Casa de Drummond é reaberta, após ser restaurada, com exposição sobre a vida de Maria Julieta, filha do poeta

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Com investimento de R$ 95 mil, a Prefeitura concluiu a restauração da Casa de Drummond, onde o poeta viveu a sua infância em Itabira, localizada na praça do Centenário, no centro histórico itabirano. A reabertura desse importante acervo arquitetônico, histórico e cultural ocorreu nessa terça-feira (21).

Ronaldo Magalhães reabre a Casa de Drummond depois de passar por restauração (Fotos: Divulgação e Carlos Cruz)

Segundo o prefeito Ronaldo Lage Magalhães (PTB), o investimento faz parte de um amplo programa de restauração do patrimônio histórico e arquitetônico da cidade.

As intervenções no casarão tiveram início em maio – e incluíram a troca de forros, telhado, luminárias, além da reforma do piso, pintura, redes elétrica e hidráulica.

“Resgatando o passado, valorizamos a nossa cultura no presente, pensando nas futuras gerações para que conheçam e também possam preservar a nossa história”, disse o prefeito na reinauguração, que contou com a participação do professor Ângelo Oswaldo, ex-secretário de Cultura do Estado e ex-prefeito de Ouro Preto.

O jardim do poeta também foi restaurado

Ângelo Oswaldo destacou a importância do restauro desse acervo cultural e arquitetônico. “A reabertura desta casa demonstra que Itabira preserva e compartilha a memória do poeta.”

Martha Mousinho, superintendente da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, relembrou também a restauração e reabertura do Museu de Itabira, no casarão onde no passado funcionou a Prefeitura, a cadeia pública e depois a Câmara Municipal.

“São espaços que se completam e mantêm viva a nossa memória histórica”, disse ela, para quem a restauração desses patrimônios revigora o turismo cultural em Itabira. “Cultura e arte dão alento e motivação às pessoas”, acredita.

Exposição

As fotografias na parede na casa do poeta

Com a reabertura da Casa de Drummond deu-se início à exposição Na Casa do Pai – Vida e Obra de Maria Julieta Drummond de Andrade.

A exposição tem como curadora a artista plástica Neide Barbosa e retrata o trabalho da escritora e a sua relação sempre amiga e fraterna com o pai Carlos Drummond de Andrade.

A exposição fica aberta de terça a sexta-feira, no horário de 8 a 18h. Aos sábados, domingos e feriados, de 10h30 a 16h30.

Prefeitura restaura outros patrimônios arquitetônicos na cidade 

Ronaldo Magalhães anunciou na reabertura da Casa de Drummond que a próxima restauração será da Fazenda do Pontal, monumento arquitetônico reconstruído pela Vale em 2004, depois de ter sido desmontada, em 1973, para que a antiga propriedade de Carlos de Paula Andrade, pai do poeta, fosse ocupada pelos rejeitos de minério, com a instalação da barragem do Pontal.

Casa em final de reforma na rua Santana

A reconstrução fez parte do acordo celebrado entre a mineradora, Prefeitura e o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) no ano 2000, como parte das condicionantes da Licença de Operação Corretiva (LOC), do Distrito Ferrífero de Itabira.

A fazenda reconstruída foi entregue pela mineradora à comunidade itabirana em 2004 – e hoje integra o Museu de Território – Caminhos Drummondianos, importante acervo turístico cultural itabirano que precisa ser, mais uma vez, restaurado em decorrência de seu precário estado de conservação.

O prefeito prometeu restaurar o casarão onde está instalado o Museu do Tropeiro, em Ipoema – uma importante referência turística e cultural do distrito itabirano.

Históricos

O governo municipal restaurou também a ermida Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, único patrimônio arquitetônico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ocorrido em 1949.

Igrejinha do Rosário é o único patrimônio histórico de Itabira tombado pelo Iphan

Outros casarões históricos também estão sendo restaurados pela Prefeitura depois que foi celebrada parceria com o Ministério Público Estadual, por meio da assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em fevereiro de 2017.

É o caso da reconstrução da casa situada na rua Monsenhor Júlio Engrácia, 34. A casa da histórica rua do Bongue pertenceu a Miguel Alves de Araújo, filho do célebre ex-prefeito desta urbe Antônio Alves de Araújo, o Tutu Caramujo (1869/72), imortalizado no poema “Itabira”, de Carlos Drummond de Andrade.

Outras restaurações em curso são dos imóveis tombados da rua Santana, 191, bairro Penha, e da Praça Joaquim Pedro Rosa, 14, todos no centro histórico.

É preciso também concluir a restauração do sobrado do antigo Hospital Nossa Senhora das Dores, já iniciada na administração passada – e que foi paralisada por falta de recursos.

Iniciativa privada

Pela iniciativa privada, mas também em atendimento aos respectivos TACs, aguarda-se a conclusão da restauração do casarão de propriedade do José Luiz Jardim Mariano, na rua Tiradentes. Nesse casarão viveu o célebre inventor itabirano Chico Zuzuna.

Conclusão da restauração do antigo Hospital Nossa Senhora das Dores continua sem recursos

Fica ao lado do casarão onde viveu Tutu Caramujo, outro personagem itabirano imortalizado nos versos de Carlos Drummond de Andrade.

Esse casarão foi reformado pelo seu atual proprietário Marconi Ferreira. O imóvel não é tombado, mas faz parte do gabarito do entorno do centro histórico.

E encontra-se em processo avançado a reforma do antigo Armazém Sampaio, tombado pelo patrimônio histórico, na mesma rua Tiradentes. São bons exemplos que demonstram apreço pelo que resta do patrimônio histórico de Itabira.

Ainda falta incluir no rol das restaurações o casarão da rua Tiradentes, 55, próximo do clube Atlético, dos herdeiros do escritor João Camilo de Oliveira Torres. Que seja breve, antes que tombe literalmente ao chão.

 

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