Após carreata de protesto, CDL faz reunião virtual e pede flexibilização ainda na onda roxa

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Em tom mais conciliador, bem diferente da posição belicosa da carta de repúdio às medidas restritivas adotadas pelo prefeito Marco Antônio Lage (PSB), no bojo da onda roxa do programa Minas Consciente, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), de Itabira, se reuniu virtualmente na tarde desta segunda-feira (5).

O objetivo foi tomar um posicionamento comum e aprovar um rol com oito reivindicações que serão encaminhadas à administração municipal. Os comerciantes pedem a flexibilização das medidas restritivas para o comércio de rua, sem que se deixe de adotar todas as medidas preventivas de proteção aos comerciários e aos compradores.

Antes da reunião, comerciantes da cidade saíram em carreata até a Prefeitura, na avenida Carlos de Paula Andrade. Além das flexibilizações das medidas, os manifestantes pediram também a abertura de um hospital de campanha.

O prefeito já descartou essa possibilidade, preferindo, como fez a administração passada, abrir novos leitos nos hospitais Nossa Senhora das Dores (HNSD) e no Carlos Chagas.

Com isso, os hospitais de Itabira, que são referências na região, estarão mais bem equipados após o término da pandemia, o que só ocorrerá quando a maioria da população estiver imunizada.

Somando-se os 20 novos leitos que a Vale anunciou que vai abrir no HNSD, o hospital contará com um total de 26 leitos de UTIs, além de 17 nas enfermarias exclusivas para atendimento de pacientes com Covid-19. Já no HMCC), com a abertura de novos leitos pela Prefeitura nos últimos dias, a disponibilidade passa a ser de 22 leitos de UTIs e 66 de enfermaria.

Mas o prefeito já adiantou que não basta cair a taxa de ocupação de leitos, que atualmente está em 100% tanto nas UTIs como nas enfermarias dos dois hospitais, para que ocorra a reabertura da economia local.

Para ele, mesmo com o fim da onda roxa, previsto para domingo (11), Itabira só reabrirá o comércio não essencial se a taxa de transmissão (Rt) cair para menos de 1.0. Atualmente a média da Rt está em 1,16 nos últimos sete dias, tendo oscilado entre 0,82 e 1,7.

Ou seja, só haverá a reabertura se menos gente sair às ruas, aumentando a taxa de isolamento social. Atualmente essa taxa está em 40%, acima da média estadual de 38%, ambas consideradas insuficientes para diminuir a velocidade da transmissão do vírus.

Reunião virtual da CDL aprovou reivindicações que serão apresentadas à Prefeitura (Imagem: Rodrigo Oliveira)

Responsabilidades

Com razão, os comerciantes afirmam que não são eles os responsáveis por essa baixa taxa de isolamento. Isso porque o comércio não essencial está fechado desde o dia 8 de março, antes portanto, da onda roxa chegar ao Médio Piracicaba por decisão do governo estadual.

E que mesmo com esse fechamento, o movimento nas ruas permanece intenso nas casas lotéricas, nas filas de bancos, nos pontos de ônibus, nos supermercados. “A Vale não fechou e está aí um dos motivos da grande movimentação das pessoas na cidade”, criticou um comerciante.

A mineradora diz ter dispensado todos os empregados com comorbidades e também os que não exercem atividades operacionais. E que o maior número de pessoas dispensadas foi de outras cidades, dos quadros de empregados de suas empreiteiras. Mas o movimento desses empregados na cidade continua intenso, como testemunham os comerciantes.

Rodízio de portas abertas

Para diminuir o impacto econômico com o fechamento do comércio, a CDL vai apresentar a sugestão à Prefeitura para que se faça um rodízio ainda na onda roxa. Pela proposta, nos dias pares abririam as lojas com numeração par, enquanto no outro dia abririam as que tem numeração ímpar.

A proposta, juntamente com outras sete sugestões, serão apresentadas à Prefeitura nesta quarta-feira, na reunião da Comissão Intersetorial de Combate à Covid-19, instituídas pela CDL, Acita, OAB, Câmara Municipal e outras entidades.

É pouco provável que o prefeito acate essas sugestões, até porque ele deve aguardar a decisão do comitê estadual que monitora o avanço da doença no estado.

“A nossa expectativa é que o governo libere a abertura do comércio a partir de segunda-feira, com os protocolos necessários e que devem ser cumpridos por todos os comerciantes”, disse o presidente da CDL, Maurício Martins. “Nós não temos que ser diferentes do estado. Se definir pelo fim da onda roxa, que Itabira acate.”

Enquanto isso não acontece, outra solicitação é para que a Prefeitura permita ao comércio fazer a entrega de mercadoria vendida remotamente, fora do balcão.

“O cliente faz a compra e agenda a entrega na porta do comércio”, reivindicou Martins. “O decreto estadual permite essa modalidade de vendas, como vem fazendo outras cidades”, salientou.

Eles querem também que a Prefeitura agilize a aprovação de projeto de socorro aos micros e pequenos empresários, por meio de recursos do Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico (Fundesi).

“No ano passado o vereador Vetão (Weverton Andrade) entrou com esse pedido, mas como ele era oposição, não foi atendido. Quem sabe agora sai, já que ele é presidente da Câmara e apoiou a eleição do prefeito”, cobrou o presidente da CDL.

Saiba quais são as principais reivindicações da CDL

  • Abrir o diálogo com setor comercial e com a CDL;
  • Revezamento do comércio não essencial, abrindo em um dia os de numeração par e no dia seguinte os de numeração ímpar;
  • Flexibilização do comércio de forma a permitir ao lojista receber o cliente para a retirada agendada da mercadoria na porta, sem entrar na loja;
  • Cancelamento de multas aplicadas ao comércio pela fiscalização municipal;
  • Cobrar do município a divulgação dos números de leitos que foram abertos e quais medidas efetivas foram tomadas para o enfrentamento à Covid-19;
  • Disponibilizar recursos para os empresários, por meio do Fundesi;
  • No caso de o governador encerrar a onda roxa para a região no dia 11, que a flexibilização seja imediatamente adotada em Itabira.
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2 Comentários

  1. João Tobias Vieira belisario on

    Interessante é que todos reclamam da quantidade de pessoas pelas ruas , e ao invés de cobrarem uma ação para conscientizar o povo a ficar em casa . Ajudarem com ideias pra evitar essa falta de noção do povo ,. Querem é utilizar deste argumento pra também descumprir as medidas contra a doença . Não há pra onde correr . Enquanto todos não forem vacinados não há como normalizar essa situação . Um problema não pode justificar um outro .

  2. Cristina Silveira on

    VIDA ACIMA DE TUDO!
    É tenebroso. Tenebroso.
    A Vale dá mal-mau exemplo e o CDL insiste no exemplo mortífero.
    Gente Imbecil!
    Gente Mesquinha!
    Gente Burra!
    Gente Inconsequente!
    Desejo covid leve aos 4 senhores na foto, os mensageiros da Morte.

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