Carlim “Sacolão” pode ser eleito presidente da Câmara ainda nesta terça-feira

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Pode ocorrer ainda nesta terça-feira (19), após a sessão ordinária, a eleição da nova mesa diretora da Câmara Municipal de Itabira. O prazo para que seja eleito o sucessor do vereador Neidson Freitas (PP), que conclui mandato de dois anos à frente da Casa legislativa itabirana, encerra-se em 31 de dezembro.

Mas por temer o crescimento da chapa da oposição em aliança com vereadores que ensaiam dissidência, o prefeito Ronaldo Magalhães (PTB) resolveu atender ao apelo do vereador Paulo Soares (PRB) – e “bateu o martelo”, intervindo na disputa sucessória na Câmara.

Allaim Gomes (ao centro) mais uma vez deve abrir mão de sua candidatura à presidência (Fotos: Carlos Cruz)

Até ontem o vereador Allaim Figueiredo Gomes (PDT) era o “preferido” para encabeçar a chapa da situação.

Mas segundo informa o “Garganta Profunda”, uma fonte bem posicionada nos bastidores da Câmara e no “terceiro andar” da Prefeitura, Allaim abriu mão de sua candidatura para se dedicar mais à saúde.

Com isso, o atual líder do prefeito na Câmara, Carlos Henrique Filho (Podemos), o Carlim “Sacolão”, deve ser eleito presidente.

Como política é igual as nuvens, esse é o quadro nesta terça-feira pela manhã. Mas à tarde, ou no começo da noite, se confirmada a realização da eleição para depois da sessão legislativa, o seu nome pode ser confirmado ou não. Nesse rearranjo político o vereador Solimar José da Silva (Solidariedade) candidata-se como vice-presidente, compondo a chapa situacionista.

Cargos

Nas negociações entram também os cargos de confiança na Câmara. Por exemplo, com Allaim assumindo a presidência, estava acertado que a procuradoria jurídica seria ocupada pelo advogado Leonardo de Almeida Oliveira. Com a provável eleição de Carlim “Sacolão” a sua nomeação já não é tão certa, uma vez que o seu nome sofre forte oposição de quem ainda tem poder na Casa.

Outro cargo em disputa é o de diretor-geral da Câmara. O atual diretor, pastor Ailton Oliveira quer se manter no cargo. Mas pode ser que no rearranjo ele retorne para a Prefeitura, ocupando a Ouvidoria Municipal, função que já exerceu em gestões passadas. E para o seu lugar viria o atual ouvidor, o ex-vereador Fernando Muniz, que também já foi diretor da Câmara.

Tranquilidade

Com esse rearranjo dando a vitória à situação (a previsão é de que se dará por entre 10 a 11 votos), o prefeito Ronaldo Magalhães espera ter tranquilidade para aprovar os projetos de seu interesse (a transposição da água do rio Tanque e outras parcerias público-privadas).

Neidson vê a disputa com tranquilidade e nega ingerência da Prefeitura

É também fundamental para que não sofra tentativa de se abrir processo de impeachment.

Foi esse descuido na escolha do presidente que ameaçou o ex-prefeito Damon Lázaro de Sena (PV) de terminar o seu mandato mais cedo.

É que o presidente da Casa tem a prerrogativa de aceitar ou não o pedido de impedimento, que pode ser de autoria de qualquer um dos 17 vereadores.

O pedido de impeachment do ex-prefeito foi formulado pelo ex-vereador Bernardo Mucida (PSB), em setembro de 2015 – e foi arquivado em 20 de outubro, com 12 votos contrários à abertura do processo. O presidente da Casa era o vereador Solimar.

O nome do vereador Rodrigo “Diguerê” Alexandre Silva (PRTB) chegou a ser cogitado como alternativa aos dois nomes situacionistas em disputa prévia. Mas foi descartado por não ser de plena confiança do prefeito. Diguerê já foi presidente da Câmara e líder do ex-prefeito Damon Lázaro na gestão passada.

Oposição

O vereador Heraldo Noronha é assediado pela situação e também pela oposição

Pela oposição, ainda ontem o nome de Reinaldo Lacerda (PHS) era apontado como o mais provável candidato à presidência.

Mas para fortalecer o grupo, que conta também com participação de vereadores “dissidentes”, o vereador André Viana (Podemos) articulava o apoio do vereador Heraldo Noronha Rodrigues (PTB), oferecendo-lhe a presidência. Noronha também tem sido cortejado pela situação.

O vereador Neidson Freitas vê a disputa com naturalidade – e nega a intervenção do governo, embora reconheça como sendo natural que o chefe do executivo torça para se ter um presidente da Câmara afinado com a sua política, em “nome da harmonia entre os poderes”.

Segundo o presidente da Câmara, a sua função é aparar arestas para que a disputa seja a mais tranquila possível. “Vou continuar cumprindo a minha missão como vereador.” A mesma fonte ouvida pela reportagem diz que Freitas pode deixar a vereança e assumir algum cargo no “terceiro andar” na Prefeitura.

A mudança seria para ganhar mais visibilidade e tornar-se candidato à sucessão de Ronaldo Magalhães em 2020, caso o nome do prefeito não reúna as condições eleitorais suficientes para tentar a reeleição. Política é como nuvens, muda com o tempo. A história há de confirmar, ou não.

 

 

 

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