabertura, novamente a CDL ignora o momento delicado de pandemia que vive o país e o mundo. Por certo foi incentivado pelo mau exemplo do presidente Bolsonaro, para quem o coronavírus não passa de uma gripezinha que irá matar somente os velhos e os doentes crônicos. E que a economia não pode ser prejudicada por tão poucas mortes.

É certo que o fechamento traz prejuízos aos lojistas, assim como também ao trabalhador que tem seus empregos ameaçados, como prejudica mais ainda quem sobrevive na informalidade.

Mas é assim que a guerra contra a pandemia será vencida, seguindo a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde.

Fora disso é desrespeitar a saúde dos comerciários e da população, em nome de salvaguardar os interesses dos comerciantes. Pega mal, mais uma vez, para o comércio itabirano que já não goza de boa fama na cidade.

 

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1 comentário

  1. Tendo o aval do idiota do presidente da república outro idiota se acha na condição de tomar uma atitude na contra mão do que a Itália mostrou, não acreditou na pandemia e hoje sofre com o maior número de mortos. O mesmo acontece com os EUA que também diz que o país não pode parar, sofre com o maior índice de infectados.
    Se este mentecapito do presidente da CDL de Itabira insistir que os comerciantes devem abrir suas lojas a população deve nunca mais comprar nem um único produto em tais estabelecimentos como forma de protesto.

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