Câmara debate enfermagem e doença falciforme

WhatsApp Pinterest LinkedIn +

As precárias condições de trabalho do profissional de enfermagem foram debatidas na Câmara Municipal na reunião desta terça-feira (20/6) com o presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Coren-MG), Marcos Rubio, a convite do vereador Reinaldo Lacerda (PHS).

Marcos Rubio, presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Fotos: Carlos Cruz)

No país, são 1,9 milhão de profissionais de enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares), enquanto Minas Gerais dispõe de 180 mil profissionais. Em Itabira, trabalham 1,3 mil enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.

Segundo o presidente do Coren-MG, são esses profissionais que estão na linha de frente no cuidado ao enfermo. “É ele quem recebe o doente com os parentes fragilizados e que querem uma assistência de qualidade. Como muitas vezes isso não ocorre, jogam a culpa em quem que está na linha de frente. Em consequência, o profissional é agredido psicologicamente, verbalmente e até fisicamente.”

A Organização Mundial de Saúde chegou a conclusão de que o profissional de enfermagem não pode trabalhar mais do que seis horas diárias. A partir daí, ele passa a ter um déficit de atenção e o risco de cometer erro é grande. “Por que na maioria das instituições de saúde, o médico tem um quarto para o descanso e o enfermeiro não dispõe dessa mesma condição?”, questionou.

O vereador Neidson de Freitas (PP) lembrou que, no ano passado, a Câmara Municipal retirou uma bonificação dos profissionais de enfermagem, reduzindo os salários. “Foi um projeto polêmico de adequação e causou muito constrangimento”, disse ele, que não participava da legislatura passada. Os únicos que votaram contra o fim da bonificação foram o vereador Solimar José da Silva (SD) e o ex-vereador Bernardo Mucida (PSB).

Neidson anunciou também que será renovado por mais um ano os contratos dos profissionais de enfermagem que trabalham nos Programas de Saúde da Família (PSF). E que, até o fim do ano será realizado concurso público para contratação de novos profissionais.

Já o vereador Rodrigo Alexandre Assis Silva (PV) lembrou que a jornada complementar é paga aos profissionais, mas não incorpora ao salário-base “Com isso, não tem reflexo na aposentadoria”, disse ele, prometendo apoiar projeto que altere esse quadro.

Agnaldo “Enfermeiro” Vieira Gomes (PRTB) defendeu um piso salarial para o profissional não ter que cumprir jornada dupla de trabalho e assim complementar o baixo salário.

Doença Falciforme

Convidada pelo vereador Ronaldo “Capoeira” Meireles Sena (PV), esteve também na Câmara Municipal a coordenadora da Associação Brasileira de Portadores de Doença Falciforme, Maria Zeno Soares.

Maria Zeno, coordenadora da Associação Brasileira de Portadores de Doença Falciforme

O vereador é autor do projeto de lei aprovado no ano passado que institui a semana de conscientização sobre a doença e que tem no dia 19 de junho o Dia Mundial de Conscientização da Doença Falciforme, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Conforme explicou Maria Zeno, trata-se de uma doença genética, identificada pelo teste do pezinho no recém-nascido e que acomete principalmente a população negra. “Como somos um país de mestiços, praticamente toda a população está sujeita à doença”, salientou. Em Itabira, são conhecidos 67 casos, mas o número de portadores da doença pode ser maior.

A doença falciforme é causada pela presença de uma hemoglobina anômala nos glóbulos vermelhos. Causa anemia, dores ósseas e articulares, atraso no crescimento e no desenvolvimento infantil, inchaço e dor em punhos, tornozelos e dedos, além de aumentar o risco de infecções.

Para tratar a doença, o paciente precisa recorrer à Hemominas, em Belo Horizonte, para que seja realizada a transfusão de sangue. Por isso, e também para atender outros pacientes que necessitam desse procedimento, os vereadores devem reivindicar a instalação de um banco de coleta de sangue em Itabira. Assim, quando a hemoglobina cai, o paciente pode ser tratado na cidade sem precisar se deslocar até Belo Horizonte.

 

Compartilhe.

Sobre o Autor

Deixe um comentário