Brasil deixa de ser referência no futebol e crises se espalham pelos gramados

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Luiz Linhares*

Escrevi na semana passada sobre o equilíbrio em relação ao conceito geral que fazia do futebol brasileiro e em especial do que tem sido mostrado nas rodadas iniciais do Campeonato Brasileiro.

Mais uma rodada se foi e como a Copa América batendo às portas, com mais uma competição em nosso território, torno-me mais pessimista com o que vem pela frente.

E quando se olha para a seleção brasileira, vejo com muitas ressalvas o que tem sido feito pelo treinador Tite, que tem formado um time bem longe do confiável. Sem dúvida que na seleção, Neymar é o nosso cartão de visita. Mas o atleta vem tendo uma vida conturbada, ocasionada por atos praticados fora do campo de jogo.

A seleção continua a depender de seu talento dentro das quatro linhas, ficando à mercê de ímpeto nada agradável e cordial. Sei que precisamos desta conquista. Até acredito que os deuses do futebol vão ter que manobrar muito a nosso favo. Mas é a nossa esperança: até quando nada se mostra favorável, algo diferente pode ser escrito e assim caminhamos.

Na seleção não existe representação mineira. O goleiro Fábio mais uma vez se fez lembrado e só. Nenhum outro atleta se coloca em condições de vestir a amarelinha, infelizmente. Numa passado já distante éramos participativos e até tocadores do piano, mas isso já passou.

O que realmente podemos analisar do que vem acontecendo com os times mineiros? A rodada do campeonato brasileiro apresentou derrotas de Cruzeiro e do Atlético. Na segunda divisão, o América amargou outra derrota – e é a pior campanha no momento.

Com problemas em campo, crise acende luz vermelha no Cruzeiro com denúncias contra diretoria

Mas, mais assustadora é a queda de produção do time cruzeirense, que seguia até o início do Brasileiro sem saber o que era perder. E de uma hora para outra acumula derrotas consecutivas e até de forma humilhante. O time não mostra reação e sim uma apatia até então não vista.

A última derrota em casa para a Chapecoense tirou um pouco da paciência do torcedor. Foi uma partida disputada no Independência, que não é sua casa favorita e uma falta de sorte sem tamanho.

Com problemas dentro e fora de campo, Cruzeiro perde para a Chapecoense em casa (Foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press)

Verdade que se justiça jogasse bola teria o Cruzeiro alcançado o triunfo. Acontece que na batida da bola, o time até que criou muito, mas errou muitos passes. E quando o adversário se fez ofensivamente presente, encaixou jogadas e se aproveitou dos erros primários de marcação expostos pelo time mineiro.

Seu treinador até que tem tentado implantar um novo esquema de jogo. Mas isso leva tempo e a assimilação não acontece de imediato. É um preço caro pela mudança radical na forma de atuação imposta.

Seria mais confiável caso fosse praticado ao longo nos meses iniciais, o que não ocorreu. Será apenas a parte técnica a razão da baixa produção? São dúvidas que o torcedor tenta encontrar. Esse quer ver o seu time vencendo sempre, se acostumou no andar de cima e a situação atual não tem como ser aceita.

É comum ouvir dizer que quando a maré não está para peixe, vem uma bomba atrás da outra. Se não bastassem as derrotas em campo no campeonato Brasileiro, surgem agora as denúncias do mau uso do dinheiro com irregularidades praticadas por membros da atual diretoria.

São ações que burlam o regulamento da FIFA em relação à lei do passe e na formação de atletas. Graves denúncias investigadas pela Policia Civil e que podem lastrear uma grave crise interna no clube – e até mesmo ocasionar o rebaixamento do clube. Ainda é cedo para se fazer análises definitivas, mas o certo é que as denúncias caíram como uma bomba no mundo azul. O céu, definitivamente, não é de brigadeiro por lá.

Para o torcedor, o que mais importa é voltar a vencer e convencer. O time segue para a Copa do Brasil, o Brasileirão e em breve tem de volta a Libertadores. Até a parada para a Copa América vencer e vencer são a solução.

Sem equilíbrio na partida, Atlético se deixa envolver e perde para o Grêmio fora de casa

O Atlético perdeu em Porto Alegre e mesmo assim se manteve na segunda posição do brasileiro. O que preocupa mais é o poder de envolvimento que o time tem sofrido nos últimos jogos. Foi o que se viu, mais uma vez, contra o Grêmio, que jogou em cima do Galo todo o primeiro tempo.

Só não abriu o placar por competência do goleiro Vitor e por falta de capricho dos atacantes gaúchos. Perdeu pênalti e oportunidades. O Galo só acordou quando levou o gol no início do segundo tempo.

Atlético perde para o Grêmio em Porto Alegre mas ainda mantém a vice-liderança (Foto: Lucas Uebel/Grêmio/FBPA)

Foi quando saiu para o jogo após a desvantagem no placar e conseguiu equilibrar a partida, criando algumas raras oportunidades para incomodar o Grêmio. Mas isso durou uns quinze minutos e o time voltou a perder força e ser envolvido.

O ressumo é que reforços pontuais são necessários, principalmente no meio campo e para a criação. Só assim a bola poderá chegar à frente, equilibrando as partidas, fazendo por merecer resultados mais satisfatórios.

Foi uma derrota aceitável, digamos assim, por ter sido fora de casa – e por méritos do Grêmio. Somar o máximo de pontos antes da parada continua a ser a meta. Daí que para o próximo fim de semana, não dá para pensar em tropeçar contra o time alagoano das letrinhas.

Isso sem se esquecer de que tem a Copa Sul-americana nesta semana contra os fracos chilenos do La Calera. Mas todo cuidado é pouco, pois são fracos, sim, mas já passaram pela Chapecoense na fase anterior e se fazem surpreendentes às vezes. Agora é erro zero para o Galo.

*Luiz Linhares é diretor de Esportes da rádio Itabira-Am

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