Ameaça de “tempestade perfeita”, com surtos de dengue, gripe e covid-19, já se aproxima perigosamente de Itabira

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Como já vinha sendo anunciado, inclusive por este site, Itabira já pode estar convivendo com surtos simultâneos de epidemias com as chamadas arboviroses (principalmente, dengue, zika e chikungunya), o que agrava ainda mais a situação que pode levar ao colapso do sistema de saúde, que se prepara para a pandemia do novo coronavírus (covid-19).

O epidemiologista Wanderson de Souza, do Ministério da Saúde prevê a “tempestade perfeita” e adverte: “fique em casa.” (Fotos: Agência Brasil e Carlos Cruz)

É o que também já ocorre em muitas regiões do país, conforme advertiu no final de março o secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, o epidemiologista Wanderson de Souza, para quem o Brasil corre o risco de conviver com uma “tempestade perfeita” com esses surtos simultâneos.

“Teremos, nos próximos meses, o avanço do novo coronavírus, que é novidade, com a influenza (gripe) chegando com sua carga máxima e com o pico também da dengue”, advertiu o epidemiologista do Ministério da Saúde.

“Não saiam de casa e aproveitem para limpar os quintais e eliminar os focos do mosquito da dengue. E vacinem contra a gripe de acordo com o calendário”, recomendou.

Surto em Itabira

Segundo a superintendente municipal de Vigilância em Saúde, Thereza Andrade Horta, o município já conta, neste ano, com 689 notificações, com registro de 314 casos positivos de dengue e um de chikungunya.

“Isso representa aumento de 460% em comparação com o mesmo período no ano passado”, salienta a superintendente, que está preocupada com o surto dessas arboviroses.

De acordo com ela, essa “tempestade perfeita” pode agravar ainda mais a situação, já preocupante com a pandemia do novo coronavírus, que projeta chegar com mais força nos próximos meses.

Se de fato ocorrer, pode levar ao colapso o sistema de saúde, aumentando o número de mortes que poderiam ser evitadas com o pronto atendimento dos casos mais complexos, que salva vidas.

Faça a sua parte

Thereza Horta, superintendente de Vigilância em Saúde: “limpem os quintais, não deixe vasilhames com água.”

A superintendente Thereza Andrade Horta pede à população para que tome todos os cuidados e faça a profilaxia necessária para evitar que o surto dessas doenças se propague ainda mais no município.

De acordo com o último Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), realizado em Itabira entre os dias 13 e 17 de janeiro, o índice de infestação no bairro Pedreira era de 1,58% – um indicador de estado de alerta. Leia mais aqui.

Somente índices inferiores a 1% são considerados satisfatórios.  Pelo mesmo levantamento, Itabira apresentou índice médio de infestação pelo mosquito de 5,3%, o que acende o sinal vermelho em toda a cidade.

É preciso, portanto, que os moradores tomem os cuidados necessários, eliminando os focos de criadouros do mosquito.

A disseminação ocorre com água parada nos vasilhames jogados nos quintais, nos lixos lançados na beira das estradas, na caixa d’água destampada, nos depósitos de ferro velho.

Só com os cuidados de limpeza e eliminação de focos do mosquito que essas epidemias não irão abarrotar ainda mais os serviços de saúde, agravando o atendimento à população em tempo de proliferação da pandemia da Covid-19.

“Vede a caixa d’água, dispense o lixo doméstico em sacos plásticos e mantenha a lixeira bem fechada. Verifique se não tem água acumulada na laje e encha com areia até a borda os vasos de planta. Não deixe nada que possa acumular água nos jardins e quintais”, pede a superintendente municipal de Vigilância em Saúde.

“A pandemia do novo coronavírus já está exigindo muito do sistema de saúde e o quadro pode ser agravado com essas outras epidemias”, adverte Thereza Andrade Horta. “Evitar o surto dessas doenças depende de ações preventivas adotadas pela população.”

Morador do bairro Pedreira relata que sua mulher teve zika, mas seu caso não está registrado

Pedreira do Instituto é um dos bairros com grande número de pessoas com dengue em Itabira

No final de março, a reportagem deste site foi procurada por um morador do bairro Pedreira do Instituto, que pediu para não ser identificado, relatando o drama que estava vivendo em casa.

A sua mulher estaria com quadro febril. Ao procurar atendimento no Pronto-Socorro Municipal teria sido diagnosticada com possível infestação pelo temível mosquito Aedes aegypti  – e que o seu caso tinha todos os sintomas de ser zika.

“Mesmo tendo sido diagnosticada, ela não pôde ser internada no hospital por causa da pandemia do novo coronavírus”, relatou o morador.  “Disseram para ela ir para casa e receitaram o medicamento, que não foi encontrado na rede municipal.” Leia mais aqui.

Como esse morador e a mulher são autônomos, sem renda tiveram de recorrer à ajuda de amigos para adquirir o medicamento, que “é bastante caro e precisa ser tomado por um longo período de tempo”. “É uma situação que muitas pessoas estão vivendo no nosso bairro, principalmente com surto de dengue.”

Uma outra moradora do bairro Pedreira, que também pediu para não ser identificada, confirmou que a situação é bastante grave. “É difícil encontrar uma só casa aqui no nosso bairro que não tenha alguém que já sofreu com a doença”, disse ela, que revela já ter sido acometida pela dengue no ano passado.

Procurada na ocasião pela reportagem, a assessoria de imprensa da Prefeitura diz desconhecer a existência de surto de zika em Itabira. “Até o dia 17 de março, a Secretaria Municipal de Saúde registrou 316 notificações para dengue, zika ou chikungunya. Do total, foram confirmados 93 casos positivos de dengue e nenhum para as outras doenças.”

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