Bacurau, um filme pro mundo e pro Brasil se verem dentro do Brasil atual

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Marcelo Procopio

Bacurau: atores do filme com Sonia Braga (Fotos e cartazes: Divulgação)

Assisti hoje (foi ontem – segunda, 23 de setembro de 2019, quando comecei a escrever esse comentário), sessão das 2h, para matar a saudade de quando os filmes eram exibidos cinco vezes por dia: 2, 4, 6, 8 e 10.

Plena segunda e a Sala 2 do Belas Artes tinha mais de 60 pessoas de 122 lugares.

Na bilheteria perguntei ao comprar o ingresso até quando Bacurau ficaria em cartaz. Disse-me a moça: não tem data, deve ficar por muito tempo ainda. Respondi: que ótimo, seria bom se ficasse ainda mais que esse “muito tempo ainda”.

vi o filme. Vi Cinema e vi-Cinema-Pernambucano. E vi um Brasil atual sendo exibido em metáfora explícita. Estava tudo lá o que está cá fora, E tinha poesia e porrada na cara (de quem vê), tinha pedra(s), tinha a venda da vida, poder, reação e luta

Poderia até ter um aviso no cartaz ou no início: esse filme contém realidades, não assista se você não quer entender o que se passa e ver arte de Cinema. Tudo ao mesmo tempo.

Bacurau: cartaz prêmio de juri em Cannes, França

Melhor não. Deixemos que os reaças assistam para levar tapas de realidade brasileira.

No final e sentado quase ao meu lado (gosto muito de ir ao cinema sozinho) estava um amigo, maestro e professor de música, Ele me contou que tentou ir à sessão das 19 de domingo. Mais de meia hora antes os ingressos se esgotaram. E para a sessão das 21:30h (são quatro por dia) restavam poucos lugares,

E enfim: tudo em uma palavra: Bacurau (de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles)

ah, matei uma

curiosidade

também ontem

Desde garoto vou ver Cinema. Desde os 10, 11 anos comecei a ir sozinho também. Ia muito na sessão das 10 (ou 10h30) nas manhãs de domingo. Era dia de pré-estreias: filmes que entrariam em cartaz na quinta,

Agora a curiosidade. Ia muito nas sessões das 16h e algumas vezes chegava atrasado e entrava assim mesmo. Assistia até o fim e esperava a próxima sessão e assistia do início até a parte que já tinha visto.
Me acostumei com isso. Não me importava desde então com spoiler.

Só um parênteses. O último filme que vi no cine Brasil foi Parque dos Dinossauros, com Maria e João, meus filhos então com menos de 10 anos, Fomos, num domingo, para a sessão das 8 e chegamos as 9. Entramos assim mesmo. Vimos primeiro da metade até o final e depois do início até a metade. Pouco mais.

Então ontem perguntei pro bilheteiro se teria de sair ao final da sessão. Ele disse. Não, se for o mesmo filme você pode ficar e ver de novo. É só avisar na bilheteria que você permanecerá, para que seja vendido um ingresso a menos.

Que ótimo, né? Pelo menos no Belas Artes é assim.

Mais Bacurau
(na página do fb do jornalista e amigo José Antonio Orlando)

“O barulho que ‘Bacurau’ vem provocando mostra que, por força de sua alquimia e também do momento que o país atravessa, ele tocou num nervo, numa ferida aberta, numa fratura exposta. Cada espectador que se vire com isso.” (Jose Geraldo Couto)

Recomendo.

  1. Um tiro no teatro http://bit.ly/2m8bWnW
  2. A hora e a vez de “Bacurau” http://bit.ly/2LbeM5W (crítica de José Geraldo Couto no IMS)

Cartaz com trechos das críticas

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Digo eu de novo: o crítico José Geraldo Couto é um dos poucos grandes críticos de Cinema que o Brasil tem atualmente.

É leitura obrigatória para saber mais sobre os bons filmes.

E tenho que lembrar que até os anos 1980, só o Estado de Minas tinha uns 10 críticos de primeira linha. Uma página inteira na quinta, dia das estreias. E uma crítica diariamente.

Estavam lá gente como Ricardo Gomes Leite, Ronaldo Brandão, Schubert Magalhaes, Geraldo Veloso, Paulo Augusto Gomes, Victor Hugo Almeida, Ronaldo Noronha e muitos outros, que também criaram o CEC – Centro de Estudos Cinematográficos de Minas. Fundado em 1951, editou por anos a Revista de Cinema e sobrevive ainda com as novas gerações e alguns dos velhos críticos.

Ah, um P.S.: na vida tive dois relógios. Um dado por meu avô Sigefredo e outro por tio-padrinho, Breno. Só os usei para ir ao cinema, Para saber se tinha que me apressar ou se poderia ir no ritmo quase lento do centro de BH dos anos 1960.

 

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