Amigos, parentes e ativistas sociais prestam homenagem a Amélia Figueiredo em missa de 7º Dia

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Na paróquia Nossa Senhora da Saúde, no bairro Pará, onde residia, foi celebrada pelo padre Flávio Soares missa de 7º dia pelo falecimento da jornalista e radialista Maria Amélia Gomes de Figueiredo, aos 54 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC).

A sua morte prematura ocorreu na terça-feira de Carnaval (5), pelo qual ela sempre lutou a luta ainda vã para que Itabira, sua cidade natal, tivesse uma grande festa momesca.

Amélia Figueiredo (1964/2019), radialista e ativista social (Fotos: Carlos Cruz e arquivo da família)

Após a liturgia, em sua homenagem o ativista Leonardo Fontes, do Comitê Popular em Defesa da Comunidade Itabirana frente aos Problemas da Mineração, lembrou a sua luta como militante política sempre ao lado das causas populares.

A radialista e comunicadora foi uma ativista engajada do comitê popular que luta pela segurança total das 15 barragens – e de outros tantos diques de contenção de rejeito da Vale no município.

Emocionado, Fontes leu o poema Os que lutam, do escritor e dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898/1956), para lembrar que a militante das causas sociais foi daquelas pessoas “que lutam toda a vida e que são imprescindíveis” – e que jamais serão esquecidas.

Leonardo Fontes prestou homenagem em nome do comitê que Amélia ajudou a criar

Para ele, esses versos de Brecht foram feitos sob medida para “a nossa querida amiga e companheira de luta”, sempre inconformada com as mazelas acarretadas pelas desigualdades sociais.

“Sua estrela brilhou tanto, que ela foi abençoada ao receber uma linda voz, forte, porém suave, que gritou contra a opressão e a favor da liberdade e por um mundo mais justo para todos nós”, homenageou o amigo e “companheiro de luta”, para quem a morte da radialista deixou pais, filhos, irmãos, familiares e amigos mais tristes, mas que sabem que a sua vida não foi uma luta vã.

“É com esta certeza que deixamos essa palavra de carinho para nossa companheira de eterna luta”, finalizou o ativista, em nome do comitê que ele representou na homenagem a Amélia Figueiredo.

Ativista

Filha de tradicional família do bairro Pará, Amélia Figueiredo foi militante e uma das fundadoras do PT, no início da década de 1980. Participou ativamente da campanha pelas Diretas já, em 1984, que foi crucial para a redemocratização do país.

O pai Joaquim “Cinédia e a mãe Vera Gomes: tristeza incomparável

Outro movimento que ela teve participação destacada foi contra a privatização da Vale, em 1987, organizando comícios e manifestações na cidade – e também na região próxima de influência da mineradora.

Amélia se destacou ainda, como radialista e militante, na divulgação e organização dos grupos sociais que participaram da audiência pública, realizada em fevereiro de 1998.

Foi nessa histórica audiência que Itabira apresentou aos órgãos ambientais do Estado o primeiro balanço testemunhal dos impactos da mineração no município.

Os resultados dessa audiência foram as condicionantes da Licença de Operação Corretiva (LOC), concedida pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) para a continuidade da mineração em Itabira.

Zezé di Grisolia relembra a doçura e o companheirismo da radialista

Zezé di Grisolia, amigo da família

Outro pronunciamento que emocionou os presentes na missa de 7º Dia foi do itabirano José de Grisolia, candidato a prefeito de Itabira em 1982, cuja família sempre manteve relações de amizade com os familiares de Joaquim “Cinédia” Figueiredo, pai de Amélia.

Para Zezé di Grisolia, a comunicadora foi uma itabirana da “gema”, que é como se trata uma pessoa considerada preciosa. “Suas palavras não só informavam, mas levavam às nossas casas a esperança em nossas vidas”, disse ele, para quem a morte de Amélia deixa um grande vazio na cidade. “Mas em nossos corações ficarão as suas lições e palavras.”

Ainda segundo Grisolia, a radialista tinha posições políticas firmes – e as defendia com galhardia. De acordo com ele, Amélia era uma democrata, que mesmo defendendo com firmeza os seus ideais e propósitos políticos, sempre ouvia as opiniões contrárias. “Respeitava a tudo e a todos. Essa foi a sua característica mais destacada.”, acentuou, lembrando ainda de sua doçura e companheirismo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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